Contesta relatório estadual?
Prefeitura de Américo diz que relatório estadual de contaminação da água se baseia em um único ponto; entenda
Prefeita afirmou em coletiva de imprensa que origem do surto segue indefinida

A prefeita de Américo Brasiliense, Terezinha Viveiros, afirmou nesta segunda-feira (17) que “a água está apta para o uso” durante uma coletiva de imprensa convocada para esclarecer dúvidas sobre o surto de doença diarreica aguda na cidade. O município contabiliza 2.111 casos e uma morte em 2025, conforme relatório do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) e do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo. A morte, segundo informações na coletiva, foi de um idoso de 85 anos, com diversas comorbidades. Ele deu entrada no Hospital José Nigro em 1º de novembro, foi transferido para Araraquara no dia 3 e morreu no dia 11, na Santa Casa.
O relatório estadual que embasa as investigações aponta que amostras coletadas em outubro revelaram deficiências graves na cloração do sistema de abastecimento municipal. Também identificou coliformes totais e, especificamente no dia 21 de outubro, detectou a presença de Escherichia coli (E. coli) na área urbana, bactéria capaz de causar infecções gastrointestinais severas.
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Prefeita diz que dados estaduais se baseiam em um único ponto de outubro
Durante a coletiva, Terezinha reconheceu a importância do trabalho do Estado, mas explicou que as análises estaduais consideraram principalmente o resultado da coleta de outubro.
“Eles vieram, fizeram um excelente trabalho, deram todo o suporte que a gente precisava, somos muito gratos ao Estado. Porém, eles trabalharam nas investigações partindo da análise de outubro, ou seja, como deu esse único ponto em 21 de outubro, eles estão se baseando nisso”, afirmou.
A prefeita destacou que há necessidade de um laudo final para determinar, de forma conclusiva, se a água tem relação com o surto. Segundo ela, não há contestação sobre o laudo estadual, mas há divergência na interpretação dos resultados.
“No mesmo dia em que foi colhida a amostra no Bairro São Judas Tadeu, quatro casas depois, na mesma rede, outra amostra foi coletada e não havia presença da bactéria. Não assumimos que é a água, não porque estamos contrariando, mas porque ainda é um mistério.”
Ela reforçou que a origem do surto continua incerta. “Pode ser da água, pode ser de um alimento, nós não sabemos. Não ficou definido. Mas eu quero tranquilizar a população: desde o primeiro momento estamos fazendo todo o atendimento necessário.”
Cidade recebeu hipoclorito após aumento de casos
Segundo a prefeita, o Estado enviou mil frascos de hipoclorito como medida preventiva diante do grande número de casos, e o município solicitou mais 6 mil unidades para reforçar a proteção da população enquanto as investigações seguem em andamento.

Corpo técnico afirma que cloração foi normalizada e que não há mais E. coli
A coletiva contou com a participação do corpo técnico municipal. O engenheiro civil do DAEMA, Cleverson Mariano de Marins, explicou que a partir do resultado de outubro a equipe reforçou imediatamente o controle de cloração. Ele afirmou que a amostragem recebida no dia 13 de novembro mostrou que não havia mais presença de E. coli, confirmando que o problema identificado anteriormente foi resolvido.
Segundo o engenheiro, novas análises foram enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, que agora examina amostras em busca de vírus, bactérias e protozoários. O objetivo é aprofundar a investigação. O resultado definitivo será divulgado quando concluído. Ele explicou também que a análise da água é contínua. “As análises ocorrem toda segunda e quinta-feira. Hoje a água pode estar dentro da portaria de uso, mas se na semana seguinte aparecer algum índice fora, fazemos nova análise e vamos atrás da solução.”
Investigações continuam
Cleverson ressaltou que todas as esferas de vigilância, municipal, regional e estadual, seguem empenhadas em identificar a causa do surto. “Eu participo das reuniões, e tanto a vigilância da cidade quanto a da regional e do Estado estão debruçadas para tentar identificar a origem dessa infecção.”
“Eu estou querendo resposta. Eu bebo água da torneira, ressaltou a prefeita de Américo.”
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