Urgente
Flávio se autodeclara presidente eleito do Brasil
Em carta divulgada por aliado no X, Flávio Bolsonaro diz que deixou o país, nega fuga e agradece a Trump e Milei

RESUMOver em 33 segundos
Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno, divulgou carta em que se diz "o verdadeiro presidente eleito do Brasil"; o texto foi publicado no X pelo aliado Paulo Figueiredo.
Ele afirma que está com a família nos Estados Unidos, agradece a Donald Trump e a Javier Milei e nega fuga: "não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil".
A carta usa o brasão antigo dos "Estados Unidos do Brazil", nome oficial do país até 1967, e compara Flávio a Rui Barbosa, Charles de Gaulle e María Corina Machado.
Flávio fala em fraude eleitoral, ataca o STF e pede a cassação da chapa Lula-Alckmin, sem apresentar provas.
Atualização (18h11, horário de Brasília): Flávio Bolsonaro recuou. Ele apagou a carta reproduzida abaixo e divulgou uma nova versão em que deixa de se chamar "presidente eleito" e passa a se apresentar como "líder do Brasil". Veja o que mudou.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, divulgou uma carta em que se apresenta como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil", afirma que deixou o país e diz estar com a família nos Estados Unidos. O texto foi publicado no X, antigo Twitter, pelo aliado Paulo Figueiredo.
Na carta, Flávio nega que tenha fugido. "Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", escreveu.
Logo no início, ele agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os agradecimentos indicam que os dois governos podem ter ajudado na saída dele do Brasil. O documento abre com o brasão dos "Estados Unidos do Brazil", nome oficial do país até 1967, e cita Rui Barbosa e outros líderes que deixaram seus países.
"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil."
Lula foi reeleito no domingo (25) com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Veja como foi a apuração.
Agradecimento a Trump e Milei
O primeiro parágrafo depois da apresentação é dedicado aos dois presidentes estrangeiros. Flávio agradece a Milei "pela coragem, senso de justiça e legalidade", e a Trump e "ao maravilhoso povo americano por me acolher".
"Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão", diz a carta.
Mais adiante, ele volta a agradecer: "Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil".
O brasão dos Estados Unidos do Brasil
O cabeçalho da carta não traz o brasão atual da República, que leva a inscrição "República Federativa do Brasil". Flávio usou a versão antiga, com a faixa "Estados Unidos do Brazil", ainda com "z", e a data de 15 de novembro de 1889, dia da Proclamação da República.
Estados Unidos do Brasil foi o nome oficial do país desde a Proclamação até a Constituição de 1967, e não é mais usado. O uso pode não ser casual e sim, intencional, pela proximidade com o governo de Donald Trump
Fraude sem provas e ataque ao STF
Flávio afirma que viu "estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar" na noite de domingo. Ele acusa "o ex-advogado do Lula" de atuação "ilegítima e ilegal" e diz que Lula acrescentou "mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno", o que chama de "impossibilidade matemática". A carta não apresenta provas das acusações.
Segundo ele, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) "estendeu a votação no apagar das luzes", e a ordem só teria chegado depois do fim do horário legal. Flávio também acusa a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa Lula-Alckmin.
O senador diz que, "sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral", um juiz "pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime". Ele não cita o nome do magistrado, mas afirma que ele está "diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes".
"Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime."
Ele descreve o que chama de "roteiro da perseguição": "apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política". E cita o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, "calado, preso e censurado".
"Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional", escreveu. "Trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança."
Rui Barbosa, De Gaulle e María Corina
Para justificar a saída, Flávio se compara a líderes que agiram fora de seus países. "Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele", diz.
Ele cita Rui Barbosa, que "foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto"; Charles de Gaulle, que "liderou a França Livre a partir de Londres"; e José Martí, que organizou a independência de Cuba a partir de Nova York. Também menciona os venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
"Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa."
Recado ao Senado e aos eleitores
Flávio diz que vai liderar a oposição de fora do país. Ele se dirige aos senadores, deputados e governadores que ajudou a eleger e, em especial, ao seu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho. "Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", escreveu.
Aos eleitores, promete se dirigir "regularmente ao povo brasileiro" e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição "por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil".
"Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro."
Em Araraquara, Lula também venceu Flávio no segundo turno.
A carta na íntegra
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.
Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.
Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.
Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.
Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.
Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.
Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.
Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.
Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.
À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.
Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.
E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.
Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.
Que Deus abençoe o Brasil.
Flávio Bolsonaro
Mais 3 fotos
Atualização: Flávio recua e muda a carta
Horas depois de divulgar o texto acima, Flávio apagou a publicação e soltou uma nova versão da carta, também em imagens. Nela, trocou "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" e "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder". Também trocou o brasão do cabeçalho: saiu o antigo, com a faixa "Estados Unidos do Brazil", e entrou o atual, com a inscrição "República Federativa do Brasil".
O resto foi mantido: os agradecimentos a Trump e Milei, os ataques ao Judiciário, a negativa de fuga e a acusação de fraude, ainda sem provas. O PL, partido de Flávio, reconheceu o resultado, e o TSE confirmou a vitória de Lula e afirmou que a eleição transcorreu com segurança e transparência. A prorrogação do horário de votação, que Flávio critica na carta, foi pedida também pela campanha dele. Leia a matéria sobre o recuo.
Leia também
- Assédio eleitoral

OABs repudiam perseguição e MPT recebe 4 denúncias na região
- IPTU

Câmara convoca duas sessões extras para votar aumento do IPTU
- Lista de boicote

Após eleição, OAB repudia perseguição política em Araraquara
- Vagas Abertas

Inscrições abertas em Matão para concurso e processo seletivo
- Bora apostar?

Mega-Sena acumula e vai a R$ 320 milhões; veja os números
- Oportunidades de emprego

Vagas no PAT de Araraquara: 13 posições em 11 funções nesta quarta-feira








