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GREVE | SERVIÇOS PÚBLICOS

Greve de terceirizado afeta creches, saúde e serviços públicos em Araraquara nesta quarta-feira (10)

Trabalhadores terceirizados cobram pagamentos atrasados e organiza ato em frente à Prefeitura

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Greve de terceirizado afeta creches, saúde e serviços públicos em Araraquara nesta quarta-feira (10)
Trabalhadores terceirizados decidem protestar em frente à Prefeitura de Araraquara cobrando pagamento de salários e benefícios atrasados Foto ilustrativa: Arquivo SIEMACO.

 

A paralisação de trabalhadores terceirizados que prestam serviços essenciais em Araraquara deve causar impactos diretos para escolas, creches e outros setores públicos na manhã desta quarta-feira (10). O movimento foi organizado por funcionários das empresas Soluções, Sangra D’Água e Ecosystem, que denunciam atrasos recorrentes no pagamento de salários e benefícios.

A mobilização acontecerá em frente ao Paço Municipal e conta com apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação (SIEMACO). A principal reivindicação da categoria é a regularização imediata dos vencimentos pendentes, situação que, segundo os trabalhadores, vem se repetindo nos últimos meses.

Os profissionais envolvidos desempenham funções consideradas fundamentais para o funcionamento da máquina pública, incluindo limpeza, conservação, manutenção de áreas verdes, varrição urbana e controle de acesso em prédios municipais. A interrupção dessas atividades eleva a preocupação sobre possíveis prejuízos à população caso o impasse não seja resolvido rapidamente.

 

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Escolas registram impacto imediato

Os primeiros reflexos da paralisação serão sentidos em unidades escolares da cidade. Algumas escolas e creches comunicaram previamente pais e responsáveis sobre a possibilidade de interrupção das atividades devido à ausência das equipes terceirizadas responsáveis pela higienização dos espaços.

Um dos comunicados divulgados foi o do CER Professora Honorina Comelli Lia, que informou a suspensão do atendimento aos alunos em razão da falta dos serviços de limpeza. Segundo a direção da unidade, a decisão foi tomada para garantir condições adequadas de higiene e segurança para estudantes e funcionários.

A situação também havia sido antecipada com outro alerta às famílias sobre possíveis alterações na rotina escolar caso a paralisação fosse confirmada. A preocupação das equipes gestoras é que a ausência dos trabalhadores comprometa diretamente a limpeza de salas de aula, banheiros, áreas comuns e refeitórios, tornando inviável a manutenção das atividades presenciais.

Na manhã desta quarta-feira (10), outras unidades também suspenderam o atendimento e comunicaram a decisão aos pais e responsáveis.

Confira a relação das creches afetadas por enquanto na cidade:

🚸 Adelina Leite Amaral (Vila Santa Maria)

🚸 Ângelo Lorenzeti (Altos de Pinheiros)

🚸 Antônio Custódio de Lima (Vitório de Santi)

🚸 Dona Carmelita Garcez (São José)

🚸 Honorina Comelli Lia (Jardim Imperador)

🚸 Leatrice Rodrigues Afonso (Parque Gramado)

🚸 Maria Enaura Malavolta Magalhães (Vale do Sol)

🚸 Professora Amélia Fávero Manini (Água Branca)

🚸 Zilda Martins Pierre (Jardim Paraíso)

 

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Prefeitura informa paralisação 

A Prefeitura de Araraquara informou que realizou parte dos repasses financeiros às empresas terceirizadas e manteve reuniões com representantes das prestadoras de serviço nos últimos dias. Segundo a administração municipal, a ausência dos trabalhadores na manhã desta quarta-feira (10) ocorreu mesmo após as tratativas realizadas para garantir a regularização dos pagamentos.

De acordo com o Executivo, após tomar conhecimento da paralisação, foram intensificados os contatos com as empresas responsáveis para cobrar uma solução e assegurar o pagamento dos salários aos funcionários. A Prefeitura também afirmou que mantém diálogo com os sindicatos que representam a categoria e que solicitou documentos relacionados às notificações encaminhadas às empresas.

Em nota, a administração municipal lamentou os transtornos causados à população e aos trabalhadores e afirmou que acompanha o caso para minimizar os impactos nos serviços públicos.

A Prefeitura informou ainda que seguirá monitorando a situação e adotando medidas para garantir a continuidade do atendimento à população. Veja a nota completa:

 

A Prefeitura informou que, mesmo tendo realizado parte dos repasses financeiros às empresas terceirizadas e mantido tratativas diretas e pessoais com cada uma delas nos últimos dias, foi surpreendida na manhã desta quarta-feira pela ausência dos funcionários e pela informação de que os pagamentos ainda não haviam sido efetuados.

Desde que tomou conhecimento da situação, a Administração Municipal intensificou o contato com as empresas responsáveis para cobrar uma solução imediata e garantir a regularização dos pagamentos aos trabalhadores, inclusive que estabelece um diálogo com os respectivos Sindicatos para não prejudicar os serviços públicos inclusive notificando por escrito, o que estamos solicitando cópias.

