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DEBATES ACALORADOS

Título a deputado Adilson Barroso (PL) e debate sobre aborto legal marcam sessão da Câmara de Araraquara

Sessão foi marcada por votação polêmica, falha em sistema de sigilo e embate ideológico sobre direitos de crianças vítimas de estupro

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Título a deputado Adilson Barroso (PL) e debate sobre aborto legal marcam sessão da Câmara de Araraquara
Título a Adilson Barroso e debate sobre aborto legal dominam sessão da Câmara de Araraquara e provocam embates entre vereadores Imagem: Câmara Araraquara/ divulgação.

 

A proposta que confere a honraria de título de Cidadão Araraquarense ao deputado federal Adilson Barroso (PL) foi um dos temas debatidos durante a sessão da Câmara de Araraquara, realizada nesta terça-feira (9). A proposta, apresentada pelo vereador Enfermeiro Delmiran (PL), foi aprovada por maioria dos parlamentares. Segundo o autor da homenagem, o reconhecimento é resultado da contribuição do deputado para o município por meio da destinação de recursos para áreas estratégicas.

Adilson Barroso é pai da deputada estadual paulista Fabiana Bolsonaro. De acordo com a justificativa apresentada em plenário, o parlamentar enviou mais de R$ 700 mil para a Saúde de Araraquara, além de viabilizar uma viatura para a Guarda Civil Municipal. Também foi citada a articulação de novos recursos voltados à modernização tecnológica da rede municipal de saúde.

Porém, o que deveria ser uma votação secreta acabou gerando desconforto entre vereadores após uma falha técnica no sistema eletrônico expor os votos dos parlamentares.

O presidente da Câmara, Rafael de Angeli (Republicanos), reconheceu o problema e afirmou que a situação será investigada. "Foi alguma coisa, não foi programada ou algo deu errado na programação. A gente vai verificar o que aconteceu para resolver e não ter mais o problema."

Falha operacional no painel de votação tornou públicos os votos dos parlamentares antes da conclusão do processo
Falha operacional no painel de votação tornou públicos os votos dos parlamentares antes da conclusão do processo

A vereadora Fabi Virgílio (PT) criticou duramente o episódio e classificou o ocorrido como uma falha grave no cumprimento do regimento interno. "Se a sessão é secreta, o voto não tem que ser publicizado."

Ela também cobrou providências para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. "Foi um descuido que não pode se repetir." Apesar da polêmica envolvendo o sistema de votação, a proposta foi aprovada com 14 votos favoráveis, apenas um contrário, da vereadora Filipa Brunelli (PT) e dois vereadores ausentes.

Para apoiadores da homenagem, o reconhecimento é uma forma de valorizar parlamentares que conseguem trazer investimentos para a cidade. Já os votos contrários refletiram divergências políticas em relação ao homenageado.

 

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Aborto legal provoca embate ideológico entre vereadores

Outro tema que dominou os debates da sessão foi a aprovação da Moção de Repúdio ao Senado Federal pela aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 03/2025. O Requerimento nº 1315/2026, apresentado pela Comissão Especial de Estudos "Direitos das Mulheres e das Meninas", critica a suspensão da Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), norma que estabelece diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.

O debate dividiu o plenário entre defensores da manutenção da resolução e parlamentares favoráveis ao projeto aprovado pelo Senado. Ao defender a moção, a vereadora Fabi Virgílio (PT) fez um discurso contundente em defesa das crianças vítimas de estupro.

"Criança não é mãe e o estuprador não é pai."

A parlamentar argumentou que a proposta representa uma forma de controle sobre os corpos femininos. "Trata-se de um projeto institucional de controle e punição de mulheres."

Já o Delmiran (PL) sustentou que o objetivo do PDL não é impedir o atendimento médico, mas garantir mecanismos de investigação criminal. "O objetivo central deste projeto é sustar os efeitos da resolução número 258 do Conanda."

Segundo ele, a norma teria flexibilizado critérios relacionados ao aborto legal em menores de idade e retirado exigências consideradas importantes para a investigação dos crimes. "Tentaram afrouchar os critérios para a realização do aborto em menores de idade e retirar a obrigatoriedade da notificação policial."

