Depois de oito dias de paralisação, os servidores municipais de Américo Brasiliense decidiram, em assembleia na noite desta quinta-feira (5), pelo fim da greve e retomada imediata das negociações com a Prefeitura. A decisão foi tomada após audiência de conciliação mediada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e visa destravar o impasse em relação à data-base e demais reivindicações dos trabalhadores.
Na mesa de diálogo, conduzida pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), o sindicato se compromete a reiterar três demandas principais:
✔ Salário-base igual ou superior ao salário mínimo nacional, atualmente, parte dos servidores recebe menos do que o piso legal;
✔ Vale-alimentação compatível com o custo de uma cesta básica, avaliada pelo Dieese em R$ 909;
✔ Paralisação de novas nomeações de cargos comissionados ou de confiança, assim como a não criação de novas vagas no serviço público.
A audiência da tarde de ontem a contou com a participação de representantes da Prefeitura, do SISMAR e de um desembargador do TJ-SP, que assumiu o compromisso de reabrir imediatamente a mesa de negociação.
Na assembleia, os servidores também aprovaram a reposição dos oito dias de paralisação, o que significa que os dias parados não serão descontados dos salários.
Conforme destacou o SISMAR, a continuidade da greve seria insustentável diante da situação atual dos servidores.
"Chega de salário de fome e Américo! Manter servidores concursados com salário abaixo do salário mínimo é criminoso, condena as famílias à miséria, desmotiva e adoece os trabalhadores"
O movimento grevista teve início em 29 de maio, após diversas tentativas de negociação fracassadas. A categoria havia apontado que a receita da Prefeitura aumentou cerca de 5% entre abril de 2024 e abril de 2025, enquanto a despesa com pessoal diminuiu em 1,7% no mesmo período.
Em contraste, os servidores acumulam mais de 20% de perdas salariais reais ao longo da última década.
Além disso, à época da greve, cada unidade obrigatoriamente deveria manter 70% dos servidores em funcionamento, conforme liminar judicial, sob pena de multa diária ao sindicato. Ainda assim, a mobilização manteve o recado que exigir reajuste salarial, incremento no vale-alimentação para R$ 900, e suspensão de nomeações.
Durante os protestos, houve atos públicos como passeatas e panelaços em frente à Prefeitura, pressionando pela continuidade do diálogo.
Com a greve suspensa, as atividades serão retomadas em todas as unidades municipais já nesta sexta (6), com cumprimento total da reposição dos dias parados.