Um caso grave de racismo foi registrado na Escola Estadual Antônio Joaquim de Carvalho, em Araraquara, na última segunda-feira (6). O episódio envolveu dois alunos e uma professora, que foi afastada de suas funções após relatos de conduta discriminatória dentro da unidade escolar.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, um aluno teria se desentendido com o colega de sala (vítima) durante o período de aula. Segundo relatos, em determinado momento, o estudante proferiu uma frase de teor racista: “senta aí, seu preto”. O aluno agredido foi até a secretaria da escola para denunciar o caso.
Porém a professora da unidade escolar, de 58 anos, segundo o registro policial, foi até a secretaria atrás da vítima e tentou convencê-lo de que a situação se tratava apenas de um desentendimento, minimizando o ocorrido. No entanto, a vice-diretora da unidade teria a orientado para que retornasse à sala de aula.
Ao voltar para a sala, a professora, ainda de acordo com o boletim de ocorrência, começou a interagir com os alunos dizendo “preto tem que casar com preto”. Dois alunos, diante da frase, foram até a secretaria para relatar o ocorrido. Diante da gravidade do fato, e considerando o impacto que esse tipo de ocorrência pode causar no ambiente escolar e na comunidade, o portal Araraquara Agora entrou em contato com a Secretaria Estadual da Educação.
A Unidade Regional de Ensino de Araraquara (URE) enviou ao portal nota oficial repudiando qualquer forma de discriminação racial e reforçando o compromisso com políticas públicas antirracistas. O órgão confirmou o afastamento da professora e a abertura de uma apuração preliminar para investigar a conduta da servidora, que poderá resultar em sanções administrativas, incluindo exoneração.
A direção da escola convocou os responsáveis pelos alunos envolvidos para reuniões individuais, informando sobre o caso e as medidas disciplinares adotadas. Um profissional do programa Psicólogos nas Escolas foi designado para prestar apoio emocional ao estudante vítima do ato racista, enquanto a equipe regional do Conviva auxiliará a unidade na intensificação de ações de conscientização e combate ao racismo. A URE Araraquara e a direção da escola reafirmaram estar à disposição da comunidade escolar para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.
O caso reacende o alerta sobre a necessidade de fortalecer o debate sobre educação antirracista nas escolas públicas. Conforme a Lei nº 7.716/1989, o racismo é crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão. Além das implicações legais, especialistas ressaltam que episódios dessa natureza podem causar impactos psicológicos profundos nas vítimas, prejudicando sua autoestima e confiança na instituição de ensino.
A investigação segue sob acompanhamento da Secretaria Estadual da Educação e das autoridades competentes.
Veja a nota completa:
A Unidade Regional de Ensino de Araraquara repudia qualquer forma de discriminação e reafirma o compromisso com políticas públicas antirracistas.
A professora será afastada, e uma apuração preliminar foi aberta para investigar a conduta da docente, que poderá resultar em sanções administrativas, inclusive exoneração.
Os responsáveis pelos alunos foram convocados pela direção da escola, que reportou o caso e informou as medidas disciplinares cabíveis.
Um profissional do programa Psicólogos nas Escolas foi designado para atender o estudante, enquanto a equipe regional do Conviva apoiará a unidade na intensificação de ações de conscientização e combate ao racismo junto aos alunos.
A URE Araraquara e a unidade escolar permanecem à disposição da comunidade para eventuais esclarecimentos.
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