21/04/2021 às 14h46min - Atualizada em 21/04/2021 às 14h46min

Empresa de estofados fecha as portas e deixa clientes e funcionários na mão

Empresa atuava em Araraquara e Boa Esperança do Sul. Nossa equipe conversou com advogados, veja!

Redação
Espaço que era usado pela empresa em Boa Esperança do Sul
Uma empresa que atuava em Araraquara e Boa Esperança do Sul deixou consumidores e funcionários na mão depois de praticamente sumir do mapa. A fábrica de estofados tinha diversos funcionários, mas foi embora sem entregar produtos e pagar dívidas com empregados. Com a situação, o Araraquara Agora procurou advogados e o Procon para falar sobre o caso. 

Pelas redes sociais, diversos internautas relataram os problemas com a empresa. "Meu filho perdeu R$ 3.300 em um sofá", relatou uma mulher. Já uma outra também comentou sobre o "sumiço" da empresa. "A fábrica de Boa Esperança fechou também. Esvaziaram na madrugada", disse ela. 

Em Araraquara, a empresa tinha um estabelecimento comercial. "Tinha" porque o local também foi esvaziado, deixando os clientes no prejuízo. Segundo informações apuradas pelo Balda News, o barracão era alugado e a chave chegou a ser devolvida somente por meio dos Correios.

Já em Boa Esperança do Sul, a empresa tinha uma fábrica com vários funcionários. O local também foi fechado, junto do desaparecimento dos empresários, e os empregados nem mesmo foram pagos. Para piorar ainda mais, as pessoas não conseguem entrar em contato para saber sobre a situação. 

O Araraquara Agora conversou com funcionários da fábrica em Boa Esperança do Sul, que deram mais detalhes do caso. Conforme apurado, houve uma demissão em massa e algumas pessoas não receberam os pagamentos que eram de direito. Trabalhadores também enfrentam dificuldades para dar entrada no seguro desemprego. Além disso, o FGTS também não era pago, mesmo com o desconto que era feito diretamente no salário. Como consequências, as carteiras foram levadas para dar "baixas" mas não retornaram. Vale reforçar que tudo isso acontece em meio à pandemia do coronavírus, um momento de crise e dificuldade financeira para muitas pessoas. 

Com o intuito de orientar as pessoas que foram prejudicadas, o Araraquara Agora procurou os advogados da Mastroianni e Cucci Advogados. Veja abaixo o que eles disseram.

O que dizem os advogados

De acordo com o advogado Daniel Mastroianni, especialista em questões do Direito do Consumidor, os consumidores devem procurar os órgãos de proteção (Codecon ou Procon) para que essas entidades oficiais saibam da situação e tomem uma atitude. "Se for um caso de repercussão geral, que muitas pessoas se sintam prejudicas, até o Ministério Público pode ser acionado para investigar", destacou ele. 

No entanto, para ele, o consumidor também deve buscar um advogado para entrar na Justiça. O objetivo é exigir e garantir que os direitos sejam preservados, entrando com ações competentes para que o dinheiro pago seja devolvido ou exigir que a empresa cumpra com o que foi combinado. "Esses seriam os caminhos que o consumidor deve seguir", explicou Daniel Mastroianni. 

Segundo o advogado, em situações gerais, empresas que fecham os locais físicos e somem sem dar satisfação dilaceram o patrimônio para evitar que tenha que arcar na Justiça. Porém, para Daniel, caso isso aconteça, existe a possibilidade judicial do consumidor pedir para que a dívida deixada pela empresa, caso sejam respeitadas algumas circunstâncias, seja paga pelos proprietários. "É muito difícil chegar até essa situação, porque a Lei tem uma série de requisitos e exigências para que a dívida chegue a ser paga pelos donos. Mas existe sim a possibilidade disso acontecer", esclareceu ele. 

Na área trabalhista, o advogado Dimas Cucci Silvestre, da Mastroianni e Cucci Advogados, salientou que os funcionários devem procurar a Justiça do Trabalho para que eles possam receber o que é devido. No caso da empresa passar por um processo de recuperação judicial ou falência, os direitos trabalhistas têm preferência na ordem de recebimento. "Mas o primeiro passo, sem dúvida, é que os trabalhadores vão até a Justiça do Trabalho, contatem um advogado e busquem ver declarados esses direitos para que mais tarde tentem começar um processo para poder receber o que é devido", explicou. 

O que diz o Procon de Araraquara

O Araraquara Agora também procurou o Procon-SP para falar sobre o caso. O Coordenador do Procon de Araraquara, Rodrigo Martins, disse já ter ciência sobre da situação. "Ainda estamos estudando o que é possível fazer. Precisamos que mais gente denuncie", disse ele. 

A empresa

Em um dos contatos que eram destinados para a empresa envolvida na polêmica, uma mensagem comunica a atual situação.

"Infelizmente a fábrica entrou em falência, todos os funcionários foram demitidos e por enquanto não há ninguém para fazer atendimento deste contato. Em breve os proprietários entrarão em contato com todos a quem eles devem para negociar sua dúvidas. Mas, por enquanto não há possibilidade para atendimento devido a falta financeira e acúmulo de cobranças, aos poucos tudo será negociado para honrar com todos os compromissos. Agradecemos a compreensão."


 
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