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Criticas e temor

‘População não foi ouvida’: Preocupação e manifesto marcam audiência sobre fechamento do ensino integral em Araraquara

Pais, professores e comunidade de Araraquara protestam contra decisão da Prefeitura que ameaça encerrar turno integral nas escolas Gilda Rocha de Mello e Cer Rubens Cruz

Geisa Ferreira da Silva|· 4 min de leitura
‘População não foi ouvida’: Preocupação e manifesto marcam audiência sobre fechamento do ensino integral em Araraquara
Comunidade escolar protesta na Câmara de Araraquara contra o possível fim do ensino integral Foto: Câmara Araraquara Divulgação.

 

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Uma audiência pública na Câmara de Araraquara, realizada na noite desta quarta-feira (19), foi marcada por críticas contundentes e apelos e preocupação com relação ao possível fechamento do ensino integral na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) “Gilda Rocha de Mello e Souza” e no Centro de Educação e Recreação (CER) “Rubens Cruz”. Segundo segmentos da comunidade escolar, a medida anunciada pela Prefeitura ameaça comprometer o futuro das crianças e ignorar a expansão demográfica da Zona Norte.

 

O encontro, conduzido pela vereadora Maria Paula (PT), foi solicitado por um bloco de parlamentares de oposição: Maria Paula, Alcindo Sabino (PT), Aluísio Boi (MDB), Fabi Virgílio (PT), Filipa Brunelli (PT), Guilherme Bianco (PCdoB), Marcão da Saúde (MDB) e Paulo Landim (PT). Também integraram a mesa representantes da escola, pais, do Conselho Municipal de Educação e da União Nacional dos Estudantes (UNE). Estavam presentes professores, sindicalistas e membros de movimentos sociais e partidos políticos.

 

Muitos participantes afirmaram que a comunidade não foi consultada sobre a decisão de encerrar o período integral. Questionam a alegação da Prefeitura de “baixa demanda” para justificar a readequação – argumento que, para críticos, não se sustenta diante do crescimento populacional observado na Zona Norte, onde essas unidades estão localizadas.

 

A presidente do Conselho Municipal de Educação, Rita de Cássia Ferreira, reforçou que o órgão nunca foi ouvido oficialmente, tampouco os conselhos escolares das unidades afetadas.

 

 

 

“Isso mostra muito como a política de educação do município vem sendo conduzida. A população não foi ouvida”, afirmou.

 

Outro argumento central apresentado no debate foi demográfico. A Emef Gilda está situada no Jardim Indaiá e o CER Rubens Cruz no Jardim Roberto Selmi Dei, regiões que, segundo os manifestantes, têm registrado crescimento contínuo. Para muitos, suprimir o integral agora é um erro estratégico, pois a demanda por educação tende a aumentar, não diminuir.

 

Audiência foi realizada nesta quarta-feira (19)
Audiência foi realizada nesta quarta-feira (19)

 

 

Entre os depoimentos, o de Kauã Roberto de Farias, ex-aluno das escolas Gilda e Rubens Cruz e estudante de Ciências Sociais na Unesp, disse que a decisão “atenta contra o futuro das crianças”. Ele defendeu que, em vez de fechar, a Prefeitura deveria investir na criação de novas turmas e salas, especialmente na Zona Norte.

 

Na visão de Larissa Perre, servidora municipal, apesar do crescimento da região, não haveria previsão de recursos para novas escolas ou expansão das já existentes. Já a professora Camila Benjamin Vieira, da Emef Gilda, ressaltou que a proposta de encerramento é simbólica e preocupante, porque a escola tem um projeto pedagógico pautado no ensino integral com princípios antirracistas. “Ensinamos os alunos a pensar e questionar”, avaliou.

 

 

Posicionamento da Prefeitura

 

Do lado do Executivo, a Prefeitura de Araraquara nega que o integral será fechado. Conforme esclareceu o secretário municipal da Educação, Fernando Diana, durante uma sessão extraordinária na Câmara, prevista para 2026 está uma readequação dos espaços — não um encerramento definitivo. No caso da Emef Gilda, o contraturno, atualmente oferecido em imóvel alugado na Vila Harmonia (com problemas de acessibilidade), deve ser transferido para duas novas sedes:

✔ Centro de Educação “Aléscio Gonçalves dos Santos”, próximo ao Parque do Pinheirinho;

✔ Escola Municipal de Dança “Iracema Nogueira”.

 

A casa da Vila Harmonia seria devolvida ao proprietário. Já no CER Rubens Cruz, o plano é unificar os atendimentos das unidades I e II no prédio da unidade I, porque o imóvel da unidade II é considerado “improvisado”. Segundo Diana, não haverá interrompimento no serviço, pois os alunos do CER II serão atendidos na unidade I, que fica ao lado, e os estudantes da Emef Gilda continuarão recebendo contraturno — com transporte garantido. “O ônibus vai continuar pegando os alunos no mesmo lugar que pegava neste ano e devolvendo no mesmo lugar”.

 

O secretário também mencionou que a proposta de construir uma sala para atendimento integral dentro da própria Emef Gilda, no Jardim Indaiá, já está prevista no Plano Plurianual (PPA) 2026–2029.

 

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Encaminhamentos e Reações

 

Entre os encaminhamentos surgidos na audiência, destacam-se:

✔ Mobilização política nas regiões afetadas (Jardim Indaiá e Selmi Dei), para pressionar por reversão da medida.

✔ Solicitação formal de informações por meio de requerimentos na Câmara, para investigar a justificativa técnica, pedagógica e orçamentária por trás da reestruturação.

 

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Fonte: Câmara Araraquara.

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