Os servidores municipais de Araraquara decidiram não iniciar greve após assembleia realizada na noite desta quinta-feira (21). A decisão foi anunciada pelo presidente do SISMAR, Gustavo Jacobucci, que afirmou que, apesar da insatisfação da categoria, não houve adesão suficiente para deflagrar paralisação nesta sexta-feira (22). Segundo o dirigente sindical, a reunião foi marcada por amplo debate entre os trabalhadores sobre a campanha salarial da data-base 2026.
“Apesar da insatisfação, do sentimento de desprezo e desvalorização, não havia quantidade suficiente para iniciar uma greve”, declarou Jacobucci em transmissão do sindicato.
Mesmo sem paralisação, a mobilização dos servidores continua. Entre os encaminhamentos aprovados está a participação na sessão da Câmara Municipal na próxima terça-feira (26), a partir das 15h, na Tribuna Popular, além de uma nova reunião da categoria, marcada para às 18h do mesmo dia, para debater os rumos da campanha salarial.
A decisão ocorre em meio ao impasse entre a Prefeitura de Araraquara e o sindicato na negociação da data-base dos servidores. Recentemente, a administração municipal rejeitou a contraproposta apresentada pelo SISMAR, alegando limitações financeiras e impedimentos legais relacionados à situação fiscal do município.
Em resposta enviada ao sindicato, o governo do prefeito Lapena (PL) argumentou que as contas municipais enfrentam restrições previstas no artigo 167-A da Constituição Federal, mecanismo que impõe limitações quando despesas correntes atingem níveis considerados críticos. Segundo a Prefeitura, o cenário atual não permite atender às reivindicações apresentadas pela categoria.
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O projeto encaminhado pelo Executivo à Câmara prevê:
➡ 4,39% de reajuste salarial, referente à reposição inflacionária;
➡ manutenção do vale-alimentação em R$ 640, sem reajuste;
➡ duas faltas abonadas em caráter experimental.
A proposta foi rejeitada pelos servidores. Entre as reivindicações defendidas pelo sindicato estão:
➡ salário base de R$ 2.300;
➡ vale-alimentação de R$ 1.150;
➡ três faltas abonadas permanentes, sem descontos e sem caráter experimental.
O vale-alimentação aparece como um dos principais pontos de divergência nas negociações. Segundo o sindicato, além do reajuste salarial, a categoria reivindica uma revisão mais ampla na estrutura de remuneração diante do aumento do custo de vida.
Durante a assembleia, a deputada estadual Thainara Faria (PT) também se manifestou sobre o cenário das negociações. Segundo a parlamentar, a valorização dos servidores depende da retomada do diálogo entre administração e trabalhadores.
“A negociação está aberta, basta o governo querer. Valorizar servidor não é favor, é obrigação”, afirmou.
Apesar da manutenção das conversas e das mobilizações previstas, o sindicato reforçou que, neste momento, “não há greve” entre os servidores municipais de Araraquara.
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