Kit intubação
Hospitais de Araraquara enfrentam dificuldades em conseguir o "kit intubação"
Eliana Honain falou com o Araraquara Agora sobre a situação dos insumos no sistema de Saúde da cidade

"A gente tem ainda um estoque, mas nos hospitais estão mais gritantes [os estoques do kit intubação]", disse a secretária de Saúde, Eliana Honain, sobre a quantidade de "kit intubação" disponível no sistema de Saúde de Araraquara. A Santa Casa já informou que possui insumos apenas para mais nove dias e chegou a cancelar a ampliação de leitos de UTI (veja aqui).
Segundo Eliana, o município se mobiliza para comprar, mas encontra dificuldades. "Nós estamos tentando comprar. Alguma coisa a gente compra, mas é um preço muito caro. É um grande desafio", disse ela.
Ainda conforme explicou, não se sabe se os governos estadual ou federal enviarão os medicamentos necessários para o procedimento de intubação. "A gente não sabe quando chega pelo governo estadual ou federal. A gente não tem essa informação, eles não nos informam. De repente às vezes chega e às vezes não chega. Por isso que a gente tem que mobilizar para fazer essa aquisição", esclareceu Eliana. A secretária também informou que existe uma solidariedade "muito grande" entre todos os hospitais da região.
O que é o "kit intubação"
O kit intubação é um grupo de medicações usadas em um paciente que passará pelo processo de intubação. Durante o procedimento, um tubo é colocado na traqueia e fica junto de um ventilador pulmonar, que administra a quantia de ar que entra e sai do pulmão. Além disso, o aparelho também controla a mistura de gases e a quantidade de oxigênio.
Para a intubação, os remédios usados possuem três classes: os hipnóticos, que fazem com que o paciente durma; os analgésicos, que evita dores e desconfortos no paciente por conta do tubo na garganta; e o bloqueadores neuromusculares, que paralisam a musculatura do paciente.
O que diz o governo estadual
Em nota, o governo estadual se manifestou sobre a falta de insumos no território paulista. Veja abaixo, na íntegra, o esclarecimento enviado:
"A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo enviou novo ofício ao Governo Federal cobrando o envio de remédios para intubação de pacientes graves com COVID-19 em até 24 horas. A finalidade é abastecer 643 hospitais com itens para suprir pelo menos 10 dias da demanda da rede, totalizando 2,3 milhões de medicamentos. O documento reitera sucessivas cobranças ao Ministério da Saúde no decorrer dos últimos 40 dias, mas ainda prevalece a inércia da União.
A requisição administrativa dos neurobloqueadores e sedativos pelo Ministério, somada ao aumento da demanda de internação em todo país e à dificuldade de fornecimento pelos fabricantes e distribuidores, tem prejudicado o reabastecimento da rede e tentativas de compras realizadas diretamente pelos serviços.
Paralelamente às cobranças, a Secretaria da Saúde disponibilizou aos hospitais estaduais e municipais a possibilidade de adesão para uma compra internacional conjunta e as tratativas estão curso, como alternativa extra para garantir tais remédios.
Balanços
A última entrega do Ministério a SP ocorreu no final de março, totalizando 215.313 ampolas de neurobloqueadores e anestésicos, o que corresponde a apenas 6% do que é preciso para atender a demanda mensal da rede pública de saúde do Estado, de 3,5 milhões de ampolas. A quantidade fornecida segue aquém do que o próprio Ministério da Saúde havia sinalizado, de 258.874 ampolas. Também representa somente 7% da demanda mensal do SUS de SP, o que denota a criticidade do abastecimento atual.
Ainda no primeiro trimestre, SP sugeriu ao Ministério a realização de acordos com farmacêuticas, aquisição estratégica internacional, monitoramento diário da demanda e pleiteou a ampliação da disponibilidade de compra por ata federal, até então restrita a 60 dias de consumo, uma vez que ainda na primeira quinzena de março o saldo proporcional do Estado se esgotou. A pasta reitera a importância de providências para que o SUS consiga manter a assistência à população."
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