A Prefeitura lamenta os transtornos causados à população e aos profissionais envolvidos e informa que está trabalhando para que a situação seja normalizada o mais breve possível.

A Administração Municipal seguirá acompanhando o caso de perto e adotando todas as medidas necessárias para assegurar a continuidade dos serviços públicos.

Trabalhadores relatam dificuldades financeiras e sentimento de abandono

Não é a primeira vez que funcionários relataram dificuldades para manter despesas básicas diante dos atrasos salariais. Segundo os trabalhadores, a situação tem provocado acúmulo de contas, insegurança financeira e dificuldades para garantir alimentação e transporte das famílias.

Os relatos revelam um cenário de desgaste emocional. Muitos profissionais afirmam cumprir normalmente suas jornadas, iniciadas ainda durante a madrugada, sem qualquer garantia sobre a data de recebimento dos salários.

A indignação também se estende à falta de informações claras sobre a regularização dos pagamentos. Para a categoria, a paralisação surgiu como uma tentativa de chamar atenção para um problema que já se tornou recorrente.

O principal argumento dos manifestantes é que os serviços foram prestados regularmente e que o pagamento dos salários representa um direito fundamental que não pode ser tratado como questão secundária em disputas administrativas ou contratuais.

 

Paralisação: Sindicato reforça apoio e cobra solução definitiva

O SIEMACO declarou apoio ao movimento e destacou que a paralisação representa uma resposta legítima diante da falta de soluções consideradas satisfatórias pelos trabalhadores. Segundo representantes da entidade, os relatos de atrasos e incertezas vêm se acumulando ao longo dos últimos meses, tornando necessária uma ação mais contundente da categoria.

O sindicato afirma que continuará acompanhando as negociações entre empresas e poder público para garantir a regularização dos salários, benefícios e demais direitos trabalhistas.

A entidade também ressalta que os profissionais atuam em áreas estratégicas da administração pública, sendo responsáveis por atividades essenciais ao funcionamento de escolas, unidades de saúde e repartições municipais.

 

Caso Rio Forte amplia debate sobre terceirização

O tema ganhou ainda mais repercussão após discussões realizadas na Câmara Municipal envolvendo funcionários da empresa Rio Forte, responsável por serviços de vigilância. Durante sessão legislativa, representantes dos trabalhadores denunciaram atrasos salariais sucessivos desde fevereiro.

“Nós estamos desde fevereiro pagamento de fevereiro eh todo mês recebendo atrasado todo mês e não diferente né esse é o quarto mês que nós tivemos que vir à frente da prefeitura", disse na tribuna o trabalhador José Silva.

 

“É humilhante é humilhante... eu dou dou suor na minha no meu trabalho né faço por onde venho embora e de repente né a gente vê essa situação toda é humilhante é humilhante".

 

Além dos atrasos, foram apresentadas reclamações relacionadas às condições de trabalho. Trabalhadores afirmaram atuar sem uniformes adequados e sem equipamentos básicos para o desempenho das atividades.

 

“Trabalhamos sem uniforme se vocês forem lá nós estamos com um colete de eventos... não temos coturno não temos uniforme eu trabalho com uma calça que já tá gasta no fundo".

 

O caso gerou forte reação entre vereadores de diferentes posicionamentos políticos. Parlamentares classificaram a situação como humilhante para os funcionários e cobraram medidas efetivas para evitar que trabalhadores continuem sendo prejudicados.

Também foram levantadas preocupações sobre possíveis irregularidades trabalhistas envolvendo funções desempenhadas pelos profissionais contratados, situação que poderá ser analisada pelos órgãos competentes.

 

Impasse financeiro coloca trabalhadores no centro da crise

A origem do problema envolve divergências relacionadas aos contratos firmados entre a Prefeitura e as empresas prestadoras de serviços. Em manifestações anteriores, representantes de empresas terceirizadas alegaram existir valores pendentes de repasse por parte do município, situação que teria comprometido a capacidade financeira para honrar compromissos trabalhistas.

Por outro lado, a administração municipal sustenta que vem adotando providências para assegurar a continuidade dos serviços e minimizar os impactos à população.

O resultado desse impasse é que os trabalhadores são os principais atingidos pela demora na resolução dos conflitos, enfrentando atrasos salariais enquanto aguardam definições administrativas e financeiras.

 

Debate avança para gestão financeira e fiscalização

A crise reacende discussões sobre planejamento financeiro, gestão de contratos e fiscalização dos serviços terceirizados em Araraquara. Parlamentares da oposição e representantes sindicais defendem maior transparência na condução dos contratos e cobram respostas sobre os mecanismos utilizados para evitar atrasos salariais recorrentes.

Também há pedidos para que órgãos de fiscalização acompanhem possíveis irregularidades trabalhistas e contratuais envolvendo empresas prestadoras de serviço.

Enquanto novas reuniões entre Prefeitura, empresas e representantes dos trabalhadores são aguardadas, a preocupação permanece concentrada na manutenção dos serviços essenciais e na garantia dos direitos dos profissionais envolvidos.

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