25/06/2020 às 19h45min - Atualizada em 25/06/2020 às 18h48min

Abandono de animais aumenta em Araraquara em plena pandemia

Por Rian Fernandes

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus as maiores preocupações foram com o sistema de saúde e com os possíveis impactos que a situação poderia causar na economia, que também já vimos um cenário crítico no setor. No entanto, a atual crise enfrentada também afetou, de maneira negativa, a vida dos animais, com o aumento do abandono pelas ruas de Araraquara. Para piorar o caso, a quantidade de adoções na cidade permanece na mesma estabilidade de antes, ou até mesmo, mais reduzida. 

Pelo menos é o que explica a gestora de projetos da Coordenadoria Executiva do Bem Estar Animal de Araraquara, Gabriela Palombo. "Não teve aumento nas adoções. A gente tinha as feiras presenciais, que era uma ferramente muito forte, a principal, para dar vazão aos animais abrigados. A partir da pandemia, com as medidas de isolamento social, as feiras foram proibidas. (...) Então a procura pela adoção se mantém num ritmo comum, um pouco menor até anterior a pandemia, porque a gente tem menos possibilidades de divulgar esses animais", esclareceu. 

De acordo com Gabriela, o aumento do abandono de cães e gatos nas ruas é perceptível para quem trabalha na área animal, principalmente causado pela dificuldade econômica das pessoas em manter e cuidar dos animais no período de pandemia. Porém, para a gestora também existem outros fatores importantes que influenciaram o aumento do descaso. 

"Logo no início da pandemia circulou muita fake news afirmando que animal transmitia a Covid-19. Inclusive, teve vídeos de pessoas que pegavam imagens da carteirinha de vacina, porque coronavírus já é comum no mundo animal. A gente tentou trabalhar a desconstrução desse tipo de falsa informação que, enfim, pode provocar uma série de problemas. (...) E também, uma coisa que já era comum antes da pandemia é a questão da posse irresponsável, ou seja, pessoas que adotam animais sem ter a responsabilidade ou a clareza em que implica esses vínculos, inclusive, no emocional do animal. (...) Aquela coisa de momento, por conta de filhotes, que cativam", ressaltou ela. 

Com o aumento do abandono dos animais, Gabriela Palombo esclareceu que a estrutura para fiscalizar melhorou, mas destacou que ainda é insuficiente. "A gente aumentou a quantidade de fiscais, atualmente são três na rotina do expediente. Mas mesmo assim é insuficiente".

Adoções de animais

Ainda sobre as adoções, a gestora salientou que as feiras presenciais eram importantes, porém agora foram substituídas por meios virtuais para ajudar na divulgação dos animais disponíveis para adoção, como acontece no Instagram (clique aqui para ver). "Não teve um aumento [de adoção]. Comparado ao abandono, a gente está com o deficit entre animais que chegam e que saem. A situação hoje é de superpopulação no canil da Prefeitura e no Canil Siciliano". Vale ressaltar que, apenas dos abrigados pela Prefeitura de Araraquara, atualmente existem cerca de 400 animais, entre cães e gatos, disponíveis para adoção. 

Além da divulgação pelo Instagram, Gabriela ressaltou que foi criada uma feira virtual, chamada "Late e Mia", que ocorre em todos os sábados. "A gente procura até contar um pouquinho a história do animal para sensibilizar pra adoção", comentou. 

Ajudas para os donos de animais

Para auxiliar as famílias com animais neste momento, a gestora projetos da Coordenadoria Executiva de Bem Estar Animal ressaltou que é feita uma campanha de arrecadação de rações para ajudar as pessoas a manter e cuidar dos bichinhos neste momento de dificuldade por conta da pandemia causada pelo coronavírus. Além disso, existem clínicas que oferecem tratamento a baixo custo.

Sobre um serviço público para atender os animais de famílias com baixa condição financeira, Gabriela reforçou que ainda não existe nenhum disponível em Araraquara. "A gente não tem serviço ambulatorial gratuito no município, não tem estrutura que preste serviço para família que tem animal que precisa fazer tratamento. Acho que esse é um próximo passo, inclusive. (...) Sem planejamento financeiro a gente não consegue criar esse serviço de uma hora para outra porque ele é muito caro. Hoje a média que a Prefeitura gasta para a manutenção dos animais que estão na Siciliano ou no Pinheirinho, a gente pode por uma média de R$ 180 a R$ 200 mil reais por mês", informou. 


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