18/06/2020 às 18h07min - Atualizada em 18/06/2020 às 18h14min

Motos barulhentas incomodam moradores e estão na mira da PM

Por Willian Oliveira

Um dos sinais da evolução da indústria automotiva sem dúvida é a capacidade dos engenheiros em conseguir fazer com que os motores ficassem cada vez mais silenciosos. Em alguns casos, é praticamente impossível de ouvir eles funcionando, ainda que em alta velocidade. Isso também se aplica as motos, mas nos últimos tempos, tem muito motociclista abrindo mão dessa qualidade e fazem de tudo para ampliar o barulho, por vezes até adulteram o escapamento para conseguir o “ronco” dos sonhos ou, no caso de quem ouve, mais parece mesmo um pesadelo.

“A impressão que eu tenho é que as motos estão dentro do apartamento. É toda hora passando, em alta velocidade, e com esses escapamentos modificados que fazem isso. Acordo a noite inteira por causa disso”, conta o morador de um conjunto de apartamentos, na Rua Maurício Galli, que preferiu não se identificar.

Durante a quarentena, em que muita gente ficou em casa, as entregas aumentaram muito e consequentemente o número de motociclistas circulando para esse tipo de trabalho também. Em algumas cidades do Brasil empresários se uniram e não contratam motoboys que usam esses escapamentos ou que adulteram o cano de descarga das motos. Em Araraquara tem quem também defenda essa medida. “Isso é um inferno, a gente que é mais velho toma um susto atrás do outro. Pra mim é burrice, não tem outro nome, sem falar da poluição”, lembrou seu Frederico Antônio da Silva Neto, de 64 anos. Morador da Vila Xavier, próximo da Avenida Francisco Vaz Filho, ainda não conseguiu se acostumar com o barulho.

Adulteração

Há escapamentos comprados que já produzem ruídos mais altos que o tolerado e até mesmo o permitido. Segundo a resolução nº 252 de 1999 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), há limites de ruídos que devem ser seguidos:

motos fabricadas até 31 de dezembro 1998 – nível máximo de ruído permitido é 99 db (decibéis)

motos fabricados a partir de 1999 - níveis máximos entre 75 e 80 db. A variação é de acordo com a cilindrada.

O mesmo texto considera infração grave conduzir o veículo com descarga livre ou com o silenciador da moto estragado ou até mesmo em desuso.

Para conseguir o ronco muitos motociclistas estão furando o escapamento ou até mesmo retirando o miolo do silenciador. Isso faz com que aumente o ruído, e também a quantidade de fumaça, sem a devida filtragem lançada na natureza.

Fiscalização

A Polícia Militar tem feito fiscalizações com o objetivo de coibir a prática. O aparelho para medir os decibéis é o decibelímetro e os agentes precisam dele para comprovar que a moto emite um som mais alto que o permitido, no entanto, se houver adulterações no escapamento, esse aparelho acaba não sendo necessário já que é nítida a infração cometida.

“É uma infração grave que culmina em 05 pontos na CNH. Além da autuação, está prevista a retenção do veículo para regularização que, caso não se promova, o CRLV do veículo será recolhido. Essa proibição abrange a descarga livre, ou seja, quando se retira o escapamento restando apenas um sistema precário para expelir os gases, e o silenciador defeituoso, deficiente ou inoperante. Nesses últimos, estão enquadrados os casos em que se retira o silencioso (miolo do escapamento) ou fura-se o escapamento (mesmo que por desgaste, exemplo: ferrugem)”, explica o comandante da 3ª Companhia da PM, capitão Plínio Augusto Filomeno.

Já com relação ao escapamento esportivo, ele não deve permitir a descarga livre e deve respeitar o nível de 99 decibéis, conforme previsão da Resolução do Conama. “Ainda caso ocorra o descumprimento, o condutor também poderá ser responsabilizado pelo crime previsto no artigo 54 da Lei 9.605 que disciplina os crimes ambientais, devido à poluição sonora gerada”, complementa o capitão.

Ações da PM em números

Segundo levantamento da Polícia Militar, feito a pedido do portal Araraquara Agora, em 2019 foram fiscalizadas no município de Araraquara 25.608 motocicletas, sendo que 191 motocicletas apresentaram problemas desse tipo. Em 2020, até agora, foram fiscalizadas 5.331 motocicletas e 48 delas foram autuadas por problemas no escapamento.

“O uso desses equipamentos em desacordo causa perturbação e incomoda outros usuários da via, além de causar perturbação em áreas como hospitais, escolas, universidades, etc, cujo silencio é necessário para o desenvolvimento das atividades. Também há possibilidade de que as pessoas se distraiam com o ruído excessivo, desviando a atenção, causando acidentes”, reforça capitão Filomeno.

Para o comandante, o fato da moto fazer mais barulho também pode ser um indicativo de mais risco para o condutor. “O ruído excessivo cria a expectativa no condutor de que seu veículo é mais potente, levando-o a acelerar mais, pondo em risco sua integridade física e dos demais usuários da via. Por fim, orientamos a população, no caso de perturbação de sossego, ligarem para a Polícia Militar através do telefone 190, possibilitando o imediato deslocamento das equipes Policiais Militares a fim de promoverem a correta averiguação”, conclui.


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