Cachorra morre após rojão em Américo e caso gera revolta; 'criminosos'

Turora acusa soltura ilegal de fogos barulhentos pela morte de Kiara e cobra punição aos responsáveis

Por Cassiane Chagas -
6 Min

Cachorra morre após rojão em Américo e caso gera revolta; 'criminosos'
Rojão matou Kiara de 3 anos na virada do ano / Foto: arquivo pessoal.

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A virada do ano terminou em tragédia e revolta para uma família de Américo Brasiliense. Uma cachorra de apenas 3 anos morreu após se assustar com a explosão de um rojão com estampido, solto em frente à residência das tutoras — prática proibida por lei no município. O caso ocorreu na noite de 31 de dezembro e reacendeu o debate sobre o uso ilegal de fogos barulhentos e seus impactos diretos em animais, crianças e pessoas com hipersensibilidade sonora.

 

De acordo com a tutora, Ana Carolina, moradora do bairro Nova Américo, ela havia viajado com a esposa e os filhos para passar o Réveillon fora da cidade. Antes da viagem, a família tomou todos os cuidados possíveis para garantir a segurança dos cães que permaneceram na residência. O quintal foi organizado, objetos que poderiam causar ferimentos foram retirados e a lavanderia foi deixada livre para servir como abrigo, justamente para minimizar o impacto do barulho dos fogos.

 

Além disso, uma pessoa de confiança ficou responsável por ir diariamente até a casa para verificar os animais, trocar a água e a ração. Segundo a família, os três cães estavam saudáveis e bem cuidados no momento da viagem.

 

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Desespero e morte

 

Por volta das 21h do dia 31, Ana Carolina recebeu uma mensagem de uma vizinha informando que a cachorra estava gritando de dor e desespero. A família tentou contato imediato com a pessoa responsável pelos cuidados, que se deslocou até o local. Quando chegou, porém, a situação já era irreversível.

 

 

Havia um rojão estourado em frente ao meu portão e minha cachorra morta. Ela se assustou, tentou fugir do barulho, ficou presa no portão e morreu por conta do desrespeito desses criminosos”, relatou a tutora.

 

 

Segundo o relato, a cachorra, Kiara, entrou em pânico e tentou passar por um portão de grades estreitas no corredor da garagem. Ao ficar presa, acabou não resistindo. A família também enfrentava dificuldades de comunicação no momento do ocorrido, já que estava em uma cidade com sinal precário de celular e sem acesso imediato à internet, o que atrasou ainda mais qualquer tentativa de intervenção.

 

 

 

Rojões na rua e descumprimento da lei

 

Ao chegar à residência, foram encontrados restos de rojões estourados exatamente em frente ao portão da casa. Em vídeo gravado, é possível ver claramente os resquícios dos fogos. Ainda segundo a família, outros pontos da mesma rua também apresentavam restos de fogos, indicando que a prática ilegal foi generalizada.

 

 

 

 

Ela tinha acabado de sair de um tratamento contra a doença do carrapato. Lutou tanto para sobreviver… para agora acontecer isso”, desabafou a tutora. “Ela era um doce.”

Abalada, a família afirma que o caso não pode ser tratado como um acidente. “Não foi um acidente, foi um assassinato”, declarou.

 

 

Impacto emocional na família e nos animais

 

Kiara era inseparável de outra cadela da casa, chamada Frida, que segundo os tutores apresenta sinais claros de tristeza desde a morte da companheira. “Se uma ia ao veterinário, a outra ficava chorando. Agora a Frida anda cabisbaixa, procurando a irmã pelo quintal.”

 

A viagem, segundo a família, era um presente de aniversário para o filho caçula da esposa. “Ele está inconsolável. Ontem tivemos que deixá-lo na casa da avó, porque está muito triste. Ver os outros cães procurando por ela parte o coração.”

 

 

 

Lei proíbe fogos com barulho em Américo Brasiliense

 

O município de Américo Brasiliense possui legislação específica que proíbe a queima, soltura e manuseio de fogos de artifício com estampido desde abril de 2019. A medida está prevista na Lei Municipal nº 2.234, em vigor desde 16 de abril de 2019.

 

A norma proíbe rojões, bombas, morteiros e qualquer artefato pirotécnico com barulho significativo, em áreas públicas ou privadas, abertas ou fechadas. São permitidos apenas fogos de efeito visual, sem ruído.

 

A legislação municipal está alinhada à Lei Estadual nº 17.389/2021, que também restringe o uso de fogos ruidosos em todo o estado de São Paulo, visando proteger crianças, idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bebês e animais.

 

 

Crianças com autismo também sofreram crises

 

Segundo os moradores, durante o Natal, situação semelhante ocorreu na mesma rua. Duas crianças com autismo, moradoras em frente e ao lado do local onde os fogos foram soltos, tiveram crises sensoriais provocadas pelo barulho excessivo. Especialistas alertam que estampidos podem causar pânico, ansiedade extrema e sofrimento intenso, reforçando o caráter social e humanitário da proibição.

 

 

Denúncias e cobrança por fiscalização

 

O portal Araraquara Agora entrou em contato com a Prefeitura de Américo Brasiliense, questionando as ações de fiscalização na cidade. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto.

 

 

A tutora afirma que buscará seus direitos. “Não vai trazer nossa Kiara de volta, mas isso não vai ficar assim.”

 

 

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 


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