Pacientes ficam sem duloxetina em Araraquara e Saúde não define prazo para reposição

Secretaria admite que não há previsão para normalizar o fornecimento do medicamento, usado no tratamento de depressão, ansiedade e dores crônicas

Por Geisa Ferreira da Silva-
5 Min

Pacientes ficam sem duloxetina em Araraquara e Saúde não define prazo para reposição
Pacientes relatam dificuldades para encontrar Duloxetina na rede pública de saúde de Araraquara / Foto ilustrativa: Arquivo Agência Brasil.

 

A falta do medicamento Duloxetina na rede pública de saúde de Araraquara continua sem prazo definido para regularização. A informação foi confirmada pela Secretaria da Saúde, em resposta a um requerimento apresentado pelo vereador Marcelinho (Progressistas), após inúmeras reclamações de pacientes que dependem do remédio para o tratamento de depressão, ansiedade, dores crônicas e outras patologias.

 

A resposta oficial encaminhado ao Legislativo, a pasta afirma que, no momento, não é possível estabelecer uma data concreta para que o fornecimento do medicamento volte à normalidade. A situação tem gerado preocupação entre usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), já que a interrupção do tratamento com a Duloxetina pode provocar efeitos adversos importantes e comprometer a evolução clínica dos pacientes.

 

Segundo o vereador Marcelinho, o requerimento foi motivado por relatos recorrentes de moradores que não encontram o medicamento nas unidades de saúde do município, tanto na dosagem de 30 mg quanto na de 60 mg. “Recebi diversas reclamações de pacientes que fazem uso contínuo da Duloxetina e estão sem acesso ao remédio. A ausência pode causar prejuízos sérios à saúde dessas pessoas”, destacou o parlamentar.

 

Leia Também

 

Por que falta Duloxetina na rede pública?

De acordo com a Secretaria da Saúde, a escassez de medicamentos ocorre por uma combinação de fatores. Entre os principais motivos apontados estão “débitos de exercícios anteriores, que impactam o fluxo de compras, além de atrasos nas entregas por parte dos fornecedores, que alegam não ter disponibilidade imediata para atender aos grandes volumes adquiridos pelo poder público”.

 

Outro problema citado envolve questões logísticas, especialmente relacionadas às transportadoras responsáveis pela distribuição, que enfrentam dificuldades devido à distância e ao tempo necessário para realizar as entregas. Esses entraves, segundo a pasta, acabam comprometendo o abastecimento regular do almoxarifado municipal.

 

No caso específico da Duloxetina, a Secretaria esclareceu ainda que a dosagem de 60 mg não está padronizada no RESUME — a Relação Municipal de Medicamentos. Isso significa que, oficialmente, essa apresentação não integra a lista de medicamentos de fornecimento regular pelo município.

 

 

Medidas emergenciais anunciadas pela Prefeitura

 

Mesmo sem um prazo definido para a normalização, o Executivo municipal informou que todos os itens em falta no almoxarifado possuem solicitações de reposição em andamento. Para tentar minimizar os impactos da ausência de medicamentos essenciais, a Prefeitura afirma que adota uma série de medidas administrativas e emergenciais.

 

Entre as ações citadas estão a realização de “compras emergenciais, a cobrança e notificação administrativa de fornecedores que atrasam as entregas, além da possibilidade de aplicação de multas contratuais”. A Secretaria também informou manter contato constante com os setores de compras e licitações, visando a abertura de novas Atas de Registro de Preços, bem como com o setor de empenhos, para priorizar a emissão de pagamentos.

 

Apesar dessas iniciativas, a falta de um cronograma concreto continua sendo alvo de críticas. “Independentemente dos motivos, é fundamental que a Prefeitura trate esse tema como prioridade absoluta, garantindo a reposição do medicamento e adotando medidas emergenciais para que nenhum paciente tenha o tratamento interrompido”, ressaltou Marcelinho.

 

 

Importância da Duloxetina para os pacientes

 

A Duloxetina é um medicamento amplamente utilizado no tratamento de diversas condições clínicas. Além do transtorno depressivo maior, o fármaco é indicado para transtorno de ansiedade generalizada, fibromialgia, dor neuropática periférica diabética, dor lombar crônica e dores associadas à osteoartrite de joelho, especialmente em pacientes acima dos 40 anos.

 

Especialistas alertam que a interrupção abrupta do uso da Duloxetina pode provocar uma série de sintomas, conhecidos como síndrome de descontinuação. Entre eles estão náuseas, tontura, dor de cabeça, fadiga, irritabilidade, insônia, ansiedade, sudorese excessiva, dores musculares e alterações do sono. Por isso, a suspensão do medicamento deve sempre ser feita de forma gradual e com acompanhamento médico.

 

Impacto financeiro para quem precisa comprar o remédio

 

Sem acesso ao medicamento pela rede pública, muitos pacientes acabam recorrendo às farmácias particulares. No Brasil, o preço da Duloxetina genérica varia consideravelmente. Caixas com 30 cápsulas, nas dosagens de 30 mg ou 60 mg, podem custar entre cerca de R$ 50 e mais de R$ 150, dependendo da farmácia, da região e da disponibilidade de descontos.

 

Para famílias de baixa renda, esse custo representa um peso significativo no orçamento mensal, o que reforça a importância do fornecimento regular pelo SUS. Veja o documento completo, AQUI.


FONTE: Câmara Araraquara.
  • Ir para GoogleNews
Tags »
Notícias Relacionadas »