Canetas Emagrecedoras
Esteticista é presa pelo SIG da CPJ por aplicação e venda ilegal de canetas emagrecedoras na Vila Xavier
Investigadores apreenderam na casa da mulher medicamentos proibidos, ampolas, seringas e produtos de origem paraguaia

Uma esteticista de 35 anos, foi presa em flagrante na manhã desta terça-feira (2), durante uma operação do SIG (Setor de Investigações Gerais) da CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Araraquara. A ação ocorreu, em uma residência na Vila Xavier.
Segundo as investigações a mulher divulgava nas redes sociais vídeos relacionados aos procedimentos que realizava, o que teria ajudado a reforçar as suspeitas de comercialização dos produtos. A equipe de investigadores cumpriu um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça no imóvel que fica na Rua Dom Pedro Primeiro, após apurações sobre a suposta venda e aplicação irregular de canetas emagrecedoras e outras substâncias sem autorização dos órgãos de vigilância sanitária.
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Entre os itens apreendidos estão 99 seringas de 1 ml, 18 agulhas, sete seringas usadas, três agendas, duas máquinas de cartão, três aparelhos celulares, R$ 867 em dinheiro, duas caixas térmicas, além de diversas ampolas e substâncias utilizadas em procedimentos estéticos. Também foram localizadas 4 ampolas identificadas como “Glow”, 10 de “GHK”, 3 de “Nevrix”, 6 ampolas de diluente, uma caneta denominada “Syned” acompanhada de três agulhas, além de suplementos, vitaminas, creatina e embalagens diversas.
Os policiais civis encontraram também uma caneta contendo a substância Retratrutida, produto que ainda não possui autorização da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além de ampolas de peptídeos e materiais de origem paraguaia.
De acordo com o delegado Elton Hugo Negrini, havia informações anteriores indicando a comercialização dos produtos pela investigada (Veja a Entrevista No Fim da Matéria).
“Nós já tínhamos um mandado de busca autorizado pelo juiz porque existiam informações a respeito da venda desses produtos. Conseguimos cumprir hoje a ordem judicial e localizar diversos produtos vindos do Paraguai”, afirmou o delegado.
Negrini alertou para os riscos relacionados ao uso de medicamentos, sem acompanhamento médico e de produtos cuja procedência não é conhecida.
“Tem que haver cautela não é qualquer pessoa que pode fazer esse tipo de procedimento. É preciso saber se o produto é original, se o paciente pode receber a aplicação e se existem riscos de alergias ou outras complicações. Estamos falando de saúde pública”, destacou.
Os investigadores também identificaramvídeos que, segundo a investigação, comprovariam a atividade ilícita exercida pela suspeita na cidade. A esteticista foi autuada pelos crimes de contrabando, adulteração de produtos terapêuticos ou medicinais e receptação.
A mulher foi encaminhada á Cadeia Pública Feminina de São Carlos e vai passar por audiência de custódia, nesta quarta-feira (3). A defesa da mulher contesta as acusações e o advogado Gabriel Genini afirmou que não há elementos que comprovem a venda ou comercialização dos produtos apreendidos.
“Não existe nada que corrobore que minha cliente faça a venda ou a comercialização dessas substâncias. O que existe é o uso para consumo próprio. Houve uma interpretação equivocada dos fatos que culminou na prisão”, declarou.
De acordo com o advogado, a investigada apenas compartilhava experiências pessoais sobre alguns produtos nas redes sociais e nunca orientou terceiros a adquiri-los ou aplicá-los.
“Ela é uma entusiasta de alguns desses medicamentos e comentava sua experiência pessoal. Jamais recomendou a compra ou ensinou qualquer tipo de aplicação. Vamos pedir a liberdade dela porque entendemos que não há fundamentos para a manutenção da prisão”, concluiu.
O inquérito policial seguirá em andamento e a Justiça deverá decidir nos próximos dias se a prisão em flagrante será convertida em preventiva ou se a investigada responderá ao processo em liberdade.
PRISÕES ANTERIORES
Esta é a quarta prisão em flagrante realizada pelo SIG em pouco mais de um mês em investigações relacionadas à comercialização irregular das chamadas canetas emagrecedoras. A primeira ocorreu em 16 de abril, quando a proprietária de uma clínica de estética, de 41 anos, foi presa no Parque São Paulo.
No dia 23 de abril, uma empresária de 42, foi detida em um salão de beleza na Vila Xavier. Já no último dia 30 de maio, uma mulher de 43, foi presa em uma clínica de estética, também no mesmo bairro.
Nos três casos anteriores, as investigadas foram liberadas após audiência de custódia e passaram a responder aos processos em liberdade.
RISCO Á SAÚDE
Autoridades reforçam o alerta para os riscos desse tipo de procedimento. A aplicação de medicamentos sem registro, procedência ou acompanhamento médico pode causar complicações graves, como infecções, reações adversas, problemas metabólicos e até risco de morte.
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