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CONTRADIÇÃO | COOPERATIVAS

Após criticar cooperativas, Prefeitura de Araraquara recorre ao modelo durante crise

Governo Lapena havia reduzido contratos com entidades, mas agora negocia uso emergencial de cooperados para substituir a Soluções

Cassiane Chagas|· 4 min de leitura
Após criticar cooperativas, Prefeitura de Araraquara recorre ao modelo durante crise
Prefeitura de Araraquara busca cooperativas para ajudar na retomada de serviços após paralisação da empresa Soluções Imagem ilustrativa: Arquivo/ Prefeitura de Sorocaba.

 

A Prefeitura de Araraquara avalia utilizar cooperativas para substituir, de forma emergencial, parte dos serviços afetados pela paralisação da empresa Soluções. A informação foi divulgada pelo secretário de Governo, Leandro Guidolim, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10). Segundo ele, a administração já está em negociação com diferentes cooperativas para contratar trabalhadores e garantir a retomada dos serviços.

A medida ocorre após a paralisação da Soluções, que presta serviços terceirizados ao município e deixou unidades públicas, incluindo escolas e creches, com atendimento comprometido pela falta de profissionais de limpeza.

A declaração chama atenção porque ocorre após meses em que o governo do prefeito Lapena adotou uma postura de redução, suspensão ou não renovação de contratos com cooperativas e organizações que prestavam serviços ao município.

Agora, diante da paralisação da Soluções, a própria administração afirma que o modelo pode ser uma alternativa mais rápida para colocar trabalhadores nas unidades municipais.

 

“A cooperativa é mais ágil. O cooperado é sócio e não tem carteira assinada. A própria cooperativa convoca os cooperados e coloca para trabalhar, por isso pensamos nisso”, explicou Guidolim.

 

A mudança de estratégia ocorre em meio a uma crise que já provocou impactos em escolas, creches e outros equipamentos públicos. A ausência dos profissionais de limpeza deixou unidades sem condições de manter o atendimento normal.

 

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Prefeitura agora considera cooperativas como ‘plano B’

A administração municipal apresentou o uso das cooperativas como uma espécie de plano B diante da dificuldade de acordo imediato com a Soluções. Segundo Guidolim, a Prefeitura já conversa com entidades do setor e teria identificado profissionais suficientes para iniciar os trabalhos emergencialmente.

 

“Estamos conversando com diversas cooperativas de Araraquara, já temos um número mínimo para profissionais começarem amanhã”, afirmou.

 

O secretário também disse que a intenção é ampliar a operação durante a próxima semana. “Durante a semana que vem vamos tentar assumir todos os serviços, com os cooperados, em que a Soluções fazia”, declarou.

 

Modelo já foi alvo de críticas na atual gestão

A relação da administração Lapena com as cooperativas foi marcada por controvérsias desde o início do governo. A Prefeitura justificou a revisão de contratos pela necessidade de enfrentar a situação financeira do município e reduzir despesas. A mudança atingiu entidades que atuavam em diferentes áreas.

Um dos casos que gerou repercussão foi o encerramento do contrato com a Cooperativa Sol Nascente, que realizava serviços de zeladoria urbana e tinha entre seus trabalhadores pessoas egressas do sistema prisional. A interrupção do contrato provocou críticas de movimentos sociais, cooperados e setores da oposição, que defenderam a manutenção de políticas de inclusão social por meio do cooperativismo.

Agora, diante da paralisação da Soluções, a Prefeitura volta a considerar justamente esse modelo para manter serviços essenciais funcionando.

 

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Impasse com a Soluções continua

Guidolin afirmou que a Prefeitura teria proposto R$ 500 mil para pagamento imediato e outros R$ 1,5 milhão até o fim de setembro, além da promessa de quitar o contrato até dezembro e iniciar, a partir de janeiro, a amortização das dívidas.

Segundo o secretário, a empresa teria recusado a proposta e apresentado uma contraproposta considerada inviável pela administração, que incluiria juros de 1,5% ao mês. “Isso não existe no poder público. Taxa de banco”, afirmou.

Guidolin disse ainda que a Prefeitura notificou a empresa e aguarda um retorno para tentar avançar nas negociações. Vale lembrar que anteriormente a Soluções teria apresentado uma cobrança de R$ 5 milhões para retomar imediatamente os serviços e informou aos trabalhadores que a suspensão dos serviços estaria relacionada aos pagamentos pendentes feitos pela Prefeitura.

Em comunicado divulgado antes da paralisação, a Soluções afirmou existir “um atraso significativo e reiterado nos pagamentos que lhe são devidos pela Prefeitura de Araraquara”.

A terceirizada também destacou que a situação não estaria relacionada à qualidade do trabalho executado pelos funcionários.

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