POLÊMICA | EDUCAÇÃO
Professores reagem após Lapena dizer que ‘educação joga contra’ e cobram retratação
Declaração do prefeito durante ligação transmitida ao vivo gerou nota de repúdio de profissionais da rede municipal, críticas da oposição e ampla repercussão nas redes sociais

A declaração do prefeito Lapena (PL) de que a "educação joga contra" a administração municipal provocou forte reação entre profissionais da Rede Municipal de Ensino de Araraquara. A fala, feita durante uma ligação telefônica transmitida ao vivo pelo vereador Baldassari (Novo) nas redes sociais, desencadeou uma onda de manifestações de servidores, sindicatos, moradores e representantes políticos, ampliando o debate sobre a situação enfrentada pelas escolas municipais.
Como resposta, profissionais da Educação divulgaram uma Nota de Repúdio na qual classificam a declaração como injusta, desrespeitosa e incompatível com a realidade vivida diariamente nas unidades escolares.
Segundo o documento, os trabalhadores da rede são responsáveis por garantir o funcionamento das escolas, acolher estudantes, atender famílias, organizar o trabalho pedagógico e assegurar o direito constitucional à educação, mesmo diante de dificuldades estruturais e operacionais.
"A Educação de Araraquara não joga contra a cidade. A Educação é parte essencial da cidade", afirma um dos trechos da nota divulgada pela categoria.
- Bancos mudam horário de atendimento nos dias de jogos do Brasil na Copa
- Vereador Balda ‘entrega’ prefeito Lapena ao vivo: ‘educação joga contra’
- Secretário defende terceirização de vagas na educação em Araraquara: ‘chegou o momento’
Profissionais apontam falta de investimentos e condições de trabalho
No documento, os educadores argumentam que apontar problemas não significa atuar contra a administração pública. Pelo contrário, segundo eles, a verdadeira ameaça à educação seria ignorar dificuldades enfrentadas diariamente pelas escolas.
Entre as críticas apresentadas estão o veto a emendas parlamentares destinadas à Educação, a interrupção de programas educacionais, a redução de iniciativas de reforço escolar e os problemas relacionados ao fornecimento de materiais básicos.
Os profissionais também relatam dificuldades causadas pela falta de servidores em diferentes áreas, incluindo professores, educadores, merendeiras e equipes de apoio. Segundo a nota, muitas unidades dependem da improvisação diária de gestores e servidores para manter atividades consideradas essenciais.
“Gestão pública séria não se faz pela busca de culpados. Faz-se por meio do diálogo, da escuta, do planejamento, da valorização dos servidores, da recomposição dos quadros profissionais, da garantia de infraestrutura adequada, do respeito às comunidades escolares e de uma gestão de pessoas alinhada ao conhecimento científico e aos princípios da humanização”, diz a nota.
Outro ponto destacado é que esta não seria a primeira vez que a categoria se sente atingida por declarações do prefeito. Os profissionais recordam manifestações feitas no início do ano que, segundo eles, colocaram em dúvida a capacidade dos educadores da rede municipal. "A Educação municipal de Araraquara conta com profissionais qualificados, experientes e comprometidos", ressalta a nota.
"O que falta não é dedicação dos trabalhadores. O que faltam são condições mínimas de trabalho, investimentos consistentes, valorização profissional e planejamento capaz de responder aos desafios reais enfrentados pelas escolas".
Categoria pede retratação e abertura de diálogo
Além de manifestar repúdio à declaração, o documento apresenta uma série de reivindicações ao Executivo Municipal.
Entre elas estão:
➡ Retratação pública do prefeito;
➡ Garantia permanente de materiais básicos para as escolas;
➡ Recomposição urgente das equipes pedagógicas e de apoio;
➡ Regularização das condições de trabalho de profissionais terceirizados;
➡ Retomada de programas educacionais interrompidos;
➡ Criação de um canal permanente de diálogo entre a administração municipal e os trabalhadores da Educação.
Os profissionais defendem que a melhoria da qualidade do ensino depende de investimentos, planejamento, valorização dos servidores e fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação. “Acreditamos que liderar é unir pessoas em torno de soluções. Liderar é ouvir quem está na linha de frente”.
“Liderar é reconhecer problemas para enfrentá-los com transparência, responsabilidade e compromisso, garantindo, assim, melhores resultados para toda a comunidade escolar”, ressalta a nota de repúdio.
SISMAR divulgam nota de repúdio
O Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), também divulgou nota de repúdio após frase do prefeito. No documento, a categoria classifica a fala como "injusta, desrespeitosa e incompatível com a realidade vivida diariamente nas escolas", rebatendo a afirmação de que a Educação atuaria contra a administração municipal.
Os profissionais destacam que são eles os responsáveis por acolher estudantes, atender famílias, organizar o trabalho pedagógico e garantir o funcionamento das unidades escolares, mesmo diante de dificuldades estruturais e da falta de recursos.
A nota também associa os problemas enfrentados pela rede a questões administrativas, citando a falta de materiais básicos, equipes incompletas, interrupção de programas educacionais e dificuldades relacionadas a serviços terceirizados. “Jogar contra a Educação não é apontar problemas. Jogar contra a Educação é ignorá-los, minimizá-los ou deixar de enfrentá-los”, afirma um trecho do documento.
“Tal postura não apenas desinforma a população, como também ataca diretamente a honra, a dignidade e o trabalho sério de profissionais que sustentam, diariamente, a educação pública mesmo diante de inúmeras dificuldades, falta de recursos e sobrecarga de responsabilidades”.
A manifestação foi compartilhada nas redes sociais e ampliou o debate sobre a crise enfrentada pelas escolas municipais.

