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Prefeitura de Araraquara não reconhece como oficial áudio sobre privatização do DAAE

‘Desprovido de qualquer caráter oficial ou institucional’, ressalta executivo

Cassiane Chagas|· 4 min de leitura
Prefeitura de Araraquara não reconhece como oficial áudio sobre privatização do DAAE
Executivo afirma que não há decisão sobre privatização do DAAE e que todo processo seguirá legalidade.

 

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A Prefeitura de Araraquara respondeu oficialmente à Câmara Municipal sobre o polêmico áudio atribuído ao superintendente do Departamento Autônomo de Água e Esgotos (DAAE), William Thomaz Maréga, que circulou em julho deste ano. O caso gerou debate público ao levantar suspeitas de que o município estudaria a privatização da autarquia. Relembre o caso.

 

A resposta foi enviada após Requerimento, apresentado pelo vereador Alcindo Sabino (PT), que pediu esclarecimentos sobre as declarações contidas no material divulgado em redes sociais e veículos de imprensa.

 

Segundo o Executivo, a “Administração Municipal reafirma seu compromisso com a transparência” e destacou que todos os atos de interesse público, incluindo a visita do prefeito Dr. Lapena (PL) a São Paulo para conhecer o Programa Universaliza SP, foram noticiados previamente nos canais oficiais de comunicação e pela imprensa.

 

O município ressaltou que o áudio não é reconhecido como manifestação oficial, já que sua autoria não foi identificada e sua autenticidade não foi comprovada. “Trata-se de conteúdo veiculado exclusivamente em redes privadas de comunicação, desprovido, portanto, de qualquer caráter oficial ou institucional”, afirmou a nota da Prefeitura.

 

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O que diz o áudio atribuído ao superintendente

 

O caso teve início em 23 de julho, quando o Jornal da EP, da Rádio EP FM, revelou a gravação. O material, atribuído ao superintendente do DAAE, trazia declarações que divergiam das falas públicas do prefeito sobre o estudo de uma possível privatização.

 

Segundo o áudio, a documentação sobre o tema teria sido assinada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Alberto Ferreira, e poderia envolver o uso indevido de credenciais funcionais.

 

 

Além disso, a gravação sugere que o governo municipal estudaria uma Parceria Público-Privada (PPP) envolvendo o DAAE.

 

Em outro trecho, a voz atribuída a Maréga afirma que o estudo não começou na gestão anterior (de Edinho Silva), como teria dito o atual prefeito (Lapena), mas sim no atual governo.

 

“Ele (Lapena) disse que quem começou a fase 1 foi o Edinho (ex-prefeito), mas não é verdade. Esse projeto foi começado este ano e foi começado por eles (Governo Lapena). Eles aderiram ao programa (Universaliza)”, diz o áudio.

 

O conteúdo ainda mostrava receio sobre realizar uma PPP em Araraquara. “Ele (Lapena) fala em fazer uma Parceria Público-Privada, mas ele acha que vai fazer uma parceria só com o esgoto? Se é só o esgoto, então defina isso. De acordo com o que a gente está vendo seria uma boa saída, mas não fazer a parceria com o Daae inteiro”.

 

Saiba mais, AQUI.

 

 

Repercussão política

 

As declarações atribuídas ao superintendente geraram forte reação de vereadores da oposição. Em nota conjunta divulgada em agosto, parlamentares de partidos como PT, PCdoB e MDB classificaram a adesão ao programa estadual como “inadmissível” e alertaram para riscos à soberania municipal.

 

 

“O DAAE é do povo de Araraquara. Não será entregue a empresários por interesses políticos ou eleitorais”, destacou o documento, lembrando que a autarquia é considerada referência nacional em saneamento, com 100% de cobertura de água e esgoto tratado e situação financeira saudável.

 

 

O posicionamento da Prefeitura e do DAAE

 

O Executivo frisou que a adesão ao Universaliza SP não obriga a aceitação de propostas de PPP e que qualquer alteração na gestão da autarquia só ocorrerá mediante processo legal e ampla divulgação à população.

 

O comunicado oficial também reforçou que o DAAE é uma autarquia municipal autônoma, responsável por responder diretamente a questionamentos sobre a sua administração. A Prefeitura informou que o próprio superintendente já adotou medidas cabíveis para resguardar seus interesses pessoais.

 

 

Negou

 

Na época, Marega negou ser autor do áudio e levantou a possibilidade de que a gravação tenha sido manipulada com uso de inteligência artificial.

 

 

“É a minha voz, mas não fui eu quem produziu. Estou tranquilo, isso não vai abalar nem o DAAE, nem minha relação com o prefeito”, declarou.

 

 

Pedido de investigação

 

Apesar da nota da Prefeitura, o vereador Alcindo Sabino considerou a resposta “insuficiente e evasiva”. Segundo ele, o Executivo não respondeu sobre a instauração de processo administrativo ou realização de perícia técnica no áudio, pontos que seriam fundamentais para esclarecer as suspeitas.

 

 

“O caso exige a máxima transparência e rigor, por envolver uma autarquia fundamental para a cidade. A população de Araraquara merece esclarecimentos claros e documentados”, afirmou o parlamentar.

 

 

O que é o Programa Universaliza SP

 

A Prefeitura explicou que a adesão ao programa estadual tem como objetivo ampliar investimentos em saneamento básico. Entre os desafios está a construção da Fase 3 da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), orçada em R$ 137 milhões, valor considerado inviável de ser custeado apenas com recursos municipais.

 

O Governo do Estado já iniciou a segunda fase do Universaliza SP, com análise regional dos sistemas de abastecimento e esgotamento. No entanto, a Prefeitura reforçou que o DAAE continuará existindo e que “qualquer decisão será tomada com diálogo e transparência com a população”.

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