26/03/2022 às 00h58min - Atualizada em 26/03/2022 às 00h58min

Caso MEC: Prefeitos serão chamados pela PGR e intimados pela PF, diz Bolsonaro

Prefeitos relataram suposto pedido de propina para liberação de verbas no MEC, entre eles, José Manoel de Souza, de Boa Esperança do Sul

Marcello Casa Jr/Agência Brasil

Jair Bolsonaro (PL) afirmou que os três prefeitos que relataram um suposto pedido de propina para liberação de recursos do MEC (Ministério da Educação) serão chamados pela Procuradoria Geral da República e pela Polícia Federal. Vale mencionar que entre os gestores municipais está José Manoel de Souza (PP), de Boa Esperança do Sul. A fala do presidente foi feita nesta quinta-feira (24), durante live semanal. 
 

"Ele tinha ali 19 agendas. Se ele estivesse armando não teria botado na agenda oficial aberta ao público. É muito simples: quando o cara quer armar ele vai pelado na piscina, vai num fim de mundo, vai para uma praia, vai no meio do mato.É assim que ele age. Não bota na agenda ali o nome do corruptor. [...] Eu boto a minha cara no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia com ele", disse o presidente Jair Bolsonaro durante a live semanal. 


O presidente mencionou que o caso está sendo investigado e destacou que os três prefeitos que relataram um suposto pedido de propina serão chamados para depor. "Tem três prefeitos citados. Com toda certeza a PGR abriu um procedimento, os três vão ser chamados para falar. Os três vão ser também intimados pela Polícia Federal. [...] Tem que falar com alguma prova. Só da boca para fora? Daqui a pouco vão aparecer 200 prefeitos falando disso aí, só da boca para fora", comentou o presidente Jair Bolsonaro. 

Como já mencionado, o caso envolve o relato de um prefeito da região de Araraquara, o de José Manoel de Souza (PP), de Boa Esperança do Sul. Além dele, estão Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues, Maranhão, e Kelton Pinheiro (Cidadania), de Bonfinópolis, Goiás. Apesar disso, matérias divulgadas pelo Estadão e Metrópoles destacaram que dez gestores municipais já haviam denunciado o suposto esquema de pastores do MEC. 

A live de quinta-feira (24) do presidente Jair Bolsonaro foi feita ao lado da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil, Damares Alves. 

Entenda o caso que envolve prefeito da região de Araraquara

 

O prefeito de Boa Esperança do Sul, Manoel de Souza, foi um dos gestores que relataram o suposto pedido de propina feito por um pastor que atua na assessoria do Ministério da Educação (MEC). O caso vem ganhando repercussão nacional como 'Gabinete Paralelo' do MEC.

O relato do prefeito de Boa Esperança do Sul, cidade vizinha de Araraquara, veio à tona após uma matéria veiculada no jornal "O Globo". Nela, Manoel relatou que o suposto pedido de propina foi de R$ 40 mil.

Nesta quinta-feira (24), uma matéria também foi veiculada na CBN e o prefeito de Boa Esperança do Sul voltou a relatar como ocorreu o suposto pedido de propina por parte do pastor Arilton Moura.

 

“Ele me levou até uma mesinha na saída de um restaurante que ficava no andar de cima de um hotel. Aí eu falei: queria saber como que vão ser as demandas. Como que os municípios serão atendidos? Todos os municípios serão atendidos? Como vai ser?", contou Manoel.

 

"Ele falou assim: vou ser bem sincero com você, prefeito. Você não está precisando de uma escola profissionalizante lá no município? [...] O que eu tenho, se você quiser eu ligo agora, é essa escola profissionalizante. Aí ele falou assim: eu falo lá, já faz um ofício, só que você tem que fazer um depósito de R$ 40 mil para ajudar a igreja", relatou o prefeito.


Na sequência de sua fala, Manoel explicou como foi a sequência dos fatos após o suposto pedido de propina. "Aí eu levantei e falei assim: muito obrigado, Arilton. Pode ficar com a sua escola profissionalizante aí. Eu falei: muito, muito obrigado. Eu estou fora dessa".

A reunião teria sido em 2021, com 30 gestores municipais e, após a audiência, cada prefeito recebia uma senha e esperava para apresentar as demandas para assessores.

Na reunião, Manoel pretendia pedir verbas para ampliar uma escola e terminar com a terceiração de ônibus escolar. Após isso, Manoel e outros prefeitos foram até um restaurante na companhia do pastor Arilton Moura.

Outro prefeito que relatou o pedido, Kelton Pinheiro, de Bonfinópolis (GO), contou que teve uma audiência com Milton Ribeiro e outros 15 gestores municipais no dia 11 de março.

O ministro teria deixado o local com Arilton Moura e Gilmar Santos, que também é pastor e preside a Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil.

Gilmar Santos e Arilton Moura atuavam como assessores informais do MEC, intermediando encontros de Milton Ribeiro com prefeitos. Em áudios vazados, o ministro disse que o governo prioriza prefeituras assessoradas pelos dois líderes evangélicos e o pedido seria de Bolsonaro.

Em nota divulgada à imprensa, Milton Ribeiro disse não haver nenhum tipo de favorecimento na distribuição de verbas da pasta. Segundo o ministro, a alocação de recursos federais segue a legislação orçamentária.

"Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, disse o ministro na nota.

 


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