Araraquara saiu na frente, e por iniciativa da empresa Adega Aliança do Sul, localizada no centro nervoso da Alameda Paulista, tornou-se a primeira cidade do país a ter uma empresa do setor de bares e restaurantes a adotar a escala 4x3 para seus colaboradores.
Com pouco mais de 43 anos de existência, a Adega é uma empresa familiar e ocupa um lugar especial no coração da família araraquarense.
Agora, por iniciativa dos empresários Davi e Leonardo, a empresa inova, se antecipa às discussões em pauta as rodas políticas de Brasília, e decide apostar na adoção da escala 4 por 3, tornando-se a precursora, no ramo de bares e restaurantes a implantar a medida em todo o território nacional.
A proposta de redução da carga de trabalho de funcionários e colaboradores no Brasil têm gerado acalorados debates, divide a classe política e gera um impasse que mobiliza toda a população e os empresários.
E apesar de tudo, como profundos conhecedores do ramo e habituados a enorme rotatividade de funcionários no setor, escolheram apostar nessa iniciativa e entraram de cabeça na mudança.
Confira abaixo a conversa da reportagem com os empresários e funcionários:
R: Antes da mudança, como era o cenário dentro da empresa em relação à equipe e à rotina de trabalho?
Adega: “A jornada de trabalho 6x1 é desgastante, acaba gerando problemas que prejudicam a empresa em vários aspectos. Como o burnout (síndrome de esgotamento profissional) estava sempre presente, acabava gerando alta rotatividade de funcionários, oque dificultava para manter padrões, qualidade de atendimento e retenção de talentos. Hoje em dia esses problemas são inexistentes”
Para eles, as vantagens verificadas no dia a dia de trabalho da casa, como a melhora na saúde mental da equipe e a maior retenção de talentos em um mercado com alta rotatividade, mais do que justificam a mudança.
R: Em que momento vocês perceberam que o problema não era o funcionário, mas o modelo de trabalho?
Adega. “Começamos a nos questionar quando começou essa discussão das escalas em Brasília, percebemos que realmente existia um padrão de desgaste. Pessoas diferentes, histórias diferentes, mas o mesmo acontecia com todos após alguns meses.”
R: Houve receio ao decidir mudar para a escala 4x3?
Sim, principalmente financeiro. Temos em torno de 25 funcionários, tivemos que fazer novas contratações para preencher os dias de folga, já que estamos abertos todos os dias da semana. No primeiro mês foi um pouco difícil por conta da adaptação, porém logo se mostrou uma aposta certa. Os gastos aumentaram, mas estamos vendo isso como investimento”
R: O que vocês, como funcionários, acharam dessa mudança?
Gabriel: “Comparando com a escala 6x1, a 4x3 é, na minha experiência, muito mais equilibrada e sustentável a longo prazo. Não se trata apenas de trabalhar menos dias, mas de trabalhar com mais qualidade, mais saúde e mais propósito. Hoje eu me sinto mais disposto, mais satisfeito e mais motivado.
Em resumo, a mudança para a escala 4x3 foi extremamente positiva para mim. Ela trouxe equilíbrio, melhorou minha qualidade de vida, aumentou minha produtividade e reforçou meu sentimento de valorização profissional. É um modelo que, na minha visão, beneficia tanto o colaborador quanto a empresa.”
Cristian: “É incrível como minha vida fora do trabalho melhorou, agora eu consigo tirar um dia para as obrigações de casa, um dia para sair e um dia só pra descansar, minha casa que antes vivia bagunçada hoje vive organizada , eu não ia no shopping a anos, hoje consigo tirar um dia de lazer , também consegui ir ao centro e resolver todas minhas papeladas, agora tenho tempo para estudar pro vestibular e fazer a faculdade dos meus sonhos, coisa que na época da 6x1 era praticamente impossível. Na época da 6x1 era como se eu não tivesse uma vida fora do trabalho, agora é como se estivesse vivendo uma nova vida, uma vida muito melhor.”
Eliana: “Escala 4x3 é muito boa. Eu adorei porque conseguimos descansar o físico e o mental, dá para se programar até para alguma viagem curta. A escala 4x3 é vida. Eu sou muito grata por ter essa oportunidade, é top demais, quem está nessa escala não quer trocar por nada
R: Para outros empresários do setor de bares e restaurantes, especialmente aqueles que enfrentam desafios com rotatividade e desgaste da equipe, que mensagem você deixaria?
Adega: Eu diria que, antes de cobrar mais da equipe, é preciso de empatia e se por no lugar do próximo. No setor noturno, a rotina é naturalmente intensa. Trabalhar com atendimento em mesas, bebidas, cozinha, pressão por agilidade e qualidade exige muito emocionalmente. Se o empresário não reconhecer isso, vai acabar tratando sintomas e não a causa. Meu conselho é: pense no longo prazo. Equipe estável, saudável e motivada constrói reputação, melhora a experiência do cliente e fortalece a marca.
No fim das contas, empresa nenhuma cresce sozinha. São as pessoas que fazem o negócio prosperar.
Ao final da entrevista, concluíram explicando que a aposta da empresa não aconteceu por acaso, mas obedecendo os princípios que sempre nortearam o funcionamento da Adega em todos os seus anos de existência: O bem-estar dos colaboradores; Honestidade e coerência (mantendo sempre seus princípios morais e éticos)
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