VANDALISMO | DE NOVO
Outra creche é invadida em Araraquara e tem TV e fios furtados; veja o que aconteceu
Novo ataque a unidade no Laura Molina amplia cobrança por segurança nas escolas de Araraquara após episódios de invasão e depredação

Um novo episódio de furto e vandalismo em uma unidade municipal de educação de Araraquara voltou a colocar no centro do debate a segurança de escolas e Centros de Educação e Recreação (CERs) da cidade. Desta vez, o alvo foi o CER Professor José Enio Casallecchi, localizado no bairro Laura Molina, invadido durante a madrugada desta sexta-feira (4).
Segundo a própria Prefeitura de Araraquara, uma televisão e fios foram furtados e diferentes pontos do prédio foram danificados. Imagens mostram partes do forro destruídas, placas arrancadas, estruturas expostas e destroços espalhados por áreas da unidade.
Em nota, a Secretaria Municipal da Educação confirmou a ocorrência: “O CER Prof. José Enio Casallecchi, localizado no bairro Laura Molina, foi alvo de furto e vandalismo durante a madrugada desta sexta-feira (4)”. A pasta acrescentou que “uma televisão foi levada, fios da unidade foram furtados e diferentes pontos do prédio sofreram danos”.
Mesmo diante da destruição, a administração informou que a unidade não precisou interromper o atendimento. “Apesar da ocorrência, o CER está funcionando normalmente e mantendo o atendimento às crianças nesta sexta-feira”, afirmou a Secretaria. Uma equipe de manutenção foi encaminhada ao prédio para avaliar os estragos e iniciar os reparos necessários.
Veja as fotos (crédito: Flavio Marchese)



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Segurança nas escolas de Araraquara volta ao centro do debate
O episódio do CER José Enio Casallecchi não surge de forma isolada. Nos últimos meses, outras unidades municipais tiveram registros de invasões, furtos e atos de vandalismo, intensificando a cobrança pela presença de vigilância e por medidas permanentes de prevenção.
Uma das situações que mais provocou repercussão ocorreu na EMEF Vereador Edmilson de Nola Sá, na região do Valle Verde. A unidade já havia sido alvo de invasões anteriormente. Em junho, após outro episódio de vandalismo e furto de alimentos destinados à merenda, integrantes da comunidade escolar chegaram a organizar abaixo-assinado pedindo reforço na segurança e presença de vigilantes. Na ocasião, familiares afirmaram que a escola vinha enfrentando ocorrências recorrentes.
Em uma manifestação divulgada naquela ocasião, a comunidade resumiu a preocupação: “Não podemos aceitar que um espaço tão importante para a educação fique sem a segurança necessária. Nossos filhos, netos, sobrinhos e vizinhos merecem estudar em um ambiente protegido, limpo e seguro.”
A Secretaria da Educação informou, naquele episódio, que a escola possuía câmeras, sistema de alarme e vigilância presencial no período noturno, além do compartilhamento de informações com a Guarda Civil Municipal.
A situação voltou a se agravar no fim desemana com uma nova invasão à EMEF Edmilson de Nola Sá que levou à suspensão temporária das atividades após surgir suspeita de comprometimento da água armazenada no reservatório da escola.
A administração municipal realizou limpeza na caixa-d'água e análise da qualidade da água. A Guarda Municipal também passou a realizar rondas como medida imediata, enquanto a Prefeitura informou que estava em andamento um processo para ampliar o muro da escola.
Posteriormente, o laudo técnico descartou contaminação da água, segundo informação divulgada após a análise e as aulas foram retomadas na unidade.
Porém, a situação ampliou uma discussão que já vinha ocorrendo dentro e fora da Câmara Municipal. Mais do que os objetos furtados ou o custo dos reparos, familiares e profissionais passaram a questionar os riscos para alunos e servidores quando criminosos conseguem acessar áreas de alimentação, reservatórios, salas e demais dependências escolares.
