Protesto
Servidores de Araraquara convocam ato e caminhada para pressionar por reajuste salarial
Mobilização organizada pelo SISMAR será realizada sábado (11), com concentração na Praça Santa Cruz e caminhada até a prefeitura

Os servidores públicos municipais de Araraquarapreparam uma mobilização para cobrar valorização profissional, melhorias salariais e condições dignas de trabalho. O ato está marcado para o este sábado (11), com concentração às 9h na Praça da Santa Cruz, de onde os participantes seguirão em caminhada até o Paço Municipal.
Organizado pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), o movimento surge em meio a negociação entre a categoria e a administração municipal. O sindicato afirma que os trabalhadores são responsabilizados por problemas de gestão, enquanto enfrentam salários defasados, estrutura precária e falta de reconhecimento.
Em comunicado divulgado à categoria, o tom é de indignação e cobrança direta ao Executivo. “Os servidores não são responsáveis pela má gestão — são vítimas dela”, destaca a nota, que também questiona quais medidas concretas foram adotadas para melhorar a vida dos trabalhadores desde o início da atual administração.
Mobilização por valorização dos servidores
O presidente do SISMAR, Gustavo Jacobucci, utilizou as redes sociais para incentivar a adesão dos servidores à mobilização. Segundo ele, o momento exige união e engajamento da categoria.
“Nada do que temos hoje veio de graça. Cada direito foi conquistado com mobilização”, afirmou. Jacobucci também destacou que a caminhada simboliza não apenas protesto, mas a defesa de condições dignas de trabalho e salários justos.
O momento é da data-base da categoria, período em que são negociados reajustes salariais e benefícios. A pauta de reivindicações foi definida em assembleia no início de fevereiro, reunindo as principais demandas apontadas pelos servidores.
Principais reivindicações da categoria
Entre os principais pontos apresentados pelo SISMAR está a fixação do salário base em R$ 2,1 mil, por meio da incorporação de complementações atualmente pagas. A categoria também reivindica a reposição da inflação acumulada entre maio de 2025 e abril de 2026.
Outro item de destaque é a recomposição das perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos, estimadas em cerca de 19,5%. A proposta prevê a aplicação desse índice de forma parcelada, em três anos, com reajustes anuais de 6,5%.
Além disso, o sindicato solicita o aumento do vale-alimentação para R$ 1,4 mil, considerando o custo atual da cesta básica, que já ultrapassa os R$ 1 mil. A entidade também pede que o benefício não sofra descontos relacionados a faltas justificadas ou atestados médicos.
A pauta inclui ainda a restituição de seis faltas abonadas, revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), criação do Estatuto do Servidor e ajustes no subsídio do plano de saúde. Outro ponto levantado é a implantação de maior transparência no controle de jornada, com acesso ao espelho de ponto eletrônico. Veja o documento completo no site da SISMAR.
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Prefeitura alega impedimentos legais
Em resposta às reivindicações, a Prefeitura de Araraquara informou, após reunião com o SISMAR realizada em 31 de março de 2026, que enfrenta restrições legais para conceder reajustes ou ampliar benefícios neste ano. Segundo a administração, o município ultrapassou o limite prudencial de gastos previsto na Constituição Federal.
Dados apresentados indicam que as despesas correntes chegaram a comprometer mais de 99% da receita corrente líquida, o que aciona automaticamente mecanismos de controle fiscal previstos no Artigo 167-A da Constituição, incluído pela Emenda Constitucional nº 109/2021.
Nesses casos, a concessão de aumentos salariais passa a ser vedada, não por decisão política, mas por imposição legal. A prefeitura alerta que descumprir essas regras pode resultar em penalizações, incluindo responsabilização por improbidade administrativa. Veja o documento completo no site da SISMAR.
Mesmo diante das limitações, a prefeitura informou que mantém diálogo aberto com o sindicato e aguarda novos pareceres técnicos, além da próxima apuração contábil, prevista para os próximos meses. “A expectativa é reavaliar o cenário econômico e, se possível, buscar alternativas”, diz o documento.
Como medida alternativa, a administração propõe a criação de um programa de valorização do servidor focado em ações não financeiras, como capacitação profissional e melhorias no ambiente de trabalho.
Perdas salariais e histórico de reajustes
O SISMAR contesta a justificativa da prefeitura e reforça que os servidores acumulam perdas significativas ao longo dos anos. Segundo levantamento do sindicato, a defasagem salarial chega a 19,35% desde 2015. O histórico de reajustes mostra períodos sem qualquer correção, especialmente entre 2020 e 2021, o que contribuiu para a perda do poder de compra. Mesmo nos anos seguintes, os aumentos concedidos não acompanharam a inflação.
Para explicar impacto, o sindicato aponta que um servidor com salário de R$ 3 mil deveria receber cerca de R$ 3.580 para manter o mesmo padrão de consumo de 2015. Isso representa uma perda mensal de mais de R$ 500.
ATO DOS SERVIDORES
Ato e caminhada dos servidores municipais
- Data: Sábado, 11 de abril
- Horário: 9h
- Local de concentração: Praça Santa Cruz
- Destino: Paço Municipal (Prefeitura de Araraquara)
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