14/09/2020 às 17h05min - Atualizada em 14/09/2020 às 17h05min

Luigi Lipe, de aventureiro para um sucesso no rock araraquarense

Por Guilherme Henrique Moro

Luigi Lipe é um dos vocalistas mais conhecidos da cena rock araraquarense, tanto pela sua técnica vocal quanto pelo seu carisma. Sempre com diversos projetos musicais, o cantor também dá vida às suas poesias e desenhos em seu projeto “Diz: Corra!”. Atualmente, está na ativa com as bandas No Hands, Yo Mamma, The Teachers e Barconistas.

O Inicio

Formado em letras pela UNESP, Luigi sempre gostou muito de ouvir música, mas começou a se interessar de uma maneira mais ativa ao ver amigos da escola e primos fazerem aulas de instrumentos musicais: “Tais pessoas me mostravam as músicas com um outro olhar e eu sentia que aquilo melhorava a qualidade da minha apreciação daquelas obras de arte. Fui também percebendo que tocar um instrumento, além do prazer de reproduzir o que os ídolos faziam, poderia ajudar a aumentar minha interação com conhecidos do meu cotidiano e consequentemente trazer um bem estar pro meu convívio social”.

Por quatro anos Luigi se aventurou pelos teclados para entrar na banda de alguns amigos, pois segundo ele não era tão comum encontrar membros que tocavam esse instrumento. Após passar por violão e baixo, o artista descobriu nas aulas de canto a sua maior vocação: “A professora disse que eu tinha ouvido bom para reproduzir as notas de forma afinada, o progresso era rápido e perceptível, então fui me soltando. Ainda que eu precisasse de alguns ajustes na respiração, nas técnicas em geral, nos vícios e, principalmente, na timidez, a cada aula eu me alimentava da possibilidade de mexer com as pessoas através do canto”, relembra.
Após uma primeira apresentação, em um festival realizado por escolas de música, Luigi teve a certeza que era possível dar continuidade em seu sonho.

(What's the Story) Morning Glory?

A banda Mucky Fingers (Oasis Cover), foi a primeira experiência de Luigi como vocalista de uma banda. A banda foi formada por ele e pelo guitarrista Rafael Lia: “Eu estava curtindo muito o som da banda que havia acabado recentemente (Oasis). Rafael e eu vivíamos lamentando esse fim precoce do grupo durante as aulas. Um dia ele sugeriu que montássemos um grupo para tocar apenas cinco músicas num festival de rock de um bar da cidade, sem compromisso. Fomos atrás de amigos músicos que topassem e, apesar de eu lembrar que o primeiro show tenha sido um desastre da minha parte, resolvemos continuar. Mais ensaios, mais agenda. De repente estávamos com apresentações mais sólidas e um material mais completo. Viramos uma banda cover”, afirma.

Para realizar o cover da banda inglesa, Luigi teve de imitar trejeitos do vocalista Liam Gallagher em apresentações da Mucky Fingers: “Acredito que o que mais o caracteriza como único são justamente os defeitos. Tive que aprender a ficar todo torto, andar de jeito engraçado, cantar forçando a garganta de um jeito diferente, mais rouco, mais agressivo. É todo um temperamento diferente inclusive. A maior dificuldade ao interpretá-lo é realmente apagar qualquer possível traço da minha personalidade durante a apresentação”, destaca.

Procure o que te faz feliz e corra atrás

No ano de 2014, Luigi recebeu o convite para adentrar a banda No Hands. Com ela, gravou um EP com o renomado produtor Rick Bonadio: “A conversa pra entrar na banda era de que eles precisavam de um vocalista dedicado, para um projeto ambicioso e com músicas já prontas, além de já terem algum investimento para gravações e uma possível turnê. A No Hands tinha excelentes composições já quando eu entrei na banda. Estava tudo pronto mesmo, letra, estruturas, sonoridade. Tínhamos acabado de fazer um registro dessas autorais num estúdio da cidade, mas numa intenção mais underground e agressiva do que mainstream. A gente fez a pré-produção com a presença do Rick, decidindo sobre os moldes de cada música, o que mudaria e o que ficaria, desde a letra até os timbres dos instrumentos. Com ele decidimos transformar a sonoridade em algo mais comercial”, relata.

Outro grande feito com a banda foi o projeto “No Hands na Sua Escola”, onde a banda percorria escolas do interior de São Paulo levando cultura e alegria para os estudantes: “Tínhamos uma música com uma mensagem positiva. Tínhamos disposição para tocar de graça ou até gastando dinheiro em troca de divulgação de um trabalho de qualidade assinado por Rick Bonadio. Tínhamos sinergia. Sabíamos muito bem que nosso público estaria nessa faixa etária dos estudantes, então foi só formalizar a proposta e ser insistente. Lembro que nosso guitarrista Ricardo ligava todos os dias para escolas do Estado de São Paulo inteiro tentando fechar datas em escolas e outros eventos. Quando vimos que as escolas se empolgaram mais com o projeto do que nós esperávamos, decidimos ver até onde ia. Chegamos a tocar em 50 cidades diferentes, mais de 100 escolas, tudo no espaço de um ano praticamente”, recorda.

“Console, tem gente que se joga sem controle”. Diz: Corra!


Durante o curso de letras na UNESP, Luigi se acostumou a olhar palavras de uma maneira diferente. Em meio a uma época conturbada de sua vida, ele decidiu escrever sobre o que estava passando em sua cabeça e de enxergava algumas palavras comuns do cotidiano. Foi aí que então nasceu seu projeto, “Diz: Corra!”: “Normalmente uma palavra aparece pra mim com vários significados e eu tento ir a fundo nessas possibilidades, pesquisando bastante sobre qualquer que seja o tema. Faço testes de trocas de letras e sílabas. Penso em sinônimos. Penso no som das rimas. Nas quebras e nas junções que pretendo fazer na cabeça do leitor. Depois organizo tudo e penso num desenho que crie mais sentidos ou complemente o poema. Quando comecei era tudo numa folha sulfite com canetão. Depois eu escaneava e editava no computador. Dava um trabalho. Atualmente estou usando um tablet e já fazendo todo o processo digitalmente”.

Outros projetos e planos para o futuro

As bandas Yo Mamma, The Teachers e Barconistas, são os projetos musicais atualmente mais ativos de Luigi. Ele contou sobre as particularidades de cada projeto: “The Teachers é um projeto de professores com grande afinidade musical. Toca o que der vontade, sempre num formato rock.
Barconistas é um projeto de trio acústico, com amigos de infância. Toca rock e pop que algum dia foi marcante no cenário mundial ou nacional. Adequado para bares e ambientes mais calmos.
Yo Mamma é um projeto de covers internacionais dos clássicos do rock de todos os tempos. É onde eu testo meus limites”.

O futuro é incerto para o vocalista. Sempre com a agenda lotada, ele vive e procura fazer as escolhas certas dentro desses meios: “Tenho vontade de lançar um livro dos poemas. Tenho intenção de fazer sons autorais com minhas bandas covers. Estamos pensando em reanimar a No Hands em 2021. A Mucky Fingers também está com essa vontade. A verdade é que a minha vida não permite muitos planos atualmente. Estou há dez anos dividido entre dar total prioridade pra arte ou pra carreira de professor. Acho que isso nunca será possível. A balança sempre pesa um pouco mais a favor da estabilidade. Certo mesmo é que continuarei fazendo essas duas coisas que mais me dão satisfação na vida profissional até a hora que minha saúde física e mental permitir.”


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