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Investigação Federal

PF investiga fundador da Reag, gestora da Arena Fonte Luminosa em Araraquara; BC decreta liquidação da empresa

Banco Central encerra as atividades da Reag Investimentos, alvo de investigações por fraudes financeiras

Geisa Ferreira da Silva|· 6 min de leitura
PF investiga fundador da Reag, gestora da Arena Fonte Luminosa em Araraquara; BC decreta liquidação da empresa
Empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos Reprodução: redes sociais.

 

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O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo (SP). Com a decisão, todas as operações da gestora foram encerradas imediatamente. A medida atinge a instituição administradora, mas não os fundos de investimento, que permanecem ativos e deverão buscar novas instituições para assumir sua administração.

Em nota, o Banco Central informou que a Reag descumpriu regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, comprometendo sua capacidade de operar de forma segura e em conformidade com a legislação. O BC não detalhou quais condutas específicas motivaram a decisão, mas a Reag Investimentos é alvo de duas investigações relevantes, que agravaram sua situação regulatória. A empresa é investigada na Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

 

Entenda o Caso 

A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), ampliou o cerco contra um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e colocou no centro das investigações o empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. A apuração também ganhou repercussão direta em Araraquara, já que a Reag é uma das empresas responsáveis pela concessão e gestão do Complexo Arena Fonte Luminosa, que inclui o estádio, o Gigantão e o Centro de Eventos.

Segundo a polícia, a Reag aparece no inquérito por administrar fundos de investimento que teriam sido usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro, alvo principal da operação. A suspeita é de que esses fundos tenham sido utilizados como parte de uma estrutura financeira complexa para simular operações de crédito, criar lastro fictício e dar aparência de solidez a ativos que não correspondiam à realidade contábil.

Além de Mansur e Vorcaro, a PF investiga familiares e empresários ligados ao grupo, entre eles Henrique Vorcaro, Fabiano Zettel e Nelson Tanure. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços relacionados aos investigados, enquanto a apuração avança para identificar responsabilidades e o alcance do suposto esquema.

Registro do empresário João Carlos Mansur e Daniel Vorcaro, alvo principal da operação da PF
Registro do empresário João Carlos Mansur e Daniel Vorcaro, alvo principal da operação da PF

 

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Como funcionaria o esquema investigado

 

De acordo com as informações reunidas pela Polícia Federal e por órgãos de controle, a suspeita central é de que o Banco Master teria recorrido a estruturas financeiras sofisticadas para melhorar artificialmente seus indicadores patrimoniais. Fundos administrados pela Reag teriam sido usados para operações cruzadas, com movimentações rápidas de recursos, criando uma aparência de rentabilidade elevada e solidez financeira.

Essas operações, segundo os investigadores, não refletiriam ganhos reais, mas sim movimentações contábeis artificiais, capazes de mascarar riscos e enganar o mercado. A prática, se confirmada, pode configurar crimes contra o sistema financeiro nacional.

 

Liquidação da Reag pelo Banco Central

Um dia após a deflagração da nova fase da operação, o caso ganhou um novo capítulo. Nesta quinta-feira (15), o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, com sede em São Paulo. A medida extrema foi tomada após o BC identificar indícios de irregularidades e encaminhar as informações às autoridades responsáveis pela investigação.

Entre os fatos que chamaram a atenção do Banco Central está uma sequência de transações relâmpago realizadas por uma rede de fundos administrados pela Reag DTVM, a partir de um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo Banco Master. Uma dessas operações apresentou uma rentabilidade considerada atípica, superior a 10 milhões por cento em 2024, índice classificado como incompatível com práticas normais de mercado.

Segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, João Carlos Mansur estaria no exterior no momento da deflagração da operação. Mesmo assim, ele foi oficialmente alvo de mandados de busca e apreensão.

 

Impacto local: concessão da Arena Fonte Luminosa

 

A investigação gera atenção especial em Araraquara devido ao papel da Reag na gestão de um dos principais equipamentos públicos da cidade. Desde 2023, a empresa detém, por meio de parcerias, a concessão do Complexo Arena Fonte Luminosa, que abrange o estádio da Fonte Luminosa, o Ginásio de Esportes Castelo Branco (Gigantão), o Centro de Eventos de Araraquara e Região (CEAR) e o Centro Internacional de Convenção.

A concessão foi vencida pela Real Estate Venues & Entertainment Participações (Reeve), assessorada por uma parceria entre Reag e Integritate, empresas conhecidas por participarem da remodelação do Allianz Parque, em São Paulo. O contrato firmado com o município tem duração de 35 anos, com validade até 2058.

Pelo acordo, a concessionária se comprometeu a realizar R$ 20 milhões em investimentos nos primeiros cinco anos, além do pagamento de R$ 10 milhões de outorga inicial já quitados à Prefeitura. Também estão previstas parcelas mensais de R$ 52 mil ao longo da vigência do contrato. Até o momento, não há indicação oficial de que a concessão em Araraquara esteja sob investigação direta.

 

Quem é João Carlos Mansur

Com mais de 35 anos de carreira, João Carlos Mansur é formado em Ciências Contábeis e construiu sua trajetória no mercado financeiro e imobiliário. Ao longo dos anos, atuou como executivo em empresas de peso, como PricewaterhouseCoopers (PwC), Monsanto, Tishman Speyer e WTorre Arenas, participando diretamente da criação do Allianz Parque.

No futebol, Mansur tem forte presença. Em 2023, foi o mais votado para o Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do Palmeiras, órgão responsável por fiscalizar as contas do clube. Ele é considerado próximo da presidente do clube, Leila Pereira, também controladora da Crefisa.

A Reag, sob sua liderança, participou da administração da Arena do Grêmio, é responsável pela Arena Fundo FII, que faz a contabilidade da Neo Química Arena, do Corinthians, e atua na SAF do Juventus da Mooca, além de investimentos no projeto do Novo Canindé, da Portuguesa, cuja gestão do estádio está prevista por 50 anos.

Antes disso, Mansur também teve passagem pela Trump Realty Brazil, joint venture criada em 2003 com uso da marca do então empresário e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto foi encerrado em 2006 sem a conclusão de empreendimentos.

 

Investigação segue em andamento

A Polícia Federal informou que a investigação segue em curso e que novas diligências não estão descartadas. O objetivo é esclarecer o papel de cada envolvido, a extensão das operações suspeitas e os impactos no sistema financeiro.

 

O Portal Araraquara Agora acompanha. 

 

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