30/09/2020 às 15h10min - Atualizada em 30/09/2020 às 13h21min

Consumidores ainda priorizam a compra de produtos essenciais na pandemia

Celebrado no mês de setembro, o Dia do Cliente desse ano foi diferente. Apesar das tradicionais promoções que marcam a data, com descontos e facilidades de pagamento, a crise causada pela pandemia de Covid-19 direcionou o foco de compra dos consumidores para outras prioridades, impactando os rendimentos de empresas e a movimentação do comércio de rua.

Essa mudança de comportamento foi identificada em uma recente pesquisa do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara. No levantamento, 71% dos entrevistados priorizaram compras de alimentos e de produtos de higiene pessoal em supermercados, e somente 29% destinaram recursos entre redes farmacêuticas, lojas de roupas, calçados, departamentos, entre outros.

Desse total, 54% fizeram compras semanalmente, mesmo com as restrições de circulação que estavam em vigor. Outros 46% apenas mensalmente e em situações específicas. “Na pandemia, o foco dos clientes se voltou ainda mais para serviços e produtos considerados essenciais. Essa característica, somada ao fechamento do comércio no pico da quarentena, atingiu fortemente o setor varejista, que teve que repensar toda a relação com os fregueses”, avalia Marcelo Cossalter, pesquisador do Núcleo de Economia do Sincomercio.

A pesquisa apontou que, entre os araraquarenses entrevistados, 46% ganham de um a três salários mínimos, 38% acima de três e 15% até um salário-base. Destes, 54% não tiveram a renda afetada no período e outros 42% perderam rendimentos. Apenas 4% relataram aumentos nos ganhos durante os meses de avanço do novo coronavírus.

“No geral, muitos trabalhadores foram afetados pela redução de renda, restringindo o poder de compra da população. E com a desvalorização do real e os índices de desemprego, isso se ampliou, formando um efeito cascata que nem mesmo o auxílio emergencial do governo federal conseguiu evitar”, comenta João Delarissa, também pesquisador do sindicato.

 Características dos entrevistados – Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara


Fonte/Elaboração: Sincomercio - Araraquara

Impactos da crise

O comportamento do consumidor durante a pandemia de Covid-19 impactará diretamente o faturamento do comércio varejista em 2020. De acordo com um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o faturamento do setor deve cair 6,7% este ano em comparação com 2019, com as lojas de vestuário, tecidos e calçados sendo as mais prejudicadas.

A queda reforça os prejuízos causados pelo fechamento das lojas físicas das atividades consideradas não essenciais em grande parte das cidades brasileiras. “Tudo isso obrigou os lojistas a buscarem novas formas de vender, com foco principal no e-commerce. Aqueles que realizavam as vendas somente nas lojas físicas tiveram que investir em plataformas digitais para manterem os negócios. E os negócios que já eram adeptos do comércio eletrônico intensificaram as vendas por esse canal”, analisa João Delarissa.

O levantamento da FecomercioSP indica ainda que o segmento de materiais de construção será o segundo mais afetado pela crise, com perdas de 17,6% no faturamento. Lojas de móveis e decoração (-13,3%); veículos, motos, partes e peças (-11,4%); lojas de eletrodomésticos e eletrônicos (-8,1%); e de outras atividades (-13,3%) também serão afetadas.

De todas as categorias analisadas pelo estudo, apenas farmácias e perfumarias terão crescimento, com altas de 2,8% e 5,4%, respectivamente. Esses estabelecimentos não sofreram restrições durante a pandemia e aproveitaram as vendas na internet para se aproximar dos consumidores que aderiram ao isolamento social.

Em São Paulo, além das farmácias, que devem registrar aumento na receita de 3,1%, somente os supermercados terão alta nos negócios, com 3,9% de majoração. No estado, o principal tombo será das concessionárias de veículos, com perdas de quase R$ 19 bilhões em comparação com 2019. 


Fonte: Fecomercio - SP


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