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Vírus em alta

Covid-19 cresce há seis semanas no Brasil, mas risco segue baixo

Tendência de alta atinge 19 unidades da Federação, incluindo São Paulo; Fiocruz vê sinais de aumento nas internações.

Redação|· 5 min de leitura
Duas pessoas de máscara sentadas em um corredor de unidade de saúde; ao lado, profissional de azul e dois homens com roupa de proteção branca
Pacientes de máscara aguardam atendimento em unidade de saúde, em foto de arquivo Foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara

Os casos de Covid-19 mostram tendência de alta no Brasil há seis semanas, de acordo com o Ministério da Saúde. O movimento aparece em 19 unidades da Federação, incluindo São Paulo, e alcança todas as faixas etárias, de crianças a idosos.

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As internações também começam a dar sinais de crescimento. Um boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (5), identificou aumento de casos graves causados pelo coronavírus em diferentes regiões do país.

Mesmo com a alta, a doença segue em patamar baixo. O Ministério da Saúde classifica como de baixo risco a atividade da Covid-19 em todos os estados, e a Fiocruz afirma que a incidência de casos graves continua baixa. Os dados usados nesta matéria vão até o nível de estado, e a situação específica de Araraquara não aparece neles.

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Covid-19 tem alta em 19 unidades da Federação

O levantamento do Ministério da Saúde analisa as notificações das últimas seis semanas, até o período de 25 a 31 de outubro. Os modelos estatísticos usados levam em conta os atrasos na notificação e estimam quantos registros ainda podem entrar nos sistemas de vigilância. Os sinais de crescimento aparecem em:

  • Norte: Rondônia e Roraima
  • Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí
  • Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso
  • Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo
  • Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Tendência de alta não quer dizer que os registros subiram em todas as semanas, e sim que o conjunto do período aponta crescimento. Desde o início de 2026, o país soma 118.851 casos notificados de síndrome gripal por Covid-19, em dados atualizados até 4 de novembro. O total real de infecções é outro, porque nem todas são diagnosticadas ou notificadas.

Os exames seguem a mesma direção. Nos laboratórios privados, a taxa de positividade, que mede a parcela de testes com resultado positivo, sobe há nove semanas, segundo o ministério. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que esse indicador permite notar mudanças na circulação do vírus mesmo quando o volume de testes varia. A leitura, porém, depende de quem está sendo testado e dos critérios para fazer o exame.

Internações por Covid sobem em cinco estados e no DF

O boletim InfoGripe, da Fiocruz, aponta sinais de aumento de casos graves de Covid-19 em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Em Mato Grosso, o coronavírus tem sido o principal responsável pelo crescimento dos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quadro em que os sintomas respiratórios se agravam e que pode levar à internação.

Ao longo de 2026, até 31 de outubro, o Ministério da Saúde contabilizou 3.479 hospitalizações por SRAG com detecção do coronavírus e 437 mortes de pacientes graves nos quais o vírus foi identificado. Os números são acumulados do ano e podem incluir pacientes com mais de um vírus respiratório ao mesmo tempo.

Kfouri diz que, quando um vírus infecta mais gente, tende a subir também o número de pacientes com complicações, mesmo sem mudança na proporção de infectados que pioram. Para ele, a alta nas internações é uma consequência possível da maior circulação e não significa, necessariamente, que as infecções estejam mais agressivas.

O total de internações por doenças respiratórias, por outro lado, tende a cair no país. Nas últimas quatro semanas, segundo a Fiocruz, o coronavírus apareceu em 8,5% dos casos graves com resultado positivo para vírus respiratórios e em 24,1% das mortes desse grupo. Esses percentuais mostram o peso do vírus entre os registros analisados e não representam o risco de morte de quem se infecta.

O que explica o aumento dos casos

Segundo Kfouri, a alta faz parte do comportamento esperado dos vírus respiratórios, que alternam períodos de maior e menor circulação. Novas variantes, somadas a um grupo maior de pessoas suscetíveis, favorecem ondas periódicas de transmissão. O mesmo padrão ocorre com influenza, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR).

Em 2026, até a semana epidemiológica 42, foram registrados 2.199 sequenciamentos genéticos de amostras brasileiras na plataforma internacional Gisaid, com 127 linhagens diferentes do vírus. Cerca de 90% das amostras eram da linhagem XFG ou de suas descendentes.

Ser a variante predominante não faz dela, por si só, a causa da alta nem a torna mais grave. O infectologista afirma que não há, até agora, indícios de mudança no padrão de gravidade da doença.

Quem corre mais risco e como se proteger da Covid-19

O risco de agravamento continua maior entre idosos, pessoas imunocomprometidas e quem tem determinadas doenças crônicas. Considerando todos os vírus respiratórios, os dados do InfoGripe mostram incidência de SRAG mais alta em crianças com menos de 2 anos e mortalidade maior a partir dos 65 anos. Na Covid-19 especificamente, a incidência de quadros graves segue baixa em todas as faixas etárias, de acordo com a Fiocruz.

Kfouri avalia que os dados não justificam mudanças generalizadas nas recomendações de prevenção, e a prioridade segue sendo vacinar quem tem mais risco. "A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação", afirmou a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, em comunicado da instituição. O Calendário Nacional de Vacinação prevê:

  • Idosos a partir de 60 anos: doses semestrais
  • Gestantes: vacinação a cada gravidez
  • Crianças pequenas: esquema de duas ou três doses, conforme o imunizante
  • Imunocomprometidos: doses periódicas
  • Outros grupos prioritários, incluindo pessoas com comorbidades: recomendações específicas

Quem tiver sintomas respiratórios deve manter os cuidados para não transmitir o vírus, principalmente perto de pessoas vulneráveis, e procurar avaliação médica se o quadro piorar, orienta o infectologista.

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