GREVE | EDUCAÇÃO
Secretário pede que servidores 'passem uma vassoura' durante greve de terceirizados em Araraquara
Leandro Guidolin fez a declaração durante coletiva da Prefeitura; paralisação afeta serviços de limpeza nas unidades da rede municipal de Educação

Atualização 10/092026 12h49
Durante uma coletiva de imprensa da Prefeitura de Araraquara, realizada na manhã desta quinta-feira (10), o secretário de Governo, Leandro Guidolin, afirmou que profissionais da Educação e servidores públicos poderiam colaborar com a limpeza das unidades municipais enquanto os trabalhadores terceirizados responsáveis pelo serviço permanecem em greve.
Guidolin defendeu que os servidores tenham participação nas medidas emergenciais adotadas para reduzir os impactos da paralisação.
“Em momento de crise grave, que os funcionários ajudem. Que todos tenham espírito público de que o prejudicado é a população de Araraquara. Pelo menos uma ajudinha”, afirmou.
O secretário citou como exemplo atividades simples de limpeza que poderiam ser realizadas pelos funcionários.
“Se dá para passar uma vassoura, se dá para tirar um lixo, eu peço encarecidamente”, disse.
A orientação, porém, provocou reação do SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região). Durante a coletiva, Guidolin também criticou a posição do sindicato, que orientou os servidores a não exercerem atividades que estejam fora de suas atribuições. “Vocês jogam contra a população de Araraquara quando vocês pedem que o funcionário não ajude”, afirmou o secretário.
Segundo Guidolin, a eventual colaboração dos funcionários não teria como objetivo beneficiar diretamente a administração municipal. “Não é ajudar o prefeito, não é ajudar administração, ajude a população”, declarou.
O secretário também afirmou que o SISMAR estaria “pregando o caos” ao orientar os servidores sobre suas atribuições durante a paralisação.
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SISMAR rebate cobrança
A representante do SISMAR, Suely Scodeler, contestou a avaliação de Guidolin. Segundo ela, o sindicato não incentivaria os funcionários a deixar de colaborar, mas defendendo que cada profissional cumpra as funções previstas para seu cargo.
“Ele disse que estávamos instigando os funcionários a não colaborarem. Ele é quem está instigando a população contra os servidores. O funcionário já está ajudando quando trabalha muito mais do que ele é para trabalhar. Porque falta gente em todas as unidades”, afirmou.
Suely também criticou a forma como o trabalho dos profissionais responsáveis pela limpeza estaria sendo tratado durante a discussão. “Todos têm a sua importância”, disse a representante, que classificou como inadequada a fala do secretário sobre os serviços de limpeza.
“Foi ridículo”, afirmou.
De acordo com o SISMAR, a paralisação tem provocado impactos diferentes entre os serviços municipais. A entidade afirma que a situação é especialmente grave na área da Educação.
Representantes do sindicato disseram ter visitado unidades municipais e encontrado locais com atividades comprometidas ou paralisadas. Segundo uma das representantes, o impacto sobre os alunos também deverá ser considerado caso seja necessária a reposição dos dias sem atendimento.
“O impacto é grande e essas crianças vão sofrer, vão ter que repor os dias e sabemos que o funcionário vai arcar com a reposição dos dias, mas o funcionário está trabalhando nestes dias”, afirmou.
O sindicato também defendeu que a Prefeitura seja responsável por encontrar uma solução para a falta dos profissionais terceirizados. “Isso é um problema da administração. Ela vai ter que ver se ela vai pagar horas extras para o funcionário, quem vai querer fazer, mas fato é que a educação está quase 100% parada”, declarou a representante.
A paralisação dos trabalhadores terceirizados ocorre em meio ao impasse entre a Prefeitura e a empresa Soluções, responsável pela prestação dos serviços.
O Portal Araraquara Agora acompanha o caso.
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