Governo Lula estuda liberar FGTS para quem usou saque-aniversário

Medida atende a reivindicações sindicais e busca amenizar impactos econômicos e sociais diante da rejeição recorde do presidente.

Por Por Geisa Ferreira da Silva-
3 Min

Governo Lula estuda liberar FGTS para quem usou saque-aniversário
Lula aposta na liberação do FGTS para tentar reduzir rejeição e impulsionar o consumo.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar, nos próximos dias, a liberação do saque do FGTS para trabalhadores demitidos que aderiram ao saque-aniversário. A decisão é vista como uma resposta à crescente insatisfação popular, especialmente diante da rejeição recorde do petista registrada em recentes pesquisas de opinião pública.

O anúncio oficial deve ocorrer nesta terça-feira (25/2), em Brasília, com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e dos presidentes das centrais sindicais, convidados pelo próprio Lula para acompanhar a cerimônia.

A mudança atende a uma reivindicação antiga da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que pressionavam o governo para que os trabalhadores demitidos tivessem acesso ao saldo total do FGTS. Atualmente, aqueles que optaram pelo saque-aniversário só podem retirar a multa rescisória e precisam aguardar até dois anos para voltar ao saque integral.

Medida tenta conter desgaste político e impulsionar economia

Além de beneficiar diretamente milhares de brasileiros, a medida também tem um peso político significativo. Desde que iniciou seu terceiro mandato, Lula enfrenta uma queda expressiva de popularidade, impulsionada pelo descontentamento com a economia, os altos juros e o preço dos combustíveis.

Para o governo, liberar o saque do FGTS significa colocar dinheiro na mão do trabalhador, ajudando a estimular o consumo e, consequentemente, a economia. Ao Metrópoles, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, reforçou esse ponto:

“Sacar o FGTS é um direito do trabalhador, que pode usar esse dinheiro para pagar suas contas, fazer compras, consumir e, dessa forma, se injeta mais dinheiro na economia”.

O ministro Luiz Marinho já havia criticado publicamente o saque-aniversário, classificando-o como uma "armadilha" criada pelo governo Bolsonaro. Segundo ele, essa modalidade prejudica o trabalhador em caso de demissão e ainda fragiliza o financiamento de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida.

Pressão para novas mudanças no FGTS

Essa é apenas uma das ações planejadas pelo governo para conter a impopularidade. Paralelamente, Lula pretende lançar, em março, o empréstimo consignado privado, permitindo que trabalhadores do setor privado tenham acesso a crédito facilitado.

O governo enfrenta resistência no Congresso para alterar ou extinguir o saque-aniversário, já que o modelo agrada ao mercado financeiro. No entanto, com a base sindical insatisfeita e a rejeição em alta, o Planalto aposta nessa nova liberação como um passo estratégico para reverter a imagem negativa e reforçar seu compromisso com o trabalhador.


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