Diretores também reagem a acusações
A repercussão aumentou após a divulgação da nota, desta vez em defesa de diretores escolares. O documento rebate declarações que teriam sugerido que gestores escolares "inventaram" paralisações e suspensão de aulas.
Segundo a manifestação, as acusações representam um ataque à honra e à credibilidade de profissionais que enfrentam diariamente problemas relacionados à infraestrutura, falta de recursos e redução de equipes. "Diretores e diretoras não inventam problemas. Eles lidam com a realidade concreta das escolas", destaca um dos trechos da nota.
Os gestores afirmam que qualquer alteração no funcionamento das unidades ocorre com base em situações reais e devidamente justificadas, especialmente quando não existem condições adequadas para receber estudantes e funcionários.
Relatos reforçam cenário de dificuldades
Nas redes sociais, diversos profissionais compartilharam relatos sobre a realidade enfrentada nas escolas municipais. Uma diretora afirmou que sua equipe convive diariamente com desafios relacionados à falta de materiais, redução de pessoal e problemas estruturais nos prédios escolares.
Segundo ela, o trabalho das equipes consiste em buscar soluções constantes para garantir que os alunos continuem sendo atendidos.
"Mesmo diante de tantas limitações, não medimos esforços para que o processo educativo aconteça com qualidade porque temos a convicção de que a educação transforma vidas", escreveu.
Outros profissionais também manifestaram preocupação com o que classificam como uma sequência de ataques à categoria. "Professores foram chamados de incompetentes, agora diretores são chamados de mentirosos. Esses ataques não podem mais acontecer com os servidores", comentou uma educadora.
Entre os moradores, também surgiram críticas à condução da administração municipal. Algumas mensagens relacionaram problemas enfrentados na educação a dificuldades observadas em outras áreas da gestão pública.
Suspensão de aulas ampliou tensão
A polêmica ganhou força após a paralisação de trabalhadores terceirizados responsáveis pelos serviços de limpeza e manutenção em prédios públicos. Sem equipes suficientes para garantir condições adequadas de higiene, diversas creches e Centros de Educação e Recreação (CERs) precisaram suspender atividades. Pais relataram transtornos de precisar reorganizar a rotina para cuidar dos filhos.
A situação também reacendeu debates sobre atrasos em pagamentos de empresas terceirizadas e sobre a capacidade da administração municipal de manter contratos considerados essenciais para o funcionamento da rede pública.
Vereadores entram no debate
A repercussão chegou rapidamente ao meio político. A vereadora Fabi Virgílio (PT) compartilhou o vídeo da ligação e criticou duramente a declaração atribuída ao prefeito. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que a educação não poderia ser responsabilizada pelos problemas enfrentados pelo município e relacionou a crise a questões administrativas da Prefeitura.
"Você enxerga a educação como inimiga — e ela não é", escreveu.
Como tudo começou
A polêmica começou durante uma transmissão ao vivo realizada pelo vereador Baldassari (Novo) em suas redes sociais, na tarde da última quarta-feira (10). Ao comentar os impactos da paralisação de trabalhadores terceirizados que afetou o funcionamento de escolas municipais, o parlamentar decidiu telefonar para o prefeito Lapena (PL) para obter informações sobre a situação.
Sem perceber que a conversa estava sendo transmitida aos internautas por meio do viva-voz do celular, o prefeito atendeu a ligação e durante a rápida conversa, Lapena afirmou: "Vou dizer a você, a educação joga contra".
A declaração foi imediatamente captada pela transmissão e passou a circular nas redes sociais, provocando forte repercussão entre educadores, servidores públicos, pais de alunos e lideranças políticas da cidade.
Logo após a frase, Baldassari encerrou a ligação, agradeceu a participação do prefeito e informou aos espectadores que ele não concederia entrevista naquele momento. O vídeo rapidamente ganhou ampla divulgação e desencadeou a série de manifestações públicas.
🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm
Leia também
- Caça nacional

Caça Gripen E montado no Brasil faz primeiro voo em Gavião Peixoto
- Pequenos leitores

Prêmio FliSolzinha tem três vencedores após empate em Araraquara
- Operação Maria Bonita

VÍDEO: DISE prende grupo suspeito de comandar tráfico na zona norte de Araraquara
- Literatura na estrada

Exposições da FliSol sobre Itamar e Djamila já estão em cartaz
- Economia criativa

Feira Parque em Cena terá carnaval retrô no Dia das Crianças


