18/09/2020 às 10h54min - Atualizada em 18/09/2020 às 10h54min

Araraquarense é vencedor de festival internacional de cinema

O araraquarense Lucas Tannuri sagrou-se campeão na disputa online promovida pelo 5º Festival Bang Awards – Festival Internacional de Cinema de Animação, realizado pela Câmara Municipal de Torres Vedras, em Portugal. Com o filme "A Lápide", o brasileiro conseguiu 1.050 votos, fazendo de sua obra - entre outras 400 animações concorrentes - a preferida pelo público da internet.

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Lucas Tannuri, ilustrador[/caption]

O Bang Awards é um festival mundial que fomenta o interesse pelo cinema de animação junto do público, aliando o cinema à cultura, à inovação e à tecnologia. A 5º edição do festival teve como tema inspirador: "Changes", fazendo, assim, uma reflexão global sobre as mudanças que estão a acontecer no planeta.

A animação de Tannuri, "A Lápide", na verdade, é um clipe da música homônima, do também araraquarense Zé Henrique Martiniano. A canção é baseada nos escritos da lápide do importante propagador da doutrina espírita, Allan Kardec. Para ilustrar a canção, Lucas buscou traduzir a evolução da vida, colocando a natureza e todos os seus desdobramentos, como personagens principais.

"Eu estava terminando o CD Mensagens dos Poetas ‘Mortos' e convidei o Lucas para fazer uma animação sobre uma das faixas para divulgação do CD. Ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade do festival e foi uma surpresa ganhar em primeiro lugar; foi uma honra! Os desenhos do Lucas captaram perfeitamente o que a música queria dizer. Ele usou uma coisa meio darwinista, uma coisa de evolução, traduzindo o que a música queria dizer, de uma forma artística e poética. Eu gostei muito ", aponta Zé Henrique Martiniano.

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Zé Henrique Martiniano[/caption]

Com quase 20 mil visualizações na página do Festival, a premiação de "A Lápide" como a escolha popular irá render uma recompensa financeira ao ganhador. Por se desenvolver em uma plataforma online, o festival pode ser acompanhado em qualquer parte do mundo (www.bang-awards.com). O público é formado, principalmente, por produtores e artistas, crianças em contexto escolar e adultos à procura de inspiração, além de jovens - para quem as novas tecnologias são o futuro ou de pessoas que se deixam deslumbrar pelo encanto de novos mundos.

Confira trecho da entrevista com Lucas Tannuri e saiba um pouco mais sobre a sua produção

Lucas, sua trajetória no campo da comunicação e artes, se iniciou com a fotografia, é isso? Qual foi sua trajetória, em termos de produção artística, do início com a fotografia até chegar na animação?  

 Sempre gostei muito de ilustração e animação, apesar de achar que animação seria algo muito distante e que dificilmente conseguiria concretizar. Trabalhando como fotojornalista também tive oportunidade de ter contato e trabalhar como ilustrador de um caderno infantil semanal. Fiquei três anos realizando estas ilustrações. Também fiz trabalhos publicitários e autorais ainda nesta área.

Você é um artista de multilinguagens, correto? Fotografia, ilustração, animação/cinema/vídeos... enquanto artista, você tem uma linguagem favorita para produzir?  

Sinto que para cada situação, tema ou público existe uma linguagem mais adequada ou que, pelo menos, pode criar uma conexão mais autêntica. Poder transitar e explorar estas diferentes linguagens,  variando o repertório, é algo que sempre me agradou.

Sobre a produção de "A Lápide", o que você pensou para elaboração do roteiro, de onde partiu a ideia? 

Pensei nas várias formas de evolução. Na conectividade da vida como um todo, e também em sua desconexão. Nas integrações que temos e nas que deveríamos ter. Na percepção e não percepção de um enorme universo desconhecido, tanto externamente, quanto internamente. Não conhecemos a nós mesmos e nossa curiosidade percorre os universos. 

Qual o tempo de produção desta animação? Você fez todo o processo sozinho? 

Fiz todo o processo sozinho. Foram aproximadamente 3 meses. 

Como e quando será a premiação do Bang Awards? 

Ocorrerá em Torre Vedras, Portugal, no dia 3 de outubro, mas não vou poder comparecer, devido à situação mundial de pandemia. 

Você foi premiado com outra animação recentemente, não é? Conta pra gente que prêmio e qual trabalho são esses. 

Em julho, a animação "A Face Oculta da Lua" foi premiada pelo Itaú Cultural. Neste eu fiz as ilustrações, animação e trilha sonora (link: https://www.youtube.com/watch?v=_KcmgiSQ9Lc). Fiz no início da paralisação ainda sem imaginar que poderia participar de um concurso. No momento em que o ritmo de tudo mudou, num momento em que nosso ritmo interno também mudou. Foi uma pausa para respirar fundo e sentir sensações que normalmente não sentíamos. Uma pausa para que todos nós pudéssemos pensar em nossas reais prioridades.

A animação é uma linguagem que deve ganhar mais sua atenção daqui para frente, diante desses dois prêmios? Algum projeto em vista, seja de produção ou capacitação? 

Animação sempre foi um sonho, mas sempre achei que fosse algo muito distante. Agora vejo isso de uma forma bem mais próxima. Pretendo estudar mais, produzir mais e aprender mais com esta linguagem a qual sou apaixonado. 

Para fechar: você, em 2018, lançou o livro "O Grande Desafio das Pequenas Coisas", desenvolvido juntamente com sua filha Marina, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista – TEA. Sua produção em animação também conta com a colaboração e apoio dela? Como a Marina reage às suas animações?

A primeira vez que tentei animar algo foi justamente para a apresentação do Grande Desafio das Pequenas Coisas. Marina viu e adorou! Na época, e ainda um bom tempo depois, pedia para ver repetidas vezes. Sempre ria! Gael, meu filho mais novo, também teve a mesma reação depois de um tempo com esta mesma animação (quando fiz ele ainda era bebê). Eles são meu principal público. Sem dúvida, meu maior incentivo! E tenho muita vontade de inseri-los em várias outras narrativas, já que hoje, eles já se tornaram personagens.


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