Vereadores criticam modelo de segurança
A sequência de ocorrências também provocou manifestações contundentes na Câmara de Araraquara. Durante o debate em plenário, parlamentares retomaram uma declaração atribuída ao secretário municipal de Finanças, Roberto Pereira, apresentada em áudio durante a sessão. No trecho reproduzido pelos vereadores, o secretário discutia os custos dos contratos de segurança e afirmou:
“Ela faturava R$ 1 milhão por mês de segurança na escola. A gente não viu muito sentido nisso, porque, para gastar R$ 1 milhão e repor um computador roubado, compensa você repor o computador roubado.”
A declaração foi utilizada por vereadores críticos à administração para questionar uma análise da segurança baseada exclusivamente no custo patrimonial.
A vereadora Fabi Virgílio (PT) classificou o raciocínio como “tacanho” e “mesquinho”, argumentando que a discussão não envolve apenas computadores e outros equipamentos, mas a segurança das pessoas que trabalham e estudam nos prédios públicos.
O vereador João Clemente (PSDB) também criticou duramente a lógica apresentada. Em sua manifestação, classificou a situação como “economia burra” e afirmou que equipamentos podem ser substituídos, enquanto a integridade de alunos e funcionários não pode ser tratada da mesma forma.
“A máquina pode ser substituída; a pessoa, não”, argumentou o parlamentar ao discutir o tema.
João Clemente citou ainda outras unidades que, segundo ele, enfrentaram problemas relacionados a invasões ou falta de vigilância, defendendo uma solução emergencial para os locais considerados mais vulneráveis.
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Diretor relatou limite após sucessivas depredações
Entre os relatos levados ao debate político também esteve o de um responsável pela direção da EMEF Edmilson de Nola Sá. Ele afirmou que a escola já enfrentava episódios de depredação e descreveu a situação como insustentável. Veja detalhes da fala, AQUI.
“Infelizmente nossa escola já tem sofrido depredações [...] nós já chegamos a um limite de todos os negociáveis”, declarou.
A fala reforçou o argumento de parte da comunidade escolar de que o problema não deve ser analisado apenas depois que uma invasão acontece. Pais e funcionários defendem ações que dificultem a entrada de invasores antes que os danos sejam provocados.
A vereadora Filipa Brunelli (PL) também fez uma das manifestações mais duras sobre o ocorrido na Edmilson de Nola Sá, classificando os atos como “sadismo” e “ápice de desumanidade”. Ela cobrou investigação rigorosa para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Já Aluísio Boi (MDB) afirmou que a insegurança nas unidades estava lhe “tirando o sono” e defendeu o retorno de uma proteção mais efetiva às escolas e creches. Para ele, segurança de crianças e profissionais não poderia ser reduzida a uma “conta simples de matemática”.
Há contrapontos dentro da Câmara
O debate não foi unânime. Parlamentares ligados ou próximos à base do governo ressaltaram que invasões a prédios municipais também ocorreram em administrações anteriores, inclusive em períodos nos quais havia vigilância contratada.
O vereador Balda (Novo) contestou a ideia de que o problema tenha começado exclusivamente na atual administração e lembrou episódios anteriores de furto e vandalismo.
O Enfermeiro Delmiran (PL) também atribuiu a responsabilidade direta pelos danos aos autores dos crimes, defendendo que a Prefeitura não pode ser apontada como responsável pela ação de criminosos.
Cobrança
Vale lembrar que a cobrança de parte da comunidade escolar vai além dos consertos realizados depois das ocorrências. Famílias, servidores e representantes políticos reivindicam uma política capaz de impedir que as invasões aconteçam, especialmente em unidades que já foram atacadas anteriormente.
As imagens do CER no Laura Molina mostram que, mesmo quando as aulas e o atendimento conseguem ser mantidos, cada invasão deixa uma conta que não se limita aos materiais furtados. Envolve reparos, mobilização de servidores, risco de interrupção das atividades e preocupação para quem deixa diariamente os filhos sob responsabilidade da rede municipal.
A cobrança que cresce entre integrantes da comunidade escolar é para que a Prefeitura esclareça qual será o planejamento permanente de segurança para escolas e CERs considerados vulneráveis e se haverá mudanças no atual modelo após a sequência de ocorrências.
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