Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Publicidade
MRV — Residencial Flora
Publicidade

POLÊMICA | EDUCAÇÃO

Professores reagem após Lapena dizer que ‘educação joga contra’ e cobram retratação

Declaração do prefeito durante ligação transmitida ao vivo gerou nota de repúdio de profissionais da rede municipal, críticas da oposição e ampla repercussão nas redes sociais

Cassiane Chagas|· 7 min de leitura
Professores reagem após Lapena dizer que ‘educação joga contra’ e cobram retratação
Educação reage após fala de Lapena e cobra retratação pública Foto ilustrativa: Arquivo/ Prefeitura Ararauara.

A declaração do prefeito Lapena (PL) de que a "educação joga contra" a administração municipal provocou forte reação entre profissionais da Rede Municipal de Ensino de Araraquara. A fala, feita durante uma ligação telefônica transmitida ao vivo pelo vereador Baldassari (Novo) nas redes sociais, desencadeou uma onda de manifestações de servidores, sindicatos, moradores e representantes políticos, ampliando o debate sobre a situação enfrentada pelas escolas municipais.

Como resposta, profissionais da Educação divulgaram uma Nota de Repúdio na qual classificam a declaração como injusta, desrespeitosa e incompatível com a realidade vivida diariamente nas unidades escolares.

Segundo o documento, os trabalhadores da rede são responsáveis por garantir o funcionamento das escolas, acolher estudantes, atender famílias, organizar o trabalho pedagógico e assegurar o direito constitucional à educação, mesmo diante de dificuldades estruturais e operacionais.

 

"A Educação de Araraquara não joga contra a cidade. A Educação é parte essencial da cidade", afirma um dos trechos da nota divulgada pela categoria.

 

Leia Também

 

Profissionais apontam falta de investimentos e condições de trabalho

No documento, os educadores argumentam que apontar problemas não significa atuar contra a administração pública. Pelo contrário, segundo eles, a verdadeira ameaça à educação seria ignorar dificuldades enfrentadas diariamente pelas escolas.

Entre as críticas apresentadas estão o veto a emendas parlamentares destinadas à Educação, a interrupção de programas educacionais, a redução de iniciativas de reforço escolar e os problemas relacionados ao fornecimento de materiais básicos.

Os profissionais também relatam dificuldades causadas pela falta de servidores em diferentes áreas, incluindo professores, educadores, merendeiras e equipes de apoio. Segundo a nota, muitas unidades dependem da improvisação diária de gestores e servidores para manter atividades consideradas essenciais. 

 

“Gestão pública séria não se faz pela busca de culpados. Faz-se por meio do diálogo, da escuta, do planejamento, da valorização dos servidores, da recomposição dos quadros profissionais, da garantia de infraestrutura adequada, do respeito às comunidades escolares e de uma gestão de pessoas alinhada ao conhecimento científico e aos princípios da humanização”, diz a nota.

 

Outro ponto destacado é que esta não seria a primeira vez que a categoria se sente atingida por declarações do prefeito. Os profissionais recordam manifestações feitas no início do ano que, segundo eles, colocaram em dúvida a capacidade dos educadores da rede municipal. "A Educação municipal de Araraquara conta com profissionais qualificados, experientes e comprometidos", ressalta a nota.

 

"O que falta não é dedicação dos trabalhadores. O que faltam são condições mínimas de trabalho, investimentos consistentes, valorização profissional e planejamento capaz de responder aos desafios reais enfrentados pelas escolas".

 

Categoria pede retratação e abertura de diálogo

Além de manifestar repúdio à declaração, o documento apresenta uma série de reivindicações ao Executivo Municipal.

Entre elas estão:

➡ Retratação pública do prefeito;

➡ Garantia permanente de materiais básicos para as escolas;

➡ Recomposição urgente das equipes pedagógicas e de apoio;

➡ Regularização das condições de trabalho de profissionais terceirizados;

➡ Retomada de programas educacionais interrompidos;

➡ Criação de um canal permanente de diálogo entre a administração municipal e os trabalhadores da Educação.

Os profissionais defendem que a melhoria da qualidade do ensino depende de investimentos, planejamento, valorização dos servidores e fortalecimento das políticas públicas voltadas à educação. “Acreditamos que liderar é unir pessoas em torno de soluções. Liderar é ouvir quem está na linha de frente”.

 

“Liderar é reconhecer problemas para enfrentá-los com transparência, responsabilidade e compromisso, garantindo, assim, melhores resultados para toda a comunidade escolar”, ressalta a nota de repúdio.

 

SIGA: FACEBOOK E INSTAGRAM

 

SISMAR divulgam nota de repúdio

 

O Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (SISMAR), também divulgou nota de repúdio após frase do prefeito. No documento, a categoria classifica a fala como "injusta, desrespeitosa e incompatível com a realidade vivida diariamente nas escolas", rebatendo a afirmação de que a Educação atuaria contra a administração municipal.

