A Prefeitura de Araraquara anunciou nesta quinta-feira (4) um novo prazo para quitar as horas extras atrasadas dos servidores municipais. A administração se comprometeu a realizar o pagamento dentro de 10 dias, até 15 de dezembro, após forte pressão da categoria e do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar). Além disso, o Executivo confirmou que a última parcela do 13º salário será paga até o dia 19 de dezembro, medida que busca amenizar tensões diante do final de ano.
A novidade foi divulgada ao mesmo tempo em que o Sismar intensificou a mobilização dos trabalhadores. O sindicato divulgou reunião para esta sexta-feira (5), às 18h, na sede da entidade, para discutir os atrasos e decidir possíveis ações coletivas. A convocação da assembleia ocorre em um momento de crescente desgaste entre a categoria e a administração. O sindicato já havia orientado servidores a suspenderem a realização de horas extras, classificando o corte e o atraso como “absurdos”.
Em comunicado, a entidade reforçou:
“O servidor não pode pagar as contas da Prefeitura toda hora.”
O encontro desta sexta deve reunir funcionários prejudicados pelo atraso, que buscam entendimento sobre o que será feito para garantir o pagamento integral dos valores pendentes.
A insatisfação foi intensa. Alguns servidores expressaram indignação nas redes sociais, apontando contradições, “Quantos cargos comissionados e favores? 900, teria como nos pagar sim”, questionou um comentário. Outro servidor lamentou: “Ele não cortou, pior: ele não pagou as já feitas. Se avisasse que não gerássemos hora extra, não teríamos feito”. Uma servidora afirmou que espera que o sindicato aja para “reverter tudo isso e garantir o que é direito”.
O Sismar também notificou o Ministério Público do Trabalho sobre o não pagamento, o que indica possibilidade de medidas jurídicas, caso a prefeitura não cumpra o novo prazo.
Cenário fiscal tenso na Prefeitura
A administração afirma que a adoção da medida se justifica pela “situação caótica” das finanças municipais. Com queda na arrecadação e uma dívida herdada de cerca de R$ 300 milhões com fornecedores, o atual governo diz adotar “medidas emergenciais” para garantir os salários. Entre elas, a suspensão temporária dos pagamentos do prefeito, da vice-prefeita e de secretários, até que haja folga orçamentária.
A gestão ressalta que, mesmo com o aperto, pretende honrar compromissos com o funcionalismo o quanto antes e evitar maiores danos. A expectativa, segundo o Executivo, é que a situação melhore no início de 2026, com aumento de receitas municipais.
Pressão financeira e medidas emergenciais da Prefeitura
A administração municipal reconhece que enfrenta uma das piores crises fiscais dos últimos anos. O prefeito Lapena afirmou:
“Todo mundo sabe da situação caótica das finanças do município. Herdamos uma dívida impagável e precisamos agir com responsabilidade para pagar os salários em dia.”
De acordo com a Prefeitura, a crise se deve a:
A assessoria do ex-prefeito Edinho Silva (PT) divulgou nota repudiando as declarações da atual administração. No texto, o ex-chefe do Executivo afirma que entregou a Prefeitura com R$ 137 milhões em caixa, superávit de R$ 16,4 milhões, ou seja, gastou menos do que arrecadou, deixou R$ 6 milhões de IPTU 2025 em caixa e todo o salário de janeiro dos servidores garantido. Deixou ainda 98 obras com recursos assegurados, especialmente junto ao governo federal.
Segundo Edinho, o atual governo possui 12 meses de gestão e “não pode transferir responsabilidades”. Ele também demonstrou solidariedade aos servidores afetados pelos atrasos. “O atual governo precisa trabalhar, sem desculpas. Precisa cuidar do povo de Araraquara".
Desde janeiro de 2025, relatórios da Secretaria de Fazenda e Planejamento já indicavam um cenário fiscal preocupante. O secretário Roberto Pereira afirmou em diversas apresentações que as alternativas eram limitadas. “Ou reduzimos despesas, ou buscamos constantemente novos recursos estaduais e federais.”
Cortar gastos, porém, afeta áreas sensíveis como saúde, educação, saneamento e segurança. Já a captação de recursos depende de fatores externos e não gera alívio imediato, um impasse que aprofunda a instabilidade orçamentária.
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