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Colaboração: Flavio Fernandes.
Duas pessoas foram presas em Araraquara na manhã desta quinta-feira (11) durante a Operação Hauler, deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro nacional e associação criminosa. Com o apoio de mais de 80 policiais federais, estão sendo cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em Araraquara, Matão, Ribeirão Preto e Santos.
Segundo informações iniciais, os dois presos são moradores da cidade e considerados alvos importantes da operação. O grupo investigado possui ligação com uma facção criminosa atuante no estado de São Paulo, movimentando grandes quantias de dinheiro por meio de lojas de compra e venda de carros de luxo, inclusive em Ribeirão Preto. Em Araraquara, R$ 250 mil foram apreendidos, além de duas armas de fogo. No total, os bens e valores bloqueados pela operação ultrapassam R$ 74 milhões.
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Araraquara, com foco em 16 endereços na cidade, incluindo condomínios de luxo como Damha 1 e Jardim Flamboyant, além de uma loja de veículos atualmente inativa. As investigações seguem em andamento, com novas buscas previstas. A operação continua em andamento e a PF divulgará um balanço após sua conclusão.
As investigações revelaram que a organização era composta por dois núcleos estruturados, que atuavam de forma coordenada para lavar dinheiro oriundo de atividades ilícitas. Para isso, utilizavam empresas de fachada e laranjas para movimentações financeiras atípicas, caracterizando tentativa de ocultação e dissimulação de patrimônio. Segundo a Polícia Federal, parte dos investigados possui antecedentes criminais, incluindo tráfico de drogas e vínculos com facções criminosas. A movimentação financeira do grupo ultrapassa R$ 74 milhões, mas o valor pode ser ainda maior, pois foram identificadas transações indiretas e fora do sistema bancário, como compra e venda de veículos de luxo, imóveis e embarcações sem registro em canais oficiais.
Entre os alvos está uma loja de automóveis em Ribeirão Preto, que, segundo a investigação, pode ter sido usada como fachada para a comercialização de bens de alto valor, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro. A estratégia criminosa envolvia a compra e revenda de veículos de luxo, imóveis e outros bens sem registro formal, dificultando o rastreamento das transações pelas autoridades.
A Operação Hauler tem como principal objetivo a interrupção da cadeia de lavagem de capitais, além da preservação de ativos que possam ser usados para reparar danos causados pelo grupo. A ação reforça o compromisso da PF com a repressão qualificada ao crime organizado, especialmente em suas ramificações financeiras. O nome da operação, Hauler, faz referência ao termo em inglês utilizado para designar meios de transporte de bens, como caminhões tipo cegonha ou guincho, remetendo à frequente comercialização de veículos de luxo pelo grupo investigado.