Homem morre asfixiado durante internação forçada por clínica de reabilitação em Américo

A vítima Jean Carlos Bastos foi algemado e imobilizado com golpe conhecido como “mata leão” após ter desistido da remoção até a instituição; a Polícia Civil investiga o caso

Por Flavio Fernandes-
4 Min

Homem morre asfixiado durante internação forçada por clínica de reabilitação em Américo
Foto: Arquivo Pessoal/Araraquara Agora
 
 
Uma tentativa de internação forçada resultou na morte do morador de Américo Brasiliense Jean Carlos Bastos de 35 anos que foi algemado e contido com um golpe conhecido como  “mata leão” aplicado por funcionários de uma clínica no final da tarde desta quinta-feira (1), localizada no Parque das Laranjeiras, em Araraquara. 
 
Segundo o boletim de ocorrência e os depoimentos obtidos pela reportagem, a mãe de Jean de 57 anos, procurou ajuda para o filho após encontrar o contato da clínica na internet. Mesmo sem autorização judicial, a equipe da instituição teria oferecido a chamada “internação compulsória” e ainda no mesmo dia, quatro funcionários foram até a casa da família na Rua Pedro Mussi, no Jardim Ponte Alta em Américo.
 
 
Ainda de acordo com o relato da auxiliar de serviços gerais, Jean estava no quarto e recusava o tratamento, mas os homens o imobilizaram.
 
“Eles derrubaram meu filho no chão, o algemaram e colocaram algo em seu pescoço. Depois, me entregaram ele desmaiado, com coloração roxa no rosto”, contou a mãe em depoimento prestado à polícia.
 
No trajeto até a clínica, os envolvidos notaram que a vítima não reagia e ao pararem o carro para abastecer perceberem a gravidade e o levaram até a UPA do Melhado. A equipe médica constatou uma parada cardíaca e o entubou Jean que não resistiu.
 
O corpo do auxiliar de serviços gerais, foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) e um laudo preliminar feito pelos médicos legistas aponta asfixia mecânica como causa da morte. A Polícia Civil abriu um inquérito e os envolvidos já prestaram depoimento. 
 
 
Os suspeitos de 35, 36, 25 e 21 anos afirmam que Jean estava agressivo e que tentavam “ajudá-lo a sair das drogas”, mas admitiram o uso de contenção física durante a condução até o car. Os depoimentos revelam ainda que a vítima foi algemada e colocada no banco traseiro do veículo, onde desmaiou no caminho.
 
Para o advogado da família, Leonardo Ribeiro houve abuso e crime, por parte dos funcionários da clínica.
 
“Foi uma abordagem ilegal, sem respaldo judicial, feita com violência e o Jean não ofereceu risco a ninguém. A mãe foi enganada por um serviço que deveria acolher e não matar”, afirmou.
 
O caso foi registrado no Plantão Policial de Araraquara como morte suspeita e os acusados devem ser investigados por homicídio culposo ou doloso, além de possível exercício ilegal da medicina, se ficar comprovado que usaram contenção sem orientação técnica adequada. A reportagem, não conseguiu contato com representantes da clínica até o momento e o espaço segue aberto.
 
O corpo de Jean foi enterrado na tarde desta sexta-feira (2), no cemitério municipal de Américo.

INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL É ILEGAL

De acordo com especialistas, a internação compulsória — que ocorre contra a vontade do paciente — só pode ser realizada com autorização judicial e laudo médico. A atitude da clínica de conduzir uma contenção física e remoção sem respaldo legal poderá configurar crime de homicídio e sequestro.

A família de Jean agora luta e busca por justiça. “A mãe está devastada, ela queria ajuda para o filho, não que ele fosse morto por quem prometeu socorro”, disse o advogado Leonardo Ribeiro.

 


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