O trecho da rodovia SP-255 entre Araraquara e Boa Esperança do Sul, sob concessão da Arteris Via Paulista desde 2017, segue sem duplicação total mesmo após nove anos de contrato e quase oito anos de cobrança de pedágio. A situação chama atenção não apenas pelo tempo decorrido desde o início da concessão, mas também pelos dados de ocorrências e vítimas registrados nos últimos anos, em um corredor viário marcado por tráfego intenso e histórico de acidentes graves.
A praça de pedágio de Boa Esperança do Sul entrou em operação em janeiro de 2019, com tarifa inicial de R$ 7,60 para veículos de passeio. Em 2025, o valor chegou a R$ 12, após reajustes anuais autorizados pelo poder concedente. Apesar da arrecadação contínua, a duplicação integral do trecho entre os quilômetros 83 e 123 da SP-255 ainda não foi entregue aos usuários.
Quando a Arteris Via Paulista assumiu a concessão, em outubro de 2017, a expectativa era de modernização da rodovia, com melhorias estruturais e ampliação da capacidade, incluindo a duplicação em segmentos considerados críticos. O trecho entre Araraquara e Boa Esperança do Sul, no entanto, permanece majoritariamente em pista simples, condição que eleva o risco de colisões frontais, um dos tipos de acidentes mais letais em rodovias.
Até o fechamento desta reportagem, ARTESP (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), TCESP (Tribunal de Contas do Estado) e Arteris Via Paulista não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem sobre prazos contratuais, cronograma de obras, investimentos realizados e medidas adotadas para reduzir acidentes enquanto a duplicação total não é concluída.
Informações disponíveis no painel de acompanhamento do TCESP indicam que a Arteris Via Paulista possui 45 obras atrasadas no chamado lote 29 da concessão. Embora o Tribunal não detalhe publicamente, nesse painel específico, quais trechos ou obras estão individualmente atrasados, o dado reforça o cenário de pendências na execução contratual da concessionária.
A reportagem questionou se a duplicação da SP-255 entre Araraquara e Boa Esperança do Sul integra essa lista de obras com atraso, mas não obteve confirmação oficial até o momento.
Levantamento com base em dados da ARTESP, por meio do CCM (Centro de Controle Multimodal) aponta um número expressivo de ocorrências e vítimas no trecho da SP-255 desde 2022.
Boa Esperança do Sul (trecho pertencente ao município)
Desde 2022, foram registradas 18 ocorrências na SP-255 em trecho sob responsabilidade territorial de Boa Esperança do Sul, sendo:
O balanço de vítimas chama atenção:
Ao todo, 41 pessoas estiveram envolvidas em acidentes, independentemente do grau de gravidade.
Araraquara (trecho da SP-255)
No trecho pertencente a Araraquara, foram registradas 11 ocorrências desde 2022:
Quanto às vítimas:
Os números reforçam o impacto humano dos acidentes em um trecho que ainda não conta com duplicação integral, principal expectativa dos motoristas, assim como já trecho entre Bocaina e Jaú.
Rodovias de pista simples, com tráfego intenso como o trecho entre Araraquara e Boa Esperança do Sul, apresentam risco elevado de colisões frontais. Isso, especialmente em trechos longos, com ultrapassagens forçadas de motoristas e presença de veículos pesados.
Verdade é que medidas paliativas, como sinalização reforçada, terceiras faixas e fiscalização, ajudam. No entanto, tais ações não substituem, de fato, a duplicação total do trecho como solução estrutural.
Enquanto isso, motoristas seguem pagando pedágio em um trecho onde a principal obra esperada ainda não foi entregue integralmente.
A reportagem procurou Arteris Via Paulista, ARTESP e TCESP para esclarecimentos sobre:
- o cronograma da duplicação;
- a relação entre a arrecadação do pedágio e os investimentos no trecho;
- os dados de obras atrasadas;
- e as ações adotadas para reduzir acidentes.
Até o fechamento desta edição, nenhum dos órgãos enviou resposta oficial. Apesar disso, o espaço permanece aberto para manifestação.