Cadeira vazia
Prefeito Lapena e autoridades ausentes em audiência sobre transporte e merenda escolar em Araraquara
Moradores protestam contra corte e comissão vai convocar secretário da educação para explicações

RESUMOver em 26 segundos
- Na reunião da Câmara de Araraquara, a ausência do prefeito Dr. Lapena e de membros da administração municipal foi notada, apesar das convocações;
- A audiência, convocada pela Comissão de Educação, discutiu mudanças no transporte e na alimentação escolar, que geram preocupações na comunidade;
- Os vereadores da oposição pediram a revogação de dois decretos que restringem o transporte escolar gratuito a 2 km e reduzem a merenda em 40%;
- Uma mobilização popular, com um abaixo-assinado de 1,5 mil assinaturas, também foi apresentada, criticando as novas medidas.
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A imagem retrata a moradora de Araraquara, Cristina Venâncio, ao lado de seu filho de seis anos. Durante a audiência pública, a mãe exemplificou, de forma prática, os impactos do corte no transporte coletivo para crianças e para as mães da cidade.“Uma criança desse tamanho tem condições de caminhar 2 km para ir e 2 km para voltar da escola? Debaixo de chuva e sol?”, questionou.
“Acham que ele pode voltar sozinho para casa? Eu gostaria que o prefeito Lapena me respondesse”, desabafou.
Cadê o prefeito?
E foi justamente a ausência do prefeito Dr. Lapena (PL) e de representantes da administração municipal que marcaram a reunião realizada nesta quarta-feira (5) no Plenário da Câmara de Araraquara. Apesar de ser convidados, Lapena e o secretário municipal da Educação, Fernando Diana não compareceram, bem como nenhum vereador da base. Presentes as deputadas Márcia Lia (PT) e Thainara Faria (PT).
A audiência convocado pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, abordou as recentes mudanças no transporte e na alimentação escolar na cidade, temas que têm gerado preocupação entre pais e comunidade.
Vale lembrar que a reunião também tinha o objetivo de pressionar o governo municipal a revogar os dois decretos: o do transporte escolar gratuito, restringe a 2km o acesso ao transporte escolar gratuito e o da merenda escolar, diminuindo em 40% a merenda nas escolas.

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Vereadores cobram explicações e revogação dos decretos
Os vereadores da oposição exigiram esclarecimentos sobre os dois decretos municipais que impõem restrições ao transporte escolar e reduzem a merenda em 40%. A vereadora Filipa Brunelli (PT) usou as redes sociais para criticar a ausência do prefeito na audiência. “A ausência é um desrespeito com nossa cidade”, escreveu, afirmando que levará a votação a suspensão dos decretos caso não sejam revogados.
“Enquanto ele se esconde, eu estou aqui, lutando pelos direitos da nossa população. Fui a propositora dos PDLs junto a oposição, que suspendem esses decretos absurdos. Se o prefeito não revogar essas medidas, eu irei à votação em plenário para derrubá-las”, disse a parlamentar.
A vereadora Maria Paula (PT) também cobrou explicações e a apresentação de estudos que embasaram as decisões.“É uma vergonha que nenhum membro do governo esteja presente. Eu solicitei os estudos, mas não fui respondida. O secretário afirmou à imprensa que ainda estava realizando os levantamentos”, criticou.
“Não sei quem são os técnicos que fundamentaram essas decisões. Gostaria muito que eles viessem a essa casa explicar para mim e para os outros vereadores, qual é os fundamentos técnico, jurídico e educacional que foram colocados nesses decretos.
Conselho Tutelar e sociedade civil se manifestam
Representantes do Conselho Tutelar reforçaram a necessidade de revogar as medidas. Gabrielle Oliveira destacou a importância da merenda escolar para a nutrição das crianças. “O governo precisa entender que a merenda não pode ser reduzida. Esse recuo só acontece pela pressão da população”, disse.
“Não há nada que me convença, porque até esse momento, o governo e a sua equipe não nos apresentou estudo técnico que justifique esse corte”.
O conselheiro José Lopes Nei criticou a restrição do transporte escolar: “Colocar um limite de 2 km para uma criança se deslocar até a escola é prova de que o gestor público não conhece a cidade e não zela pelo desenvolvimento do seu povo.”
A Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Araraquara (AMPARA) também participou da audiência, destacando os desafios para crianças atípicas. “Para as típicas já é difícil, imagine para as atípicas. Precisamos de soluções, não de barreiras”, afirmou Michele, mãe de uma criança autista.

Próximos passos e mobilização popular
O vereador Guilherme Bianco (PCdoB) anunciou que a Comissão de Educação convocará o secretário municipal de Educação, Fernando Diana, para apresentar os estudos que justifiquem os decretos.
“Se até a próxima sessão da Câmara não houver revogação, vamos levar os Projetos de Decretos Legislativos (PDL) para votação e suspensão dessas medidas”, disse Bianco.
Além disso, um abaixo-assinado com 1,5 mil assinaturas contra os decretos foi apresentado.“Eu queria entregar pessoalmente ao prefeito, mas ele fugiu do debate”, declarou Bianco.
A vereadora Fabi Virgílio (PT) classificou os decretos como “cruéis e desumanos”.
“Mexer com comida é o mais mesquinho que se pode fazer. É não conhecer a realidade das escolas”, afirmou.

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