A recente decisão do governo norte-americano de impor uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, a partir de 1º de agosto, acendeu um sinal de alerta em Araraquara. A cidade mantém uma forte relação comercial com os norte-americanos e pode sentir os efeitos do chamado “tarifaço” diretamente na economia.
Segundo estudo do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, caso o cenário se mantenha, os impactos serão significativos para o município. Em 2024, Araraquara exportou mais de US$ 251 milhões para os EUA. Só no primeiro semestre de 2025, esse número já se aproxima: US$ 210,8 milhões.
As importações somaram US$ 6,3 milhões em 2024 e US$ 2,5 milhões até junho deste ano.
De acordo com os dados levantados, o saldo comercial de Araraquara com os EUA em 2025 já representa 193% do total de 2024, mais que o dobro do registrado em 2023. Os Estados Unidos lideram como o principal destino das exportações da cidade, respondendo por 41% do total negociado com o exterior.
Saldo comercial de Araraquara com os Estados Unidos entre janeiro e junho dos anos 2023, 2024 e 2025 – Valor US$ FOB.
Nas importações, a China está em primeiro lugar (34%), seguida por Alemanha, Argentina, Vietnã, Itália e, apenas na sexta posição, os Estados Unidos (6%).
Araraquara – SP: Exportação – Países Parceiros
A pesquisadora Maria Clara Kirsch, do Núcleo de Economia do Sincomercio, alerta que, caso os consumidores norte-americanos deixem de comprar produtos brasileiros, especialmente os originados em Araraquara, será necessário buscar novos mercados, o que pode levar de seis meses a um ano por conta de exigências sanitárias, regulatórias e logísticas.
Além disso, caso o governo brasileiro adote a Lei da Reciprocidade, tributando também produtos dos EUA, os insumos vindos daquele país, que abastecem parte da indústria local, terão custo elevado, comprometendo ainda mais a produção.
Outro possível reflexo está no mercado financeiro. Empresas de Araraquara com ações e títulos no exterior podem ser impactadas negativamente, afetando seus resultados e o perfil patrimonial.
Isso compromete não apenas a lucratividade, mas também a geração de empregos e a competitividade industrial da cidade.
O estudo aponta que o tarifaço pode pressionar os preços dos dois lados da cadeia, tanto dos produtos vendidos quanto dos insumos importados, em um momento em que a inflação no Brasil já supera os 5%.
“Embora possa haver excedente de produtos no mercado interno no curto prazo, a cadeia produtiva será impactada. Isso pode comprometer produtividade, empregos e investimentos”, conclui a pesquisadora.
A coordenação de pesquisa foi de Elton Casagrande com base nos trabalhos dos pesquisadores Maria Clara Kirsch Junqueira e Bruno H. Camacho.