11/09/2020 às 12h09min - Atualizada em 15/09/2020 às 18h42min

Escolas particulares e mães pedem o retorno das aulas em Araraquara

Por Rian Fernandes


O Governo do Estado de São Paulo anunciou em agosto que escolas localizadas na fase amarela do Plano São Paulo estariam autorizadas a receber os alunos para aulas de reforço, recuperação e atividades opcionais a partir do dia 8 de setembro, inclusive, as particulares. No entanto, a decisão da Prefeitura de Araraquara em não retornar com os estudos continua gerando discussão entre mães e gestores de instituições privadas da cidade. 

Em Araraquara, um grupo foi criado com diretores de escolas particulares que pedem o retorno das aulas com protocolos de segurança foram criados.

De acordo com o conjunto, participarão dos estudos presenciais apenas alunos de pais que se sentem confortáveis com a retomada e os responsáveis também poderão optar por permanecer com o aprendizado on-line. Além disso, condições também foram colocadas para a frequência nos locais, como o uso de máscaras, aferimento de temperatura, higienização e outros cuidados. Em caso de algum aluno ou profissional que apresente a suspeita de estar com a Covid-19, uma sala seria separada para a pessoa ficar isolada.


"Que país é esse que abre bares, shopping, academias antes das escolas? Que país colocaria a educação em último plano sem pensar nas consequências disso? Que país é esse que ignora a sua responsabilidade no desenvolvimento das futuras gerações? Esse país é o Brasil, onde lazer, festas e feriado na praia vem antes da educação", questiona Ana Paula Freitas Ribeiro Alves, idealizadora do Gepa (Grupo das Escolas Particulares de Araraquara), proprietária há 21 anos da Girassol Ensino Infantil e vice presidente do Conselho Municipal de Educação. 

Ana Paula Freitas ainda comenta que a retomada não deve ser de qualquer maneira e critica as reuniões em família e passeios de amigos. "Não defendo o retorno às aulas a qualquer custo ou nos moldes que vivíamos antes da pandemia. Essa escola não existirá mais. Falo de uma escola adaptada a situação atual que estamos vivenciando. Uma escola submetida a protocolos rígidos elaborados em conjunto com profissionais especialistas em diversos setores que envolvem a educação e saúde do município. Visto que crianças e adolescentes têm sofrido abalos físicos e emocionais pela falta do convívio social. Convívio esse que tem que ser priorizado e limitado ao espaço escolar. Não nas reuniõezinhas familiares e passeios com amigos. É por isso a defesa de colocar a educação como prioridade de vida, como prioridade inclusive pra ajudar a conscientização da população e educá-los de forma a colaborar na contenção da pandemia". 


De acordo com Daniela Cristina Correia Janine, dona de outra escola particular em Araraquara, o retorno das aulas presenciais é possível, visto que as instituições privadas estão preparadas em questões de higiene e segurança. "Nós temos poucos alunos. Dá para fazer rodízio, para os pais que realmente precisam. Para os que não querem a volta, as aulas vão continuar sendo remotas", explicou. Por conta da pandemia, a escola de Daniela perdeu mais de 50% dos alunos que estavam matriculados. Aos pais que ficaram, descontos tiveram que ser oferecidos. Assim, demissões tiveram que ser feitas por conta do prejuízo financeiro gerado. 

Com a decisão de não retomada das aulas, um dos questionamentos de Daniela contra a Prefeitura de Araraquara é com a abertura de 2 CERs (Centros de Educação e Recreação). "Eles abriram alegando que eram para filhos de trabalhadores da linha de frente. Só que os pais dos alunos de escolas particulares não puderam ter acesso a essas vagas e eles não nos permitiram trabalhar nesse mesmo sistema". 

Mães de estudantes de escolas particulares

Já para uma das mães que tem um filho de três anos matriculado em uma escola particular, Kelly Assis, o retorno das aulas presenciais na rede é possível com protocolos de segurança, para apoiar os pais que precisam trabalhar.

“Eu posso perder meu emprego a qualquer tempo. Eu não tenho onde deixar meu filho, estou me virando. Ele fica de casa em casa”.

Kelly trabalha na linha de frente da Covid-19 e diz ter confiança na escola pelo fato do filho estar na instituição desde os quatro meses. Com o não retorno das aulas, ela contou que já pensou em retirar a criança da escola por não ter condições de pagar a mensalidade e alguma pessoa para olhar o menino ao mesmo tempo. “No meu caso eu não tenho parente nenhum para ter um respaldo. Com meu filho indo na escola, me sinto mais segura, tranquila e vou trabalhar. (...) Tem muitos pais que não tem escolha, não tem onde deixar o filho”.


O último trecho do depoimento de Kelly representa bem a situação de uma outra mãe, Thaís de Fátima Aissa Fernandes. Ela é funcionária pública e também atua na linha de frente do coronavírus em Araraquara, no entanto, não tem com quem deixar os filhos na cidade. A ajuda vinha da mãe, que mora em São Carlos, mas que irá começar a trabalhar na rede educacional, visto que a cidade vizinha da Morada do Sol voltará com as aulas presenciais.

“Provavelmente vou ter que tirar da escola para ter dinheiro para pagar alguém, mas há o receio de deixá-los com quem não conhecemos”.


Mãe de menina de quatro anos e de um menino de um, Thaís teve a vaga negada em um CER e com isso sente a necessidade do apoio de acolhimento para os filhos, Mas ela salienta que a situação na rede pública é diferente. “Imagino q seja mais difícil. Na turma da minha filha, são seis alunos, apenas. Acredito que na pública deve ser o triplo disso, pelo menos. Já ouvi falar que falta papel higiênico, será que vão suprir a necessidade de álcool?”, disse ela.

Prefeitura de Araraquara


Sobre o caso, a Prefeitura de Araraquara ressaltou que as escolas particulares também não devem voltar neste momento. Além disso, destacou que a situação vai continuar sendo avaliada, de acordo com a evolução da doença. 

Vale lembrar ainda que durante uma reunião de prefeitos de cidades da região, inclusive o de Araraquara, realizada na manhã de ontem (9), foi tomada a decisão, em âmbito regional, do não retorno das aulas presenciais. No comunicado feito pelas redes sociais, Edinho comentou que "ainda existe um risco grande de transmissão da doença, e as crianças, muitas vezes assintomáticas, são vetores importantes na transmissão da doença".  


Sobre os CER (Centros de Educação e Recreação)


Sobre os CERs que a dona da escola particular menciona, eles foram abertos e dedicados a famílias em situação de extrema vulnerabilidade. O município já afirmou diversas vezes que os espaços seguem regras específicas de funcionamento para atender a uma população carente, que não têm outra alternativa.


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