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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (8) a criação do programa Move Brasil, uma nova linha de crédito que vai disponibilizar R$ 10 bilhões em financiamentos voltados à renovação da frota de caminhões no país. A iniciativa tem como público-alvo empresas de transporte rodoviário de cargas, cooperativas e caminhoneiros autônomos, oferecendo condições facilitadas, como taxas de juros reduzidas, prazos ampliados e estímulos à sustentabilidade.
O lançamento foi feito pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, durante visita a uma concessionária de caminhões em Brasília. O objetivo central do programa é retirar de circulação veículos antigos e mais poluentes, substituindo-os por modelos mais modernos, seguros e ambientalmente eficientes, ao mesmo tempo em que impulsiona a indústria nacional.
Do total de recursos anunciados, R$ 6 bilhões virão do Tesouro Nacional, enquanto o restante será operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por executar todas as linhas de crédito do Move Brasil. Um ponto de destaque é que R$ 1 bilhão será destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados, segmento que historicamente enfrenta maiores dificuldades de acesso a financiamento.
Nos primeiros parágrafos do anúncio, o governo reforçou que o programa foi estruturado para alinhar desenvolvimento econômico, geração de empregos e compromisso ambiental, criando incentivos claros para a modernização da frota de transporte rodoviário no Brasil.
O Move Brasil surge como desdobramento de uma Medida Provisória publicada em dezembro, que autorizou a destinação de recursos para linhas de crédito específicas voltadas à renovação de caminhões. A partir dessa base legal, o MDIC editou uma portaria definindo critérios obrigatórios de conteúdo local, sustentabilidade e reciclagem dos veículos financiados.
Além disso, o Conselho Monetário Nacional (CMN) foi responsável por estabelecer as condições financeiras das operações, como taxas de juros, prazos de pagamento e período de carência. Entre os incentivos previstos, estão vantagens adicionais para quem optar por entregar um caminhão antigo para desmonte, contribuindo para a redução da poluição e o descarte ambientalmente correto de veículos obsoletos.
Segundo Alckmin, a medida traz benefícios que vão além do setor de transportes. “Isso é importante para o meio ambiente, para a saúde pública e para a economia, porque retira de circulação veículos antigos que poluem mais, coloca nas rodovias veículos novos e mais seguros e ajuda a segurar emprego e estimular a indústria e o comércio nacional”, afirmou o vice-presidente.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o programa não terá impacto fiscal primário, já que os financiamentos são reembolsáveis, não contam com garantia da União e têm o risco de crédito assumido pelas próprias instituições financeiras participantes.
O valor máximo de financiamento pode chegar a R$ 50 milhões por beneficiário, o que permite atender tanto grandes empresas de transporte quanto cooperativas estruturadas. Já para os caminhoneiros autônomos, o acesso ao crédito exclusivo representa uma tentativa de reduzir desigualdades históricas no setor.
Outro ponto relevante é que os pedidos de financiamento poderão ser protocolados até 30 de junho de 2026, oferecendo um horizonte amplo para planejamento dos interessados e das empresas fabricantes.
Conforme a regulamentação aprovada pelo CMN, o prazo de reembolso dos financiamentos do Move Brasil pode chegar a 60 meses. Também está prevista uma carência de até seis meses para o pagamento da primeira parcela, o que ajuda a aliviar o fluxo de caixa no início do contrato.
Um detalhe importante é que não será permitida a capitalização de juros durante o período de carência, evitando o aumento do saldo devedor nesse intervalo. A medida foi bem recebida pelo setor, pois garante maior previsibilidade financeira aos beneficiários.
Para participar do programa, o caminhão a ser adquirido deverá ter ano de fabricação igual ou posterior a 2012, assegurando que apenas veículos mais modernos sejam incluídos nas linhas de crédito.
O programa também prevê condições de juros ainda mais favoráveis para caminhões movidos a eletricidade ou biometano, tecnologias que, apesar de mais caras, oferecem menor impacto ambiental em comparação aos modelos tradicionais a diesel.
Essa diretriz reforça a estratégia do governo de alinhar o setor de transportes às metas de descarbonização e redução das emissões de gases poluentes, sem comprometer a competitividade das empresas e dos profissionais autônomos.
Para quem optar pelas vantagens adicionais vinculadas ao desmonte do veículo antigo, o programa estabelece uma série de exigências. O caminhão deverá estar em condições de rodagem, com licenciamento regular referente ao ano de 2024 ou posterior, além de possuir data de emplacamento original superior a 20 anos.
Também há regras específicas para a baixa definitiva do veículo no órgão de trânsito e para o envio à empresa de desmontagem credenciada. O beneficiário do financiamento deverá apresentar, em até 180 dias, a certidão de baixa do registro e a nota fiscal de entrada do veículo na desmontadora à instituição financeira responsável.
🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm