Peça Guerra Fria
Peça sobre Guerra Fria estreia hoje em Araraquara
Peça sobre a corrida nuclear da Guerra Fria estreia hoje com entrada grátis no Teatro do SESI, com nova sessão amanhã

Araraquara tem hoje a estreia do espetáculo "Um Passeio no Bosque", peça que reconstrói um dos episódios mais tensos da Guerra Fria: a corrida por armas nucleares entre Estados Unidos e União Soviética. A sessão desta sexta-feira (6) começa às 19h, no Teatro do SESI Araraquara, com entrada gratuita.

Quem não conseguir ir hoje ainda tem uma segunda chance. A montagem repete amanhã, sábado (7), em horário diferente: às 17h, também de graça, no mesmo teatro.
O texto é assinado pelo dramaturgo norte-americano Lee Blessing, que levou a obra à Broadway em 1988 e viu a peça ganhar repercussão internacional ao abordar o embate diplomático entre as duas potências da época. A versão em português tem tradução de Bárbara Heliodora.
Diplomatas em confronto num bosque suíço
A história se passa num bosque nos arredores de Genebra, cenário escolhido para um encontro sigiloso entre dois diplomatas encarregados de discutir limites para o arsenal nuclear dos respectivos países.
John representa os Estados Unidos. É jovem e confia na diplomacia como caminho para a paz. Do outro lado está Andrey, diplomata russo de mais idade e de postura desconfiada, que duvida tanto das negociações quanto da disposição das nações em cumprir o que assinam.
Interesses opostos não impedem os dois de buscar algum ponto de convergência diante de um risco comum: a guerra nuclear. O embate entre eles alterna tensão, ironia e humor, revelando as contradições da política externa e os limites do próprio ato de negociar.
Um texto de quase quarenta anos ainda em cartaz
Escrita há quase quatro décadas, a peça segue dialogando com o noticiário atual. Disputas entre potências e a dificuldade de selar acordos duradouros continuam presentes no cenário internacional.
Ao colocar frente a frente dois representantes de posições divergentes, a montagem levanta a pergunta sobre o quanto diferenças ideológicas e interesses de Estado atrapalham a construção de soluções em conjunto. A peça também contrapõe idealismo e ceticismo, indicando que buscar a paz exige abertura para o diálogo e, ao mesmo tempo, reconhecimento dos limites de cada parte.
Encenação aposta em cenário mínimo
A direção de Marcelo Lazzaratto escolheu um cenário enxuto para concentrar a atenção do público na palavra e na atuação da dupla em cena. Poucos elementos aparecem no palco, entre eles um banco que representa o bosque onde os diplomatas conversam.
A iluminação indica a passagem do tempo e a troca das estações ao longo da trama, enquanto o figurino diferencia visualmente os dois personagens. Uma canção de Patti Smith entra na trilha sonora, usada nas transições entre cenas.
A ideia da encenação é fazer o espectador acompanhar o avanço das negociações principalmente pelas falas e pelas nuances da interpretação, transformando uma conversa entre dois homens num retrato das tensões da política internacional.
Elenco com trajetória em TV e cinema
Beto Bellini e Gustavo Merighi dividem o palco na montagem. Bellini tem passagens por novelas como "O Rei do Gado", "O Clone" e "Mulheres Apaixonadas". Merighi participou de produções como "Minha Mãe é uma Peça 2" e "Turma da Mônica: Lições".
O espetáculo já recebeu indicações ao Prêmio Aplauso Brasil de Teatro em 2019, nas categorias de Melhor Elenco, Melhor Direção e Melhor Espetáculo.
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