27/01/2022 às 17h06min - Atualizada em 27/01/2022 às 17h06min

Primeiro dia de novo modelo de recolhimento de lixo gera reclamações em Araraquara

Readequação já foi sugerida ao executivo

Direto da Redação

Araraquara passou a adotar nesta quinta-feira (27), um novo modelo de coleta de lixo, onde os coletores não trabalharão mais em pé no estribo, que é a parte traseira dos caminhões. Com o novo sistema, o deslocamento desses trabalhadores durante o trabalho ocorrerá na cabine dos caminhões ou caminhando. Porém, este primeiro dia de trabalhos gerou muitas reclamações e indignação da população e dos próprios coletores.

 

Um destes profissionais registrou, nas Redes Sociais, o primeiro dia seguindo o novo sistema.

 

Não tem condição de trabalhar assim, ficar o dia inteiro correndo atrás do caminhão. Oito horas correndo, Precisamos de apoio”, disse no registro.

 

Veja a publicação do coletor:

 

No Facebook do Portal Araraquara Agora, muitos moradores reclamaram:

 

Que absurdo, passar 8 horas correndo atrás do caminhão. Pelo que entendi, seria para melhorar o trabalho deles, não piorar e cansar mais ainda. Porque não fazem reunião p aumentar o salário deles, invés de prejudicá-los.

 

Cadê os caminhos que disseram em notas onde eles iam dentro da cabine junto ao motorista? O trabalho do coletor é essencial para todos, mas pouco valorizado, merecem respeito. São poucos que aceitam trabalhar nessas condições, com salário baixo e agora assim correndo atrás de caminhão, comentou.

 

Não sei como aguentam trabalhar correndo atrás de um caminhão! Quando o caminhão deixa eles e vão andando e juntando o lixo pro caminhão pegar. Agora correndo subindo e descendo do caminhão por 8 horas seguidas, dizia outra mensagem.

 

Outra mensagem chamou o sindicato: “Alô sindicato da categoria. Alô técnico de segurança do Trabalho da empresa, cadê vocês?”.

 

Foram inúmeras as reclamações no Portal.

 

Nem sequer perguntaram pra eles qual é a melhor forma deles trabalharem.

 

Essa nova lei que “inventaram” pra preservar a segurança dos catadores é uma vergonha, um tapa na cara da sociedade e desta classe de trabalhadores que se arriscam todos os dias para recolherem os lixos da cidade.

 

Indicação ao Executivo

 

Ainda na tarde desta quinta-feira (27) a vereadora Filipa Brunelli (PT) fez a Indicação 57/2022, solicitando a readequação da coleta de resíduos sólidos domiciliares no município. “É deplorável, desumana e de exploração dos trabalhadores”, disse a vereadora.

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) exigiu que a Prefeitura removesse o ‘estribo’, onde os garis subiam na traseira do caminhão. No meu ponto de vista, foi uma decisão plausível, pois a situação dos garis era deplorável. Porém, a atual realidade piorou ainda mais a situação desses profissionais”, alerta a parlamentar.

 

Filipa entende que “o Poder Judiciário obrigou o Poder Executivo a tomar providências e mudanças a curto prazo, porém devemos pensar em melhorias para esses profissionais e não sobrecarregá-los. O que pudemos observar no primeiro dia, já no novo modelo, foi uma situação no mínimo deplorável, desumana e de exploração dos trabalhadores. Eles precisam correr atrás dos caminhões recolhendo o lixo por mais de 60 quilômetros diariamente”.

 

Para a vereadora, o modelo atual representa não somente um grande equívoco de condução, mas também de déficit de recursos humanos, defasagem no serviço prestado e qualidade de vida aos trabalhadores.

 

No documento, a parlamentar apresentou o modelo colocado em prática no município de Praia Grande-SP.

 

A cidade adequou seus caminhões com uma galeria de ferro com assentos para os garis, quatro garis por caminhão e a cada três quarteirões são revezados os coletores que farão o percurso a pé para a coleta, garantindo uma redução do esforço físico deles.”

 

Sabemos que o melhor modelo de coleta não é o realizado em países subdesenvolvidos e, sim, a automatização da coleta, sabemos ainda que é impossível a mudança do sistema do dia para noite, não somente pela situação orçamentária dos municípios, em específico nossa cidade, mas também pela própria cultura em exercício pela sociedade no que tange à coleta e ao tratamento de resíduos sólidos domiciliares”, afirma Filipa.

 

A vereadora finaliza destacando que “não podemos punir os trabalhadores por uma decisão judicial e uma má decisão no plano executado”.


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