O ponto mais controverso do debate envolveu a preservação de provas biológicas para identificação dos autores de violência sexual. Delmiran argumentou que o material genético presente na gestação pode ser fundamental para a investigação criminal. "O feto resultante de uma violência sexual contém o código genético do estuprador."

O vereador acrescentou: "Esse material é uma prova pericial, um rastro para identificar por meios de exames de DNA quem cometeu o crime."

 

Em resposta, a vereadora Maria Paula (PT) rebateu a tese defendida pelo parlamentar. "Rastro do crime é uma criança grávida."

 

Ela ressaltou que a legislação brasileira considera estupro toda gravidez envolvendo menores de 14 anos. "Toda criança menor de 14 anos grávida é fruto de um estupro perante a lei."

Vereadores debateram Moção de Repúdio ao Senado Federal pela suspensão de resolução que estabelece diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual
Vereadores debateram Moção de Repúdio ao Senado Federal pela suspensão de resolução que estabelece diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual

A vereadora Filipa Brunelli (PT) também entrou no debate ao contestar a necessidade da manutenção da gestação para preservação das provas. Segundo ela, os avanços científicos permitem o armazenamento do material genético do agressor independentemente da continuidade da gravidez. Ela argumentou que, ao realizar o procedimento de interrupção, é possível guardar o DNA para fins de prova criminal.

 

"Se um DNA consegue ficar armazenado em um mamute que foi extinto há milhares de anos, vocês acham que o DNA de um estuprador não vai ficar armazenado durante meses? Reflitam um pouco".

 

A moção acabou aprovada por maioria, evidenciando a predominância da posição favorável à manutenção das diretrizes atualmente previstas pelo Conanda.

 

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Vale lembrar que ficou sem votação o Requerimento nº 1319/2026, apresentado por vereadores do PL, Novo e Republicanos, que propunha uma Moção de Repúdio a uma manifestação institucional do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar) em defesa de um agente político.

Já o Requerimento nº 1324/2026, de autoria de vereadores do PT e do PCdoB, foi rejeitado pelo plenário. O documento solicitava informações ao governador de São Paulo sobre o Programa UniversalizaSP e a eventual participação de Araraquara na iniciativa.

 

Projetos aprovados

A sessão também aprovou projetos de impacto direto para a população. Entre eles está a proposta que estabelece que editais de concursos públicos, processos garantam aos candidatos com diabetes tipo 1 (DM1) o direito de utilizar insulina, sensores de monitoramento, bombas de infusão e alimentos durante concursos públicos e processos seletivos municipais.

Os vereadores também aprovaram a inclusão da Run Damha's Corrida e Caminhada e da Corrida e Caminhada de São Bento no calendário oficial de eventos da cidade. Outras matérias aprovadas deram nomes a novas vias públicas de Araraquara. Avenida Beatriz Thereza Papandré e Rua Itiberê Corrêa Lemos a duas vias do Loteamento Torino Residencial e o nome de Avenida Professor Doutor Elcio Marcantonio a uma via do Loteamento Milano Residencial.

 

Crises administrativas seguem preocupando vereadores

A sessão também foi marcada por manifestações relacionadas à situação financeira do município. Trabalhadores terceirizados da empresa Rio Forte denunciaram atrasos salariais e falta de equipamentos básicos para o trabalho.

Parlamentares ainda demonstraram preocupação com relatos de falta de materiais de higiene em escolas, dificuldades no transporte escolar especializado e desafios enfrentados pela Unesp diante das incertezas sobre financiamento da universidade.

 

Portal Araraquara Agora apresenta um Raio-X dos principais problemas apontados na sessão da Câmara:

Denúncia / Problema

Resposta do Governo / Estado Atual

Empresa Rio Forte

Atrasos salariais e falta de uniformes e coturnos. Pagamento de 50% efetuado após pressão parlamentar.

Educação Municipal

Relatos de falta de papel higiênico e sabão em pó. Crise no transporte escolar especial afetando 700 alunos.

Transporte Especial

Risco crítico: a nova licitação deve levar entre 30 e 45 dias para ser concluída, mantendo o serviço instável.

Saúde (UPAs / Medicamentos)

Superlotação crônica. Indicador de melhora: a falta de medicamentos na rede caiu de 80 para 49 itens.

UNESP

Déficit de R$ 189 milhões. Risco estrutural: a transição do ICMS para o IBS gera incerteza sobre o financiamento futuro.

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