16/04/2021 às 16h14min - Atualizada em 16/04/2021 às 16h14min

Hospitais de Araraquara enfrentam dificuldades em conseguir o "kit intubação"

Eliana Honain falou com o Araraquara Agora sobre a situação dos insumos no sistema de Saúde da cidade

Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil
Mesmo com um estoque, os hospitais do sistema de Saúde de Araraquara estão precisando de 'kit intubação'. A pior situação é a da Santa Casa, que tem materiais para aproximadamente mais alguns dias. A informação foi dada pela secretária Eliana Honain, nesta quinta-feira (15), ao Araraquara Agora. 

"A gente tem ainda um estoque, mas nos hospitais estão mais gritantes [os estoques do kit intubação]", disse a secretária de Saúde, Eliana Honain, sobre a quantidade de "kit intubação" disponível no sistema de Saúde de Araraquara. A Santa Casa já informou que possui insumos apenas para mais nove dias e chegou a cancelar a ampliação de leitos de UTI (veja aqui). 

Segundo Eliana, o município se mobiliza para comprar, mas encontra dificuldades. "Nós estamos tentando comprar. Alguma coisa a gente compra, mas é um preço muito caro. É um grande desafio", disse ela.

Ainda conforme explicou, não se sabe se os governos estadual ou federal enviarão os medicamentos necessários para o procedimento de intubação. "A gente não sabe quando chega pelo governo estadual ou federal. A gente não tem essa informação, eles não nos informam. De repente às vezes chega e às vezes não chega. Por isso que a gente tem que mobilizar para fazer essa aquisição", esclareceu Eliana. A secretária também informou que existe uma solidariedade "muito grande" entre todos os hospitais da região. 

O que é o "kit intubação"

O kit intubação é um grupo de medicações usadas em um paciente que passará pelo processo de intubação. Durante o procedimento, um tubo é colocado na traqueia e fica junto de um ventilador pulmonar, que administra a quantia de ar que entra e sai do pulmão. Além disso, o aparelho também controla a mistura de gases e a quantidade de oxigênio. 

Para a intubação, os remédios usados possuem três classes: os hipnóticos, que fazem com que o paciente durma; os analgésicos, que evita dores e desconfortos no paciente por conta do tubo na garganta; e o bloqueadores neuromusculares, que paralisam a musculatura do paciente.

O que diz o governo estadual

Em nota, o governo estadual se manifestou sobre a falta de insumos no território paulista. Veja abaixo, na íntegra, o esclarecimento enviado: 

"A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo enviou novo ofício ao Governo Federal cobrando o envio de remédios para intubação de pacientes graves com COVID-19 em até 24 horas. A finalidade é abastecer 643 hospitais com itens para suprir pelo menos 10 dias da demanda da rede, totalizando 2,3 milhões de medicamentos. O documento reitera sucessivas cobranças ao Ministério da Saúde no decorrer dos últimos 40 dias, mas ainda prevalece a inércia da União.

A requisição administrativa dos neurobloqueadores e sedativos pelo Ministério, somada ao aumento da demanda de internação em todo país e à dificuldade de fornecimento pelos fabricantes e distribuidores, tem prejudicado o reabastecimento da rede e tentativas de compras realizadas diretamente pelos serviços.
 
Até o momento, o Governo Federal não deixa claro o critério de distribuição dos medicamentos requisitados e, por seis meses, não destinou nenhum quantitativo a SP. Assim, além de não atuar como gestor central do SUS, não promove equanimidade entre as Unidades Federativas. O Estado informa diariamente o status de seu consumo e hoje se encontra em situação extremamente grave, com risco de desabastecimento desses itens.

Paralelamente às cobranças, a Secretaria da Saúde disponibilizou aos hospitais estaduais e municipais a possibilidade de adesão para uma compra internacional conjunta e as tratativas estão curso, como alternativa extra para garantir tais remédios.

Balanços

A última entrega do Ministério a SP ocorreu no final de março, totalizando 215.313 ampolas de neurobloqueadores e anestésicos, o que corresponde a apenas 6% do que é preciso para atender a demanda mensal da rede pública de saúde do Estado, de 3,5 milhões de ampolas. A quantidade fornecida segue aquém do que o próprio Ministério da Saúde havia sinalizado, de 258.874 ampolas. Também representa somente 7% da demanda mensal do SUS de SP, o que denota a criticidade do abastecimento atual.

Ainda no primeiro trimestre, SP sugeriu ao Ministério a realização de acordos com farmacêuticas, aquisição estratégica internacional, monitoramento diário da demanda e pleiteou a ampliação da disponibilidade de compra por ata federal, até então restrita a 60 dias de consumo, uma vez que ainda na primeira quinzena de março o saldo proporcional do Estado se esgotou. A pasta reitera a importância de providências para que o SUS consiga manter a assistência à população."
 
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