25/01/2022 às 12h43min - Atualizada em 25/01/2022 às 12h43min

Crônica: O dia em que a grande mídia se rendeu ao futebol da Ferroviária

Há seis anos, Locomotiva disputava o Paulistão após duas décadas e encantava o Brasil

Por Guilherme Moro
Foto: Ferroviária SA
Um jogo para quem gosta de futebol. Foi assim que a grande mídia da época definiu o confronto entre Ferroviária e Corinthians, pelo Campeonato Paulista de 2016.
 
Essa partida foi aguardada pelos afeanos por quase 20 anos. Comigo não era diferente. Durante este período longe dos holofotes, a Ferrinha amargou derrotas, rebaixamentos e frustrações. Vê-la brilhar no mais alto escalão do futebol paulista pela primeira vez em anos, foi indescritível.
 
O jogo aconteceu em um domingo, dia 21/02 e mobilizou mais de nove mil pessoas até a Fonte Luminosa. Sempre me sentei no setor 4 do estádio, bem na linha frontal do gramado. Neste dia, pela primeira e única vez até hoje, sentei-me na parte lateral do setor, bem abaixo de onde fica um dos refletores do estádio. 
 
Em 2015, o Corinthians foi campeão brasileiro, em um dos times que mais encantou o país na última década. O alvinegro começou a temporada de 2016 com tudo. Antes da partida contra a Locomotiva, o Timão havia disputado quatro jogos no Paulistão e vencido todos. É verdade que a Locomotiva também estava embalada e já figurava entre uma das sensações do estadual. 
 
A maioria dos torcedores não sabiam o que esperar do clube grená, pois há anos não assistiam o time jogando contra um gigante do futebol. Todos julgavam um empate como um grande resultado para a Ferroviária. No final, quem comemorou o placar em 2 a 2 foi o time da capital.
 
A Ferroviária, comandada pelo português Sérgio Vieira, armou um esquema que encurralou a equipe corintiana, que no começo até obrigou o goleiro Rodolfo a fazer boas defesas, mas que depois perdeu o domínio total da partida. 
 
Na ocasião, Juninho e Rafael Miranda, os dois volantes da Locomotiva, simplesmente anularam o Corinthians, que não conseguia colocar em campo toda a magia que apresentava até aquele momento.
 
Primeiro volante, Juninho foi o melhor homem em campo, marcando duas vezes e aparecendo na área como um elemento surpresa, lembrando o posicionamento de Mineiro, ex-atleta do São Paulo, que marcou o gol que deu o título mundial ao Tricolor em 2005.
 
A Ferroviária ficou a frente do placar em duas oportunidades, mas cedeu o empate ao Corinthians já aos 37 do segundo tempo. 
 
Após a partida, Tite rasgou elogios à equipe de Araraquara e disse que foi o melhor adversário que eles enfrentaram no ano. Vale lembrar que o Corinthians já havia estreado na Copa Libertadores.
 
Naquele dia, todos os afeanos saíram da Fonte com um gostinho de quero mais e sabendo que dava muito bem para ter vencido o Timão. O 2 a 2 ficou barato para os atletas de São Paulo.
 
Ainda em 2016, a Ferroviária venceria o Palmeiras em pleno Allianz Parque e nos anos seguintes continuou dando trabalho para as grandes equipes, que sentem o peso da camisa grená quando jogam contra a Ferrinha. 
 
Este foi um dos domingos mais especiais da minha vida, pois ali vi que o time que eu tanto amava, estava retornando para o seu devido lugar de onde nunca deveria ter saído. 
 
Hoje se tornou comum ver a Ferroviária jogando e batendo de frente contra os grandes do estado e do país, mas naquele momento era algo mágico. Até hoje é. 
 
Tradição não se compra e aqui nós temos de sobra.
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