ARARAQUARA / GREVE MUNICIPAL
SISMAR aprova greve dos servidores em Araraquara após impasse com a Prefeitura
Paralisação deve começar nesta sexta-feira (22); entenda

Os servidores públicos municipais de Araraquara devem iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir desta sexta-feira (22). A paralisação foi aprovada pelo SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região) em meio ao impasse das negociações da Data-Base 2026 com a Prefeitura.
Segundo o sindicato, a decisão ocorre após sucessivas tentativas de negociação consideradas insuficientes pela categoria, especialmente em relação à recomposição salarial, reajuste do vale-alimentação e recuperação das perdas acumuladas nos últimos anos.
A entidade já formalizou a comunicação da greve junto ao Ministério do Trabalho e informou oficialmente a população sobre a possibilidade de interrupções em setores públicos municipais.
Mesmo com a paralisação anunciada, o sindicato afirmou que será mantido o funcionamento mínimo dos serviços essenciais, com operação de pelo menos 30% do efetivo, conforme previsto na legislação.
“A greve foi aprovada porque a categoria entende que as negociações não avançaram de forma suficiente diante das perdas acumuladas pelos servidores”, ressaltou o presidente do sindicato, Gustavo Jacobucci.
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Servidores alegam perdas salariais acumuladas
Entre os principais fatores apontados pelo SISMAR está o cenário de desvalorização salarial enfrentado pelos trabalhadores municipais. De acordo com a entidade, parte da categoria convive com vencimentos pressionados pelo aumento do custo de vida, reflexo do congelamento salarial ocorrido durante a pandemia e de negociações anteriores consideradas frustradas.
O sindicato reivindica um reajuste mais amplo que vá além da simples reposição inflacionária e que “dialogue com a realidade econômica enfrentada pelo funcionalismo”.
“Nossa intenção é retomar uma negociação equilibrada, preservando os serviços essenciais e buscando uma solução para o impasse”, ressaltou o presidente do SISMAR em entrevista a uma rádio local.
Vale-alimentação está no centro das reivindicações
Outro ponto central da mobilização envolve os benefícios pagos aos trabalhadores. Segundo o SISMAR, a pauta inclui reajuste do vale-alimentação, incorporação do bônus alimentação e extensão de benefícios para servidores vinculados ao DAAE e à FUNGOTA.
De acordo com a entidade sindical, a proposta apresentada pela administração municipal não prevê aumento no valor atual do ticket alimentação, fator que ampliou a insatisfação da categoria. Além das demandas econômicas, os servidores também pedem avanços relacionados às condições de trabalho.
Entre as reivindicações estão:
- manutenção de três faltas abonadas sem desconto salarial;
- ausência de punição financeira em casos de afastamentos por doença;
- reconhecimento de atestados humanitários sem prejuízos remuneratórios.
Negociações entram em clima de forte tensão
O processo de negociação da Data-Base 2026 também passou a ser marcado por um ambiente de tensão entre representantes sindicais e administração municipal. O SISMAR aponta que as conversas estariam travadas, sem avanço nos pontos considerados prioritários pela categoria.
Segundo relatos apresentados pelo sindicato, servidores e vereadores presentes em reuniões recentes classificaram episódios ocorridos durante os encontros como inadequados. Entre as críticas, está a alegação de que o prefeito Lapena teria exibido vídeos de manifestações realizadas por servidores no início de uma reunião de negociação.
A atitude foi interpretada por representantes sindicais como tentativa de constrangimento e intimidação dos trabalhadores.
Jacobucci, afirmou que muitos servidores se sentem desvalorizados diante do cenário atual. Segundo ele, parte da categoria vive uma sensação de desgaste e humilhação ao precisar insistir em reivindicações relacionadas à recomposição de direitos básicos.
“Há um sentimento de desgaste entre os servidores, que cobram valorização profissional e respostas concretas para pautas consideradas básicas pela categoria”, disse.
Prefeitura aponta limites fiscais e restrições orçamentárias
Do outro lado da negociação, a Prefeitura sustenta que o município enfrenta severas limitações fiscais. Segundo a administração municipal, as despesas correntes de Araraquara atingiram 97,53% da Receita Corrente Líquida, percentual superior ao limite de alerta de 95% previsto pela Constituição Federal e pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse enquadramento impõe restrições administrativas e limita a capacidade de criação de novas despesas permanentes.
A gestão argumenta que conceder reajustes superiores à inflação poderia comprometer o equilíbrio financeiro da administração e colocar em risco a continuidade dos serviços públicos.
A situação financeira do município já vinha sendo debatida em audiências da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2027, quando integrantes da equipe econômica classificaram o cenário das contas públicas como de “cobertor curto”, diante da pressão entre receitas apertadas e despesas obrigatórias.
Greve busca retomar negociação
Para o sindicato, a paralisação foi aprovada como instrumento de pressão para reabrir um processo de negociação considerado mais equilibrado. “A aprovação da greve reflete o tamanho do impasse entre servidores e Prefeitura nas negociações da data-base 2026.”
Apesar da greve anunciada, o sindicato reforçou que haverá manutenção parcial dos atendimentos essenciais para preservar o funcionamento mínimo dos serviços prestados à população.


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