A ré Elizabeth dos Santos Soares foi condenada a 40 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do aposentado Antônio Ferreira de Souza, de 75, durante julgamento realizado nesta terça-feira (2), no Fórum de Araraquara.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos jurados do Tribunal do Júri, que reconheceram as três qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público: motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena também recebeu aumento, em razão da idade do idoso (Veja Vídeo No Fim da Matéria).
Durante a sessão de julgamento foram ouvidas uma testemunha de acusação, uma testemunha de defesa e quatro comuns, entre elas a filha da vítima, investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e policiais militares que participaram da ocorrência e das investigações. O crime aconteceu em 10 de fevereiro de 2025, no Jardim Brasília.
O corpo de Antônio foi encontrado dois dias depois dentro da residência onde morava, na Avenida Egisto Gandolfi. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Elizabeth matou o aposentado utilizando uma faca, desferindo diversos golpes, principalmente na região do pescoço.
O laudo necroscópico apontou que a morte foi causada por hemorragia decorrente de ferimentos, que atingiram a artéria carótida e a veia jugular. As investigações conduzidas pela DIG revelaram que horas antes do homicídio a acusada e a vítima foram vistas juntas em um bar na Alameda Paulista, no Jardim Paulistano.
Imagens de câmeras de segurança registraram os dois conversando e deixando o estabelecimento juntos. O inquério policial aponta que a mulher teria trancado a residência, impedindo que o idoso buscasse socorro.
Marcas de sangue encontradas próximas à porta indicaram que Antônio ainda tentou sair do imóvel, mas não conseguiu. A motivação do assassinato, segundo o Ministério Público e a investigação da DIG, teria sido uma discussão por dinheiro.
A acusação sustentou que Elizabeth buscava recursos para sustentar o vício em álcool e drogas, circunstância que teria provocado o desentendimento fatal. Durante as investigações, a mulher foi localizada pelos investigadores e apresentava ferimentos na mão e no pescoço compatíveis com luta corporal.
A mulher ao ser ouvida, confessou a autoria do crime e na ocasião, afirmou que considerava Antônio como um pai e negou qualquer relacionamento amoroso com ele.
Segundo seu depoimento, o aposentado era uma pessoa querida e ela estaria arrependida do que aconteceu. A acusada também declarou que não tinha a intenção de matá-lo e que o crime, ocorreu após um desentendimento.
A defesa conduzida pelo advogado Mário Sérgio Ota, indicado pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo, sustentou que a acusada teria agido em legítima defesa. Após a condenação ele afirmou que irá analisar a sentença com profundidade, considerou a pena e disse que vai recorrer da decisão.
Já a advogada Miriã Rodrigues, que atuou como assistente de acusação representando a família da vítima durante o julgamento, destacou a importância da condenação para os familiares.
“Durante o plenário conseguimos fazer um trabalho grandioso, com a produção das provas necessárias, e a ré foi condenada por homicídio triplamente qualificado, com causa de aumento de pena por a vítima ser maior de 60 anos. De alguma forma, conseguimos acalentar o coração da família, pois o Judiciário mostrou que atua de forma coerente, levando a uma condenação significativa para que os familiares se sintam justiçados”, afirmou.
Elizabeth permanece presa na Penitenciária Feminina de Mogi-Guaçu e deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado, embora a condenação ainda possa ser objeto de recurso por parte da defesa.