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POLÊMICA | E AGORA?

Vereador Balda ‘entrega’ prefeito Lapena ao vivo: ‘educação joga contra’

Comentário feito após paralisação de terceirizados afetar escolas municipais; prefeito não sabia que estava ao vivo durante conversa com o vereador

Willian Oliveira|· 5 min de leitura
Vereador Balda ‘entrega’ prefeito Lapena ao vivo: ‘educação joga contra’
Vídeo de ligação entre vereador e prefeito repercutiu nas redes após comentário sobre a educação durante debate sobre suspensão das aulas Imagem: Reprodução.

Uma conversa telefônica rápida, de menos de 30 segundos, entre o prefeito Lapena (PL) e o vereador Baldassari (Novo) provocou forte repercussão política e mobilizou debates nas redes sociais nesta quinta-feira (11). O episódio ocorreu durante o programa diário do parlamentar, no Facebook, quando ele tentou entrar em contato com o chefe do Executivo para comentar informações sobre o funcionamento das escolas municipais após greve dos trabalhadores terceirizados.

Sem saber que estava sendo ouvido pelos internautas por meio do viva-voz do celular de Balda, o prefeito respondeu à ligação e, ao ser questionado sobre a suspensão das aulas, fez uma declaração que rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

 

“Vou dizer a você, a educação joga contra”, afirmou Lapena durante a conversa.

 

Logo após a frase, percebendo que a fala havia sido transmitida ao vivo, Baldassari agradeceu ao prefeito e encerrou a ligação. Em seguida, informou aos ouvintes que o prefeito não participaria da entrevista naquele momento.

 

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Declaração repercute entre profissionais da educação

A fala gerou reação imediata de profissionais da rede municipal, servidores públicos e moradores da cidade, especialmente porque a suspensão das aulas, registrada no dia anterior, ocorreu em decorrência da paralisação de trabalhadores terceirizados responsáveis por serviços essenciais de limpeza e manutenção.

Nas redes sociais, educadores argumentaram que professores e equipes pedagógicas não tiveram participação na mobilização e que apenas comunicaram previamente os pais sobre a possibilidade de interrupção das atividades, diante da impossibilidade de funcionamento das unidades sem condições adequadas de higiene.

 

Muitos usuários questionaram a associação da crise enfrentada pelas escolas ao trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação.

 

A repercussão aumentou à medida que o vídeo da ligação passou a circular em plataformas digitais, gerando centenas de comentários em poucas horas.

 

Vereadora critica declaração

Entre as manifestações públicas, a da vereadora Fabi Virgílio (PT), que publicou o vídeo em suas redes sociais e criticou duramente a fala atribuída ao prefeito. Em sua publicação, a parlamentar afirmou que a educação não seria responsável pelos problemas enfrentados pelo município e direcionou críticas à condução administrativa da Prefeitura.

A vereadora também citou temas como a situação financeira da administração municipal, investimentos em programas sociais, contratos públicos, repasses para áreas como Cultura e Esporte e a relação da Prefeitura com empresas terceirizadas. "Você enxerga a educação como inimiga — e ela não é."

 

Ela ainda disparou: “Você, Lapena. Você tem sido o primeiro a jogar contra!”

 

A publicação gerou intensa interação entre apoiadores e críticos do governo municipal, ampliando ainda mais o alcance da discussão.

 

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Internautas apontam problemas na gestão

Nos comentários publicados nas redes sociais, diversos moradores relacionaram a crise vivida pelas escolas à situação dos contratos terceirizados e aos atrasos relatados por trabalhadores. "Ele não paga as terceirizadas e a culpa é da educação que joga contra?", dizia um comentário. Em outro: "A culpa é de todo mundo, menos da péssima gestão do alecrim dourado."

Algumas manifestações questionaram a responsabilidade da administração municipal diante da paralisação que afetou creches e Centros de Educação e Recreação (CERs). "A incompetência grita nesse caso”, disse uma moradora.

Outros usuários criticaram a condução da gestão pública e afirmaram que problemas estruturais da cidade não poderiam ser atribuídos à área da educação. Também houve relatos de pais que mencionaram dificuldades enfrentadas por alunos ao longo do ano letivo, incluindo ausência de professores em determinadas disciplinas e impactos na rotina escolar.

 

“O problema nunca foi a educação. O problema é um prefeito que trata professores como adversários, servidores como obstáculos e o patrimônio público como mercadoria. Araraquara precisa de gestão. Não de desculpas. Araraquara merece mais”, dizia uma outra mensagem.

 

Greve de terceirizados provocou fechamento de unidades

A polêmica ocorre após a paralisação de trabalhadores terceirizados responsáveis por serviços de limpeza, conservação e manutenção em prédios públicos de Araraquara. O movimento envolveu funcionários das empresas Soluções, Sangra D’Água e Ecosystem, que denunciaram atrasos no pagamento de salários e benefícios. Sem equipes de limpeza atuando nas unidades escolares, diversas creches e CERs suspenderam as atividades por não conseguirem garantir condições adequadas de funcionamento.

Muitos pais chegaram às escolas na manhã da quarta-feira e encontraram os portões fechados, sendo obrigados a retornar para casa com os filhos. Entre os relatos registrados estavam queixas de responsáveis que não tinham com quem deixar as crianças durante o período de interrupção das aulas.

 

Sindicato apoiou mobilização

A paralisação contou com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação (SIEMACO), que organizou uma concentração em frente ao Paço Municipal. Segundo a categoria, os atrasos salariais vinham sendo registrados há meses, provocando dificuldades financeiras para dezenas de trabalhadores responsáveis por serviços considerados essenciais para o funcionamento da máquina pública.

 

Os profissionais atuam em atividades como limpeza, conservação, manutenção de áreas públicas, varrição urbana e controle de acesso em repartições municipais.

 

O sindicato defendeu a regularização imediata dos pagamentos e cobrou uma solução definitiva para evitar a repetição do problema.

 

Prefeitura anuncia acordo e retorno das atividades

Após reunião realizada entre representantes da Prefeitura, trabalhadores terceirizados e dirigentes sindicais, foi firmado um acordo para a retomada das atividades. Em nota oficial, a administração municipal informou que as empresas Soluções e Ecosystem, após receberem os repasses efetuados pela Prefeitura, assumiram o compromisso de regularizar suas obrigações trabalhistas.

Com isso, ficou definida a normalização dos serviços a partir desta quinta-feira (11), permitindo o retorno das aulas e o funcionamento regular das unidades afetadas. A Prefeitura também afirmou que permanece aberta ao diálogo entre empresas, trabalhadores e sindicato, destacando o compromisso com a continuidade dos serviços públicos e a preservação dos direitos dos funcionários envolvidos.

O vídeo da conversa foi publicada pela vereadora Fabi Virgílio nas redes sociais; confira:

 

 

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