Os profissionais destacam que são eles os responsáveis por acolher estudantes, atender famílias, organizar o trabalho pedagógico e garantir o funcionamento das unidades escolares, mesmo diante de dificuldades estruturais e da falta de recursos.

A nota também associa os problemas enfrentados pela rede a questões administrativas, citando a falta de materiais básicos, equipes incompletas, interrupção de programas educacionais e dificuldades relacionadas a serviços terceirizados. “Jogar contra a Educação não é apontar problemas. Jogar contra a Educação é ignorá-los, minimizá-los ou deixar de enfrentá-los”, afirma um trecho do documento.

 

“Tal postura não apenas desinforma a população, como também ataca diretamente a honra, a dignidade e o trabalho sério de profissionais que sustentam, diariamente, a educação pública mesmo diante de inúmeras dificuldades, falta de recursos e sobrecarga de responsabilidades”.

 

A manifestação foi compartilhada nas redes sociais e ampliou o debate sobre a crise enfrentada pelas escolas municipais.

 

 

Diretores também reagem a acusações

A repercussão aumentou após a divulgação da nota, desta vez em defesa de diretores escolares. O documento rebate declarações que teriam sugerido que gestores escolares "inventaram" paralisações e suspensão de aulas.

Segundo a manifestação, as acusações representam um ataque à honra e à credibilidade de profissionais que enfrentam diariamente problemas relacionados à infraestrutura, falta de recursos e redução de equipes. "Diretores e diretoras não inventam problemas. Eles lidam com a realidade concreta das escolas", destaca um dos trechos da nota.

Os gestores afirmam que qualquer alteração no funcionamento das unidades ocorre com base em situações reais e devidamente justificadas, especialmente quando não existem condições adequadas para receber estudantes e funcionários.

 

Relatos reforçam cenário de dificuldades

Nas redes sociais, diversos profissionais compartilharam relatos sobre a realidade enfrentada nas escolas municipais. Uma diretora afirmou que sua equipe convive diariamente com desafios relacionados à falta de materiais, redução de pessoal e problemas estruturais nos prédios escolares.

Segundo ela, o trabalho das equipes consiste em buscar soluções constantes para garantir que os alunos continuem sendo atendidos.

 

"Mesmo diante de tantas limitações, não medimos esforços para que o processo educativo aconteça com qualidade porque temos a convicção de que a educação transforma vidas", escreveu.

 

Outros profissionais também manifestaram preocupação com o que classificam como uma sequência de ataques à categoria. "Professores foram chamados de incompetentes, agora diretores são chamados de mentirosos. Esses ataques não podem mais acontecer com os servidores", comentou uma educadora.

Entre os moradores, também surgiram críticas à condução da administração municipal. Algumas mensagens relacionaram problemas enfrentados na educação a dificuldades observadas em outras áreas da gestão pública.

 

Suspensão de aulas ampliou tensão

A polêmica ganhou força após a paralisação de trabalhadores terceirizados responsáveis pelos serviços de limpeza e manutenção em prédios públicos. Sem equipes suficientes para garantir condições adequadas de higiene, diversas creches e Centros de Educação e Recreação (CERs) precisaram suspender atividades. Pais relataram transtornos de precisar reorganizar a rotina para cuidar dos filhos.

A situação também reacendeu debates sobre atrasos em pagamentos de empresas terceirizadas e sobre a capacidade da administração municipal de manter contratos considerados essenciais para o funcionamento da rede pública.

 

Vereadores entram no debate

A repercussão chegou rapidamente ao meio político. A vereadora Fabi Virgílio (PT) compartilhou o vídeo da ligação e criticou duramente a declaração atribuída ao prefeito. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que a educação não poderia ser responsabilizada pelos problemas enfrentados pelo município e relacionou a crise a questões administrativas da Prefeitura.

 

"Você enxerga a educação como inimiga — e ela não é", escreveu.

 

Como tudo começou

A polêmica começou durante uma transmissão ao vivo realizada pelo vereador Baldassari (Novo) em suas redes sociais, na tarde da última quarta-feira (10). Ao comentar os impactos da paralisação de trabalhadores terceirizados que afetou o funcionamento de escolas municipais, o parlamentar decidiu telefonar para o prefeito Lapena (PL) para obter informações sobre a situação.

Sem perceber que a conversa estava sendo transmitida aos internautas por meio do viva-voz do celular, o prefeito atendeu a ligação e durante a rápida conversa, Lapena afirmou: "Vou dizer a você, a educação joga contra".

A declaração foi imediatamente captada pela transmissão e passou a circular nas redes sociais, provocando forte repercussão entre educadores, servidores públicos, pais de alunos e lideranças políticas da cidade.

Logo após a frase, Baldassari encerrou a ligação, agradeceu a participação do prefeito e informou aos espectadores que ele não concederia entrevista naquele momento. O vídeo rapidamente ganhou ampla divulgação e desencadeou a série de manifestações públicas.

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

 

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora