Arborização urbana
Araraquara tem 3,5 mil árvores na fila por poda ou remoção, aponta Secretaria
Déficit se acumula por falta de equipes; gestão prevê reforço no orçamento de 2026 e parceria com a CPFL para acelerar serviços

Araraquara enfrenta um dos maiores desafios recentes na área de arborização urbana. De acordo com o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Valter “Laxixa” Rozatto, cerca de 3,5 mil árvores aguardam poda ou retirada. A fila crescente é consequência direta da falta de equipes suficientes para atender a demanda, que aumenta em ritmo mais acelerado do que a capacidade de execução dos serviços. Somente entre janeiro e novembro deste ano, foram 3.410 podas e 501 remoções concluídas. No entanto, com aproximadamente 130 mil árvores distribuídas pela área urbana, sem contar parques, praças e áreas de lazer, o volume de solicitações da população supera, e muito, a força operacional disponível.
O secretário explicou a situação durante Sessão Extraordinária da Câmara Municipal, realizada nesta semana. Ele e o secretário de Meio Ambiente, Carlos Alberto Ferreira, foram convocados para prestar esclarecimentos conforme o Requerimento nº 1981/2025, de autoria do vereador Coronel Prado (Novo).
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Déficit e limitações das equipes atuais
Segundo Laxixa, a Secretaria de Obras só executa os serviços após a emissão de laudos da Secretaria de Meio Ambiente, etapa obrigatória para qualquer intervenção. Porém, a capacidade de execução é baixa, pois apenas duas equipes atuam atualmente, sendo uma da empresa terceirizada Ecosystem e outra formada por servidores municipais já aposentados.
A empresa Ecosystem conta com oito trabalhadores, entre podadores, motoristas e ajudantes. Sua capacidade diária é de 17 podas e 7 remoções. Já a equipe da Prefeitura, composta por nove profissionais, realiza cerca de 5 podas e 6 remoções por dia, além de prestar auxílio em outros serviços da pasta e cumprir uma jornada de seis horas diárias.
Com essas limitações, o acúmulo é inevitável. De acordo com Laxixa, o município tem hoje 1,8 mil árvores aguardando remoção e 1,7 mil pendentes de poda. Ele reforçou que não houve autorização financeira para ampliar o número de equipes, o que impede a aceleração dos serviços.

Serviço chegou a ficar paralisado no ano passado
Outro fator que pesou no acúmulo foi a interrupção dos serviços no final do ano passado, quando o contrato com a empresa Ecosystem foi suspenso em outubro. A retomada ocorreu somente em janeiro deste ano, já na nova gestão, ocasionando impacto direto na fila de solicitações.
Durante parte do primeiro semestre, a administração decidiu priorizar a limpeza urbana, devido ao grande volume de mato acumulado nas áreas públicas. “Terminamos a limpeza da cidade em 31 de julho, no sétimo mês”, explicou Laxixa, indicando que essa prioridade reduziu temporariamente a capacidade de atender demandas arborísticas.
Quanto seria necessário?
Para equilibrar a demanda, a Secretaria de Obras estima que seriam necessárias ao menos:
- 2 equipes de poda,
- 2 equipes de remoção,
- 1 equipe de destocamento (retirada de tocos).
O investimento mensal subiria de R$ 100 mil para R$ 278 mil. Ainda assim, o secretário afirmou que incluiu a previsão dessa ampliação no Orçamento de 2026, e agora aguarda autorização da área financeira. “Eu tenho o orçamento, só me resta saber se eu vou ter financeiro”, disse.
Parceria com a CPFL pode aliviar a fila
Uma alternativa em andamento é uma parceria com a CPFL Energia, concessionária responsável pelo sistema elétrico local. Segundo o secretário, a empresa deve realizar a retirada e o destocamento de 800 árvores que oferecem risco à rede elétrica. O replantio ficará sob responsabilidade da Prefeitura. A medida pode reduzir significativamente o déficit atual.
Como funcionam os laudos e vistorias
O secretário de Meio Ambiente, Carlos Alberto Ferreira, explicou que sua pasta é responsável pelas vistorias técnicas e emissão de laudos. Até agora, a Divisão de Floresta Urbana recebeu 863 protocolos referentes a árvores, dos quais 602 já tiveram resposta, um desempenho de 70%.
Além dos protocolos do cidadão, ainda há os processos administrativos, que incluem pedidos de vereadores, órgãos públicos e do Ministério Público. No total, foram recebidos 1.378 processos, com 1.245 laudos elaborados, o que representa 90% de atendimento.
Somente a Câmara Municipal encaminhou 372 solicitações, todas devidamente analisadas. Ferreira destacou que o setor enfrentou dificuldades nos meses de março, abril e maio por falta de funcionários, o que prejudicou o ritmo de respostas. Ele também ressaltou o empenho dos servidores, que chegam a trabalhar fora do horário sem receber horas extras para reduzir atrasos.
Sessão Extraordinária é interrompida por falta de quórum
Após as explanações dos secretários, a sessão estava aberta para questionamentos dos vereadores. No entanto, a reunião foi encerrada por falta de quórum, já que o número mínimo de dez parlamentares presentes não foi atingido. Além dos secretários convocados, também estiveram presentes subsecretários e outros servidores das pastas de Obras e Meio Ambiente.
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Fonte: Câmara Araraquara.
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