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Recuo

Flávio recua, apaga carta e passa a se chamar 'líder do Brasil'

Nova versão troca 'presidente eleito' por 'líder' e tira o 'Brazil' com z; Flávio segue sem apresentar provas de fraude

Redação|· atualizado em 28/10/2026 às 18:13· 8 min de leitura
Flávio Bolsonaro fala a jornalistas após visitar o pai em prisão domiciliar em Brasília
Flávio Bolsonaro em foto de arquivo; na nova versão da carta, ele deixa de se chamar presidente eleito e passa a se apresentar como líder do Brasil Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
RESUMOver em 31 segundos
  • Flávio Bolsonaro apagou a carta em que se dizia "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" e divulgou nova versão em que passa a se chamar "líder do Brasil".

  • A nova carta também troca o brasão antigo, com a faixa "Estados Unidos do Brazil", pelo atual, com a inscrição "República Federativa do Brasil".

  • O resto do texto segue igual: ele diz estar nos Estados Unidos, agradece a Trump e Milei, nega fuga e fala em fraude sem apresentar provas.

  • A prorrogação da votação foi pedida pelas duas campanhas, inclusive a de Flávio; o PL e o TSE reconhecem a vitória de Lula.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou e apagou a carta em que se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Nesta quarta-feira (28), ele divulgou uma nova versão, também em imagens, em que troca "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder".

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Eixo - Lettera

Flávio também trocou o brasão do cabeçalho. A primeira versão usava o brasão antigo, com a faixa "Estados Unidos do Brazil", com "z", nome oficial do país até 1967. A nova traz o brasão atual, com a inscrição "República Federativa do Brasil".

O restante do texto segue o mesmo. Flávio continua a dizer que está nos Estados Unidos, agradece ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente norte-americano, Donald Trump, ataca o Judiciário, fala em "regime de exceção" e "perseguição política" contra a família e nega que a saída do país seja uma fuga.

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O que mudou na carta

A troca mais visível está no trecho em que Flávio se dirige aos eleitores. Na primeira versão, ele escreveu:

"Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania."

Na segunda, "presidente eleito" virou "líder". A abertura, em que se dizia "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", também passou a usar "líder do Brasil".

Ficaram as acusações de fraude, a defesa da cassação da chapa Lula-Alckmin e o anúncio de que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. Também continua a comparação com Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí e opositores venezuelanos que deixaram seus países.

Prorrogação foi pedida pelas duas campanhas

Na carta, Flávio fala em "impossibilidade matemática" na votação de domingo (25) e ataca decisões do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele não apresenta provas.

Zanin determinou a extensão do horário de votação por duas horas depois de pedidos da coligação de Lula e da própria campanha de Flávio, por causa de problemas no transporte público de eleitores e das condições do tempo.

Depois das 17h de domingo, menos de 35 mil votos foram registrados nas urnas até as 19h. A vantagem de Lula sobre Flávio no país foi de 4,4 milhões de votos.

PL e TSE reconhecem o resultado

As alegações contrariam a posição do próprio PL, partido de Flávio, que reconheceu o resultado da eleição.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a eleição transcorreu com segurança e transparência, sem fraudes ou inconsistências que pudessem comprometer a vontade dos eleitores.

Lula foi reeleito com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio.

A nova carta na íntegra

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o líder e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Flávio Bolsonaro

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