CONTRADIÇÃO | COOPERATIVAS
Após criticar cooperativas, Prefeitura de Araraquara recorre ao modelo durante crise
Governo Lapena havia reduzido contratos com entidades, mas agora negocia uso emergencial de cooperados para substituir a Soluções

A Prefeitura de Araraquara avalia utilizar cooperativas para substituir, de forma emergencial, parte dos serviços afetados pela paralisação da empresa Soluções. A informação foi divulgada pelo secretário de Governo, Leandro Guidolim, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10). Segundo ele, a administração já está em negociação com diferentes cooperativas para contratar trabalhadores e garantir a retomada dos serviços.
A medida ocorre após a paralisação da Soluções, que presta serviços terceirizados ao município e deixou unidades públicas, incluindo escolas e creches, com atendimento comprometido pela falta de profissionais de limpeza.
A declaração chama atenção porque ocorre após meses em que o governo do prefeito Lapena adotou uma postura de redução, suspensão ou não renovação de contratos com cooperativas e organizações que prestavam serviços ao município.
Agora, diante da paralisação da Soluções, a própria administração afirma que o modelo pode ser uma alternativa mais rápida para colocar trabalhadores nas unidades municipais.
“A cooperativa é mais ágil. O cooperado é sócio e não tem carteira assinada. A própria cooperativa convoca os cooperados e coloca para trabalhar, por isso pensamos nisso”, explicou Guidolim.
A mudança de estratégia ocorre em meio a uma crise que já provocou impactos em escolas, creches e outros equipamentos públicos. A ausência dos profissionais de limpeza deixou unidades sem condições de manter o atendimento normal.
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Prefeitura agora considera cooperativas como ‘plano B’
A administração municipal apresentou o uso das cooperativas como uma espécie de plano B diante da dificuldade de acordo imediato com a Soluções. Segundo Guidolim, a Prefeitura já conversa com entidades do setor e teria identificado profissionais suficientes para iniciar os trabalhos emergencialmente.
“Estamos conversando com diversas cooperativas de Araraquara, já temos um número mínimo para profissionais começarem amanhã”, afirmou.
O secretário também disse que a intenção é ampliar a operação durante a próxima semana. “Durante a semana que vem vamos tentar assumir todos os serviços, com os cooperados, em que a Soluções fazia”, declarou.
Modelo já foi alvo de críticas na atual gestão
A relação da administração Lapena com as cooperativas foi marcada por controvérsias desde o início do governo. A Prefeitura justificou a revisão de contratos pela necessidade de enfrentar a situação financeira do município e reduzir despesas. A mudança atingiu entidades que atuavam em diferentes áreas.
Um dos casos que gerou repercussão foi o encerramento do contrato com a Cooperativa Sol Nascente, que realizava serviços de zeladoria urbana e tinha entre seus trabalhadores pessoas egressas do sistema prisional. A interrupção do contrato provocou críticas de movimentos sociais, cooperados e setores da oposição, que defenderam a manutenção de políticas de inclusão social por meio do cooperativismo.
Agora, diante da paralisação da Soluções, a Prefeitura volta a considerar justamente esse modelo para manter serviços essenciais funcionando.
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Impasse com a Soluções continua
Guidolin afirmou que a Prefeitura teria proposto R$ 500 mil para pagamento imediato e outros R$ 1,5 milhão até o fim de setembro, além da promessa de quitar o contrato até dezembro e iniciar, a partir de janeiro, a amortização das dívidas.
Segundo o secretário, a empresa teria recusado a proposta e apresentado uma contraproposta considerada inviável pela administração, que incluiria juros de 1,5% ao mês. “Isso não existe no poder público. Taxa de banco”, afirmou.
Guidolin disse ainda que a Prefeitura notificou a empresa e aguarda um retorno para tentar avançar nas negociações. Vale lembrar que anteriormente a Soluções teria apresentado uma cobrança de R$ 5 milhões para retomar imediatamente os serviços e informou aos trabalhadores que a suspensão dos serviços estaria relacionada aos pagamentos pendentes feitos pela Prefeitura.
Em comunicado divulgado antes da paralisação, a Soluções afirmou existir “um atraso significativo e reiterado nos pagamentos que lhe são devidos pela Prefeitura de Araraquara”.
A terceirizada também destacou que a situação não estaria relacionada à qualidade do trabalho executado pelos funcionários.
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