BRN construtora adia novamente entrega das casas do Residencial São Lucas, em Araraquara

Empresa marca nova data para 10 de setembro de 2025, mas moradores relatam frustração e prejuízos; ‘sem dormir’

Por Cassiane Chagas -
6 Min

BRN construtora adia novamente entrega das casas do Residencial São Lucas, em Araraquara
Comunicado oficial da BRN Construtora informa novo adiamento da entrega das casas no Residencial São Lucas, em Araraquara.

 

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Os compradores de moradias do Residencial Parque São Lucas, localizado no bairro Valle Verde, em Araraquara, seguem enfrentando incertezas quanto à entrega de suas casas. A BRN Construtora comunicou oficialmente, nesta sexta-feira (22), mais um adiamento na entrega das chaves, que agora está prevista para o dia 10 de setembro de 2025, às 9h30.

 

Essa não é a primeira alteração. O contrato inicial previa que os imóveis seriam entregues em junho de 2024, mas o prazo foi prorrogado para agosto de 2025. Agora, os compradores foram surpreendidos com o novo comunicado, que justificou a mudança como parte de uma “adequação de procedimentos” necessários para garantir a segurança e o cumprimento das normas exigidas para o evento de entrega.

 

No texto enviado aos futuros moradores, a construtora lamentou o transtorno e afirmou que a decisão foi tomada para assegurar que tudo ocorra de forma regular e segura. “Pedimos desculpas por qualquer inconveniente que essa mudança possa causar, mas para garantir que tudo transcorra com total segurança, respeitando as normas e protocolos exigidos para o evento, a data teve que ser alterada”, destacou a nota.

 

 

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Frustração entre os compradores

 

A notícia não foi bem recebida pelos quase 300 compradores organizados em grupos de WhatsApp. Muitos relataram frustração, dificuldades financeiras e até problemas emocionais diante da indefinição.

 

Uma das moradoras explicou os impactos. “Os atrasos têm causado sérios prejuízos financeiros, como o pagamento prolongado de aluguel, cobrança antecipada da primeira parcela da casa (mesmo sem termos recebido as chaves) e dificuldades no planejamento familiar”, diz.

 

No lado pessoal, o desgaste emocional é grande: famílias que planejavam mudar em agosto tiveram que adiar sonhos e reestruturar toda a rotina”.

 

Outro morador reforçou os danos. “Ainda estamos pagando aluguel e, com os adiamentos, precisamos adiar a entrega do imóvel onde moramos. Já tínhamos organizado mudança, carreto, materiais de construção, e tivemos que desfazer tudo. Isso gera ansiedade, insônia e um grande desgaste psicológico”.

 

 

Mobilização judicial e possíveis protestos

 

Diante das constantes alterações, cresce o número de famílias que procuram apoio jurídico. De acordo com relatos, muitos compradores já entraram com ações individuais, e há também a possibilidade de medidas coletivas contra a construtora.

 

Além disso, moradores afirmam que, caso a entrega não aconteça na nova data marcada, estudam novas formas de mobilização, incluindo manifestações públicas, denúncias em órgãos competentes e pressão judicial mais intensa.

 

Queremos garantias reais de que, no dia 10 de setembro, as chaves estarão, de fato, em nossas mãos. A paciência das famílias chegou ao limite”, disse uma moradora do grupo de WhatsApp, que já reúne 332 famílias dos módulos 1, 2 e 3 do empreendimento.

 

 

Falta de confiança na construtora

 

Entre os comentários compartilhados pelos compradores, a insatisfação é evidente. “Estamos com medo de reagendar tudo e mudar novamente a data”, disse um morador. Outro afirmou: “Não temos confiança no prazo da construtora. Tivemos gastos contando com a entrega do dia 27 e nos sentimos lesados. Muitas famílias de aluguel terão problemas com os proprietários dos imóveis”.

 

Há ainda relatos de crise de ansiedade e desgaste emocional intenso. “Serão 19 dias sem dormir com ansiedade, sem ter certeza se dessa vez realmente vão cumprir a palavra”, desabafou uma compradora.

 

 

 

Estou constrangida e indignada. Depois das denúncias sobre os atrasos nas obras, eles marcaram a entrega dos módulos 1 e 2 para o dia 27de agosto. Porém, nos enviaram um comunicado dizendo que a entrega foi adiada para 10 de setembro, simplesmente mudando a data sem uma justificativa plausível e sem se importar com os compradores”, desabafa outra moradora.

 

Muitos pediram folga do serviço para estarem presentes, outros pagam aluguel e precisam entregar o imóvel, enquanto a obra, que já está pronta, sofre com a ação de vândalos. Além disso, os juros de obra estão ultrapassando o valor da parcela e várias pessoas já começaram a pagar a primeira prestação da casa sem que ela tenha sido entregue.”

 

 

Posição da BRN Construtora

 

O Portal Araraquara Agora entrou em contato com a BRN Construtora, questionando quais seriam os procedimentos que motivaram o adiamento e se haveria algum tipo de compensação financeira para os compradores afetados. Em resposta, a empresa limitou-se a informar: “Vamos apurar mais informações sobre o assunto e retornamos com vocês”. Até o fechamento desta matéria, não houve novo posicionamento.

 

 

Histórico de atrasos

 

Essa não é a primeira vez que os compradores do Residencial São Lucas enfrentam adiamentos. Em matéria publicada no dia 5 de agosto de 2025, moradores já haviam denunciado o descumprimento dos prazos. Segundo eles, o Habite-se dos módulos 1 e 2 foi liberado pela Prefeitura de Araraquara no dia 25 de julho, mas, mesmo assim, as casas não foram entregues.

 

A administração municipal confirmou a emissão do documento e informou que não há mais pendências técnicas ou documentais junto ao Município. Ressaltou ainda que não é responsabilidade da Prefeitura fiscalizar prazos de entrega em contratos de iniciativa privada.

 

Enquanto isso, os compradores relatam que continuam pagando aluguéis e juros de obra sem previsão para a mudança. Alguns já tiveram que deixar imóveis alugados e buscar novas moradias temporárias.

 

Incerteza sobre o futuro

 

Apesar da promessa de entrega em setembro, o clima entre os moradores é de desconfiança. Muitos relatam que já realizaram vistorias, mas encontraram falhas estruturais, como vidros quebrados, rachaduras, manchas e fechaduras danificadas. Mesmo após reprovação, não houve retorno satisfatório da construtora.

 

 

Estamos pagando juros, aluguel e vivendo incertezas. Já era para estarmos em nossas casas. Queremos apenas que cumpram com a palavra”, resumiu uma moradora.


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