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Luta de uma mãe

Mãe denuncia demora da Prefeitura e alerta para risco de bebê com doença rara em Araraquara

Criança de 1 ano com hemofilia grave precisa de acompanhamento constante na creche, mas contratação de monitora segue sem prazo definido

Cassiane Chagas|· 6 min de leitura
Mãe denuncia demora da Prefeitura e alerta para risco de bebê com doença rara em Araraquara
Caso de hemofilia A grave em Araraquara expõe demora na contratação de monitora escolar e gera apelo urgente da família Foto ilustrativa: Freepik.

 

Uma mãe de Araraquara faz um apelo urgente às autoridades municipais para garantir a segurança do filho, Noah, de apenas 1 ano de idade, diagnosticado com hemofilia A grave, uma doença rara que pode causar hemorragias espontâneas e potencialmente graves. “Isso significa que ele pode ter hemorragias graves ou fatais a qualquer momento, mesmo sem cair, apenas pelo esforço de engatinhar ou brincar”, explica.

Segundo Aline Teixeira da Silva, a situação é crítica e exige atenção imediata. Mesmo com autorização da Secretaria Municipal de Educação para a disponibilização de uma monitora exclusiva na creche, o processo de contratação segue sem avanço, colocando a criança em risco diário.

 

“O Noah pode ter hemorragias graves ou fatais a qualquer momento, até sem sofrer quedas. Apenas o esforço de engatinhar ou brincar já representa perigo”, relata Aline, destacando o nível de vulnerabilidade do filho nesta fase inicial da vida.

 

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Hemofilia grave exige vigilância constante

De acordo com laudo médico emitido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o garotinho apresenta hemofilia A grave, com atividade extremamente baixa do fator de coagulação, o que aumenta significativamente o risco de sangramentos internos e externos.

O documento, datado de 4 de março de 2026, confirma que o paciente está em acompanhamento especializado e aguarda início de tratamento com Emicizumabe, medicamento de alto custo utilizado para prevenir hemorragias.

Outros laudos médicos reforçam a gravidade do quadro.

 

Conforme atestado apresentado, a condição pode causar hematomas frequentes e sangramentos mesmo com traumas leves, sendo essencial o acompanhamento constante por profissionais de saúde.

Já outro relatório destaca que, nesta fase de desenvolvimento — quando a criança começa a engatinhar e dar os primeiros passos — o risco é ainda maior, exigindo supervisão contínua para evitar complicações que podem deixar sequelas permanentes.

 

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Pedido por monitora exclusiva segue sem resposta prática

Diante do diagnóstico, Aline solicitou formalmente à Prefeitura a designação de uma monitora exclusiva na creche CER Antônio Custódio de Lima, onde o filho está matriculado. O pedido foi protocolado ainda em fevereiro deste ano, demonstrando a necessidade de acompanhamento integral para garantir a segurança do menor no ambiente escolar.

Apesar de já existir um parecer favorável da Secretaria de Educação, a mãe afirma que a contratação não foi efetivada. A justificativa recebida até o momento é de que o processo segue trâmites administrativos e pode levar até três meses para conclusão.

Para Aline, o prazo é incompatível com a gravidade do caso. “Eu não posso esperar 3 meses. Cada dia que o Noah vai para a creche sem monitor é um risco a vida dele, e eu não estou nem dormindo por esse motivo”.

Ela também destaca que a rede de apoio familiar é limitada e já não consegue garantir a vigilância necessária. Por isso, a creche se tornou uma necessidade — mas, sem suporte adequado, também uma fonte de preocupação constante.

 

“A rede de apoio da minha família também não consegue mais suprir essa vigilância técnica. Por esse motivo tivemos a necessidade de colocá-lo na creche. E eu não tenho condições de ficar com ele nesse momento”.

 

Fase crítica aumenta riscos para a criança

A situação se agrava pelo momento de desenvolvimento do menino. Noah está entrando na fase em que começa a explorar o ambiente, engatinhar e tentar andar — período considerado de maior risco para crianças com hemofilia. Como ele ainda não consegue se comunicar verbalmente, qualquer ocorrência precisa ser identificada rapidamente por um adulto preparado, o que reforça a necessidade de acompanhamento especializado.

Além disso, segundo a mãe, a ausência do tratamento com Emicizumabe neste momento inicial amplia ainda mais os riscos, tornando indispensável a presença de um profissional dedicado exclusivamente ao cuidado do menino.

 

Prefeitura diz que processo está em andamento

Em nota oficial, a Prefeitura de Araraquara informou que a solicitação foi analisada e possui parecer favorável, mas ainda depende de etapas administrativas envolvendo as Secretarias de Administração e Fazenda para viabilizar a contratação. A administração municipal também afirmou que medidas emergenciais foram adotadas, como a redução da turma para apenas três alunos, permitindo maior atenção por parte da educadora responsável.

Segundo a Prefeitura, a equipe escolar foi orientada sobre os cuidados necessários e está apta a acionar serviços de saúde em caso de intercorrências. O município também destacou que o caso é acompanhado pelo Hemonúcleo de Ribeirão Preto, referência no tratamento da doença. Porém, a Secretaria de Educação ressaltou que, com base nos laudos apresentados, não há obrigatoriedade formal de um profissional exclusivo neste momento, embora o caso continue sendo monitorado.

 

Veja a nota completa:

A Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informa que a solicitação para disponibilização de educadora de apoio à criança foi devidamente analisada e já conta com parecer favorável da Secretaria. No momento, o processo segue os trâmites administrativos necessários, com avaliação das Secretarias de Administração e da Fazenda para viabilizar a contratação.

Paralelamente, desde o recebimento da demanda por parte da família, a Secretaria adotou medidas imediatas para garantir a segurança e o acolhimento da criança na unidade escolar. Entre elas, foi realizada a redução da turma, que atualmente conta com apenas três alunos, possibilitando maior atenção individualizada por parte da educadora responsável.

A Secretaria ressalta que está atenta ao laudo médico apresentado pela família e que, conforme as orientações técnicas recebidas, toda a equipe escolar foi devidamente instruída para o acompanhamento da criança. Em caso de qualquer intercorrência, os serviços de saúde são prontamente acionados.

Cabe destacar ainda que a criança já é acompanhada pelo Hemonúcleo de Ribeirão Preto, referência para o atendimento especializado, uma vez que o município não dispõe de profissional pediátrico nessa área específica. As orientações desse acompanhamento também foram consideradas na organização do atendimento escolar.

Por fim, a Secretaria esclarece que o laudo médico apresentado não estabelece, neste momento, a obrigatoriedade de um profissional exclusivo, mas reforça que segue acompanhando o caso com atenção e responsabilidade, mantendo diálogo aberto com a família para assegurar o melhor atendimento possível.

 

Mãe pede urgência e mais atenção ao caso

Mesmo com as justificativas, Aline reforça que a situação exige urgência e mais sensibilidade por parte do poder público. Ela afirma já ter entregue diversos laudos médicos, inclusive de especialistas em hematologia, e sugeriu que a Prefeitura buscasse apoio técnico junto ao Hemonúcleo para orientar melhor a equipe escolar — mas ainda não recebeu retorno concreto sobre essas ações.

 

“Não quero esperar meu filho se machucar gravemente para que a prefeitura cumpra o que prometeu. Peço que deem voz ao meu caso”, declarou.

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

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