26/06/2020 às 07h02min - Atualizada em 02/07/2020 às 13h11min

Selmi Dei, uma imponente "cidade", que completa 41 anos e coleciona histórias

Por Rian Fernandes

Uma cidade dentro de Araraquara, assim é possível definir de forma simples um dos bairros mais antigos da Morada do Sol, o Selmi Dei, que completa nesta sexta-feira (26), 41 anos de existência. Para se ter uma ideia da grandeza, com mais de 50 mil habitantes, o local foi dividido em vários setores, visto que possui um extenso território, repleto de grandes histórias e recentes conquistas. 

Criado a partir da venda de terras da fazenda Três Irmãs, pertencentes a família Selmi Dei, o bairro surgiu com o propósito de se tornar uma vila para funcionários da metalúrgica Villares, atual lesa, em 1978. No entanto, pouco se imaginava, ou até mesmo ninguém, que o então loteamento seria o início de um dos bairros mais populosos de Araraquara. Na época, a princípio, o Jardim Roberto Selmi Dei teria 700 lotes, mas a grande procura por parte das pessoas foi uma surpresa e levou extensão para mais de 3 mil, que formam hoje os setores 1, 2 e 3. 

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Com a entrega de mais de mil casas, em 1981, o público esperado foi totalmente diferente. Ao invés de serem funcionários da Villares, os compradores eram aqueles que moravam de aluguel ou na casa de parentes. Já a segunda parte do bairro, com os setores 4, 5 e 6, foi feita pela Cohab e Caixa Econômica Federal, nos anos 90. 

A partir do Selmi Dei, outros locais foram surgindo, ocupando boa parte do então território da Fazenda Três Irmãs. De lá, lugares como Adalberto Roxo, Vila Harmonia e outros foram criados, demonstrando a importância do bairro para a região Norte de Araraquara. 

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Vista do loteamento do setor 1, em 1980.[/caption]

O primeiro comércio

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Com uma pequena quitanda, Wilson Marucci, foi o criador do primeiro comércio do histórico bairro do Selmi Dei, em Araraquara. No local eram vendidas as verduras que ele plantava em uma propriedade da família. Até se aposentar, Marucci foi proprietário de seis empreendimentos comerciais pela região. 

Parque do Pipira da Taoca

Considerado um "presente" aos moradores, o grande Parque do Pipira da Taoca prevê a revitalização do entorno do Córrego Tanquinho. O projeto possui uma lista de construções para oferecer o passeio ao público, com grades de proteção, iluminação, paisagismo, trilha ecológica, sanitários, quadra poliesportiva, campo de futebol, solário e playground. Além disso, a proposta conta com o quiosque de educação Ambiental e Lúdico, horta (agrofloresta), academia ao ar livre, ciclovia, pista pra caminhada, vestiários e até mesmo um depósito. 

Tudo isso, graças a ONG Paz e Bem, que por meio de uma mobilização feita, conquistou o projeto. 

ONG Paz e Bem

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Imagem: ONG Paz e Bem[/caption]

Fundada em 2015, a ONG Paz e Bem possui o objetivo de conscientizar e sensibilizar a população sobre a necessidade de conservar e preservar o Meio Ambiente, com relação as áreas verdes e corpos hídricos de margens e nascentes de Araraquara, assim como o Córrego do Tanquinho. 

No mesmo ano de fundação, a ONG criou a "Caminhada das Nascentes", primeira ação da organização em prol da preservação da área do Córrego do Tanquinho, inclusive, dos animais que vivem na região. Desde lá, foram variadas atividades em prol da preservação da natureza, como mutirões de limpeza, construções de hortas, plantios, palestras, oficinas, trilhas e muitas outras. Com isso, já foram desenvolvidos mais de 40 projetos varias instituições de ensino, reunindo mais de 10 mil alunos. 

Segundo um dos criadores da ONG Paz e Bem, Edson Marcos da Cruz, a organização é uma conquista muito grande, tanto é que não fica mais apenas no Selmi Dei, visto que passou a ser um instituto no último mês de abril, com importância do projeto do Parque Vivo do Botânico, como ressaltou. 

Morador desde 1982 do Selmi Dei, Edson se lembra das dificuldades vividas no passado. "São tantas coisas. (...) Não tinha escola a noite no bairro e tínhamos que ir estudar no centro e chegar em casa 0h30 e depois acordar às 4h30 para trabalhar", contou ele. 

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Igreja Matriz

Além do projeto do Parque do Pipira da Taoca, outro projeto que também vem sendo construído como um marco é o da Igreja Matriz da Paróquia São Francisco de Assis. 

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"A construção da Igreja Matriz de São Francisco no Selmi Dei é um símbolo de conquista, superação e esperança. É um templo que vai congregar o povo que vem agradecer a Deus (...) Eu sou um padre muito feliz em participar desse momento histórico e muito importante", destacou o padre da Paróquia São Francisco de Assis, João Orlando Cavalcante. 

Segundo ele, os recursos para a construção da Igreja Matriz foram arrecadados pelas promoções, ajudas, vendas de pães, rifas e outros meios. A estrutura, que foi levantada em quatro meses, está com quase dez metros de altura e já está no jeito para receber a cobertura. "Nós já estávamos nos organizando para cobrir a igreja, só que veio a pandemia e nós fomos obrigados a parar", esclareceu. 

Mesmo sendo morador há pouco tempo no Selmi Dei, com dois anos de experiência no bairro que completa 41 anos, o padre salientou sobre a população do local. "Aqui é um bairro de um povo trabalhador, honesto, que madruga para fazer o pão de cada dia. Um povo simples e acolhedor. (...) Aqui tem muitas pessoas de talento. É um tesouro que muitos ainda não descobriu. Tem um potencial muito grande para ser um dos melhores bairros como referência", salientou. 

Mais imagens do Selmi Dei, bairro com a extensão de uma cidade que comemora 41 anos de uma importante história em Araraquara:

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Agradecimentos: ONG Paz e Bem (Edson Marcos da Cruz), Luiz Fernando e João Orlando Cavalcante, pelas imagens e/ou informações


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