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05/11/2021 às 07h07min - Atualizada em 05/11/2021 às 07h07min

Prefeitura padroniza sepulturas no cemitério dos Britos e família reclama

“Só quero homenagear o meu marido”

Direto da Redação

A publicitária Sandra Catanzaro, de 56 anos, perdeu o marido há quatro meses. A morte de Marcus Vinícius de  Deus Camano Ramos foi traumática para a família.

 

Foi muito difícil porque ele acordou naquela manhã, estava conversando, dando risada, cantando. Ele deitou e a hora que eu fui chamá-lo, ele já estava em óbito fazia três horas. Foi um choque muito grande”, desabafa.

 

 

A família não tinha condições de pagar uma sepultura na área permanente do cemitério dos Britos. Por esse motivo, o marido de Sandra foi enterrado em uma área pública. Essa área é para as sepulturas temporárias, ou seja, entre três e cinco anos após ao falecimento, os corpos são exumados.

 

Sandra tenta deixar o local onde o marido foi enterrado mais familiar. Leva vasos de flores, conserva o local, ela até comprou um letreiro para colocar o nome de Marcus, mas por conta da padronização, não pôde colocar a identificação.

 

Pouco tempo depois do companheiro ser enterrado, Sandra conseguiu grama para deixar o local sutilmente bonito, mas ela conseguiu que levassem a grama recentemente foi daí que o problema surgiu. Ela recebeu a informação de que uma nova empresa assumiu parte dos serviços do cemitério e que vão padronizar aquela área do cemitério, impedindo esse tipo de ação.

 

Eu não pude colocar a grama. Proibiram as famílias colocarem qualquer coisa nos túmulos. Eu cheguei a encontrar com o Edinho (prefeito), e contei para ele, que achou um absurdo. Ele ainda disse que resolveria a questão da grama”, explicou.

 

Sandra já tentava um diálogo com a direção do cemitério e recebeu uma ligação de uma representante explicando a situação. Explicou, mas não convenceu Sandra.

 

Disse que eles já passaram por problemas de uma família que cimentou o local, mas eu sei que é proibida essa prática. Eu só quero homenagear meu marido. Quero colocar uma flor para ele. Não posso colocar nada”.


 

Uma funcionária do cemitério me disse que se eu quiser colocar o nome, tem que ser pequenininho na cruz porque vão padronizar. Vão tirar as flores, vão tirar tudo. Uma falta de humanidade”, explica Sandra.

 

A publicitária também reclamou da forma em que os profissionais da administração do cemitério conversam com as famílias.

 

As pessoas deveriam ter mais preparo para falar com as famílias. Parece que quando estamos vivendo a dor do luto, elas não estão nem aí. Parece que é qualquer um. Eu vivi 23 anos com meu marido, eu quero honrar todo o legado que ele deixou”, desabafa.


 

Muitas famílias nem estão sabendo disso. A Prefeitura tem que avisar, pois tudo gera custo. Além do sentimento que fica. É horrível”

 

Sandra só quer um local mais bonito e afetuoso para família para homenagear o marido.

 

Eu quero esse direito de cuidar do espaço e levar flores para meu marido. Não estou conseguindo trabalhar, nem dormir. Enquanto eu não resolver isso eu não vou conseguir descansar.


 

Prefeitura

 

Em nota a assessoria de imprensa da Prefeitura disse que a administração do cemitério dos Britos está padronizando aquele espaço de sepultamento, por se tratar de área pública, considerando que as sepulturas devem se todas iguais. Segundo a nota “as desiguais já geraram reclamações”.

 

“Há três meses essa padronização vem sendo adotada. Os familiares dos sepultamentos mais recentes estão sendo informados da medida”.

 

A nota diz também que a administração do cemitério tomou conhecimento da reclamação deste familiar (Sandra) e já entrou em contato por telefone para explicar o processo que vem sendo adotado naquele espaço. O objetivo é primar pela igualdade, com todo o respeito aos sepultados e seus familiares.


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