A reunião entre representantes do SISMAR e a Prefeitura de Araraquara terminou em clima de forte tensão nesta quarta-feira (14), durante a apresentação da contraproposta oficial da campanha salarial de 2026 dos servidores municipais. O encontro, realizado no Paço Municipal, reuniu integrantes da administração do prefeito Lapena, representantes sindicais, vereadores e membros de autarquias municipais. A proposta apresentada pela Prefeitura prevê a reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses, calculada em 4,39% pelo IPCA, além da manutenção de duas faltas abonadas sem desconto. Não houve proposta de reajuste no vale-alimentação.
A recepção da categoria foi imediata e bastante negativa. Segundo o presidente do SISMAR, Gustavo Jacobucci, os servidores esperavam avanços mais amplos nas negociações.
“A proposta por escrito diz dos 4,39% da inflação, nada no ticket e duas abonadas definitivamente para você tirar sem nenhum tipo de desconto. A recepção foi péssima”, afirmou.
O clima de desgaste marcou toda a reunião, segundo ele. Servidores relataram frustração com a falta de espaço para contrapropostas e reclamaram da condução do encontro por parte da administração municipal.
Antes mesmo da discussão sobre os índices salariais, a postura adotada pelo Executivo gerou forte desconforto entre os participantes. Segundo representantes sindicais, o prefeito exibiu vídeos da recente passeata organizada pelos servidores municipais logo no início da reunião. Para integrantes da comissão de negociação, a atitude foi interpretada como uma tentativa de intimidação contra os trabalhadores que participaram das manifestações públicas.
“O Lapena iniciou a reunião apresentando um vídeo da nossa passeata, expondo o que ele colocou na data-base, como forma de intimidação e assédio”, afirmou um representante do sindicato.
Outra servidora presente reforçou o sentimento de constrangimento vivido durante o encontro. “Começou a reunião nos assediando”, declarou.
O vereador Alcindo Sabino (PT), criticou a iniciativa da Prefeitura e afirmou considerar inadequada a exibição das imagens antes do início das negociações.
“Antes de começar a reunião, assim que o prefeito chegou, ele passa um vídeo onde os servidores falam em relação à gestão do Lapena. Isso foi antes de começar a negociação, coisa que eu particularmente achei um assédio”, afirmou o parlamentar.
Segundo relatos de integrantes da comissão sindical, a reunião não teve caráter efetivo de negociação. Os representantes afirmam que a Prefeitura apenas apresentou os termos já definidos pela administração, sem abertura para construção conjunta de alternativas.
“Para começar, não foi uma reunião de negociação”, afirmou uma servidora que acompanhou a discussão.
Ela destacou que o processo de negociação pressupõe diálogo e contrapropostas entre as partes, algo que, segundo ela, não aconteceu no encontro.
“O que eu entendo de negociação é um dar uma proposta e outro contraproposta, assim a gente dialoga. O que não aconteceu”, declarou.
A servidora criticou o formato da reunião e classificou como “vergonhosa” a forma como os servidores foram tratados. “Foi assim: a pauta é essa, já está protocolado, aceita. Não houve diálogo. Fora ainda a tentativa de coação do prefeito, começando a reunião tentando nos intimidar mostrando os vídeos”, afirmou.
Ela ainda ressaltou que as manifestações dos servidores representam reivindicações legítimas da categoria. “Mal sabe ele que os vídeos não me intimidam, eu tenho orgulho e sustento cada palavra que falei no ato e nos vídeos”, completou.
A campanha salarial de 2026 vinha sendo acompanhada com grande expectativa pelos servidores municipais. O SISMAR protocolou oficialmente sua pauta ainda em fevereiro, apresentando uma série de reivindicações econômicas e administrativas.
Entre os principais pedidos estavam:
Além disso, o sindicato reivindicava um plano de recuperação das perdas salariais acumuladas nos últimos anos, estimadas em 19,5%, com reposição parcelada em três anos.
“A Prefeitura alega que tem que conter gastos, mas como sempre quem paga é o servidor municipal. É justo isso?”, questionou uma servidora.
Em nota oficial, a Prefeitura de Araraquara afirmou que a situação fiscal do município impede, neste momento, a concessão de reajustes superiores à inflação. Segundo a administração municipal, dados do segundo bimestre de 2026 mostram que as despesas correntes atingiram 97,53% da receita corrente líquida, índice acima do limite de alerta previsto pela Constituição Federal.
Com isso, a legislação impõe restrições para aumento de despesas com pessoal e concessão de novos benefícios financeiros.
A administração destacou que o reajuste de 4,39% segue o índice oficial do IPCA/IBGE e garante a recomposição inflacionária dos últimos 12 meses. Outro ponto mantido foi o direito a duas faltas abonadas sem desconto, desde que previamente comunicadas pelos servidores.
A Prefeitura também informou que segue em diálogo com a empresa responsável pelo sistema de ponto eletrônico para atender reivindicações sem impacto financeiro direto. Segundo a nota, os demais pedidos do sindicato poderão ser reavaliados futuramente, caso haja melhora no cenário econômico e dentro dos limites legais.
Apesar do impasse nas negociações, a proposta oficial será levada para apreciação dos servidores em assembleia geral marcada para segunda-feira (18), às 18h, no Paço Municipal. A expectativa do sindicato é reunir um grande número de trabalhadores para decidir se a proposta será aceita ou rejeitada pela categoria.
“A gente espera toda a categoria”, reforçou Gustavo Jacobucci.
A Prefeitura de Araraquara apresentou nesta quarta-feira (13), durante reunião no Paço Municipal, a contraproposta oficial às reivindicações da campanha salarial de 2026 do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR). O encontro foi conduzido pelo prefeito Dr. Lapena, acompanhado de secretários municipais, vereadores e representantes de autarquias e fundações do município.
Durante a reunião, a Administração Municipal explicou que a atual situação financeira da Prefeitura impede, neste momento, o atendimento integral das reivindicações apresentadas pelo Sindicato, entre elas o pedido de reajuste salarial de 19,5%.
Segundo a Prefeitura, a decisão segue critérios legais e de responsabilidade fiscal. Dados do segundo bimestre de 2026 apontam que as despesas correntes do município atingiram 97,53% da receita corrente líquida, índice acima do limite de alerta previsto pela Constituição Federal, que é de 95%.
Com isso, a legislação impõe restrições à concessão de aumentos salariais e medidas que gerem novos impactos financeiros aos cofres públicos. A Prefeitura destacou que o objetivo é preservar o equilíbrio das contas municipais e garantir a continuidade dos serviços públicos.
Diante deste cenário, a Administração informou que será concedida a reposição inflacionária dos últimos 12 meses, calculada pelo IPCA/IBGE, no percentual de 4,39%.
Outro ponto confirmado é a manutenção das duas faltas abonadas aos servidores, desde que previamente comunicadas, sem qualquer desconto.
A Prefeitura também informou que segue em diálogo com a empresa responsável pelo sistema de ponto eletrônico para atender uma das solicitações apresentadas pelo Sindicato que não gera impacto financeiro direto ao município.
Os demais itens da pauta sindical continuarão sendo acompanhados e poderão ser reavaliados futuramente, conforme a melhora do cenário fiscal e dentro dos limites permitidos pela legislação.
Além disso, todos os benefícios atualmente concedidos aos servidores municipais serão mantidos.
Ao final do encontro, a Prefeitura reforçou que mantém o compromisso com o diálogo permanente e transparente com os servidores, reconhecendo a importância da categoria para o funcionamento da cidade. A Administração destacou ainda que todas as medidas adotadas neste momento seguem os princípios da legalidade, responsabilidade fiscal e sustentabilidade financeira